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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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17
Out18

Vai um pires de grilos?

JP

Ler por aí “grilos altamente proteicos” chega para perceber como vai acabar a história da relação entre os humanos e os insectos. 

Ainda estamos numa fase inicial e teremos múltiplas etapas entusiasmantes. Grilo em pó ou em folhas a fazerem delícias nos ginásios; farinhas, pastas, hambúrgueres e, finalmente, os grilos em todo os seus esplendor, reinterpretados por chefs.

grilos2.jpg

Imagem tirada daqui 

Nos chispes, um espaço de tolerância e de ideias desfeitas, dizemos que atire a primeira pedra quem nunca comeu caracóis. Nós somos fãs de caracóis.

O argumento principal para a introdução de insectos na dieta humana é o da sustentabilidade ambiental. Fácil de perceber e respeitável. Mas vamos com calma. Dizer que a farinha de insectos tem mais proteína e poderá suprir necessidades alimentares, parece-me lógico. Comparar os insectos com as vacas é que não.

Que as vacas são mais poluidoras, infelizmente já o sabemos, mas não vai ser fácil servir picanha de insecto.

Mas a realidade nunca está em esquadria, se as vacas largam metano, os insectos largam malária e outras que tais.

Hambúrgueres de insectos parece-nos uma excelente ideia. Impõe uma redução no consumo de gado, deixando a população bovina para aquilo que realmente importa: bifes, postas, costeletas ou estufados.

Claro que tudo isto é muito entusiasmante, mas quando se perceber o sofrimento que provoca aos insectos, todos amontoados em gaiolas, e que os grilos reconhecem os donos, seremos barbaramente assediados por campanhas de sensibilização para soltar os insectos. Não faltarão, igualmente, especialistas a identificar claramente a diferença entre grilos que nunca saíram de gaiolas, alimentados a couves e alfaces de estufa, de grilinhos selvagens, muito mais crocantes e suculentos.

Inevitavelmente, vamos descobrir que estamos a derreter os insectos da superfície da terra, provocando uma hecatombe ambiental. A extinção dos sapos vai acelerar alguma coisa muito má. Ou pior, a encher a terra de bicharada, o que ainda vai tornar o nosso mundo bem mais insuportável.