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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

23
Set10

As nossas avaliações e bitaites

JP
A Alameda (Ponte de Lima)

Adão e Eva (Barcelos) - website
Adelaide (Vieira do Minho)

- Adega Rita (Lixa)
Albergaria Rio Beça (Boticas)

- Ancoradouro (Ilha do Pico)

Barriga Farta (Baião) - localização

- Beira Mar (Ilha Terceira)
Borda d'Água (Salto, Montalegre)
Bota e Bira (Matosinhos)
Buraquinha (Braga)
Café Avenida (Vila Verde)

- Café Beira Rio (Estorãos)
Café do Adro (Carreço, Viana do Castelo)
Casa Pancada (Vieira do Minho)
Café Ramos (Paços de Ferreira)

- Caneta (Ilha Terceira)

- Casa Âncora (Ilha do Pico)

Casa de Pasto Cardoso (Póvoa de Lanhoso)

Casa do Lau (V.N. Cerveira)
Casa pires (Moreanes, Mértola)
Casa Silva (Amarante)
Churrasqueira Minhota (Amares) - website
Cozinha da Sé (Braga)
Expositor (Braga) - website
Ferrugem (Famalicão) - website
Flor da Venezuela (Braga)

- Fornos de Lava (Ilha S. Jorge)

- Ganda Gula (Chaves)
Isaurinha (Barcelos)
Jardim (Famalicão)

- JJ (Graciosa)
Mesón El Pescaíto Frito (Isla Cristina, Espanha)
Moinho do Cu Torto (Évora)

- Nariz do Mundo (Salto)
O Brasileiro (Mértola)
O Grémio (Évora)
O Túnel (Braga)
Pedra Cavalgada (Braga) - website
Pedra Furada (Barcelos)
Quinta da Fontinha (Barrega, Celorico de Basto) - website
Rampinha (Braga)
Sabores do Barroso - "Miranda"  e aqui (Braga) - localização
Santa Gula (Braga)
Santa Luzia (Braga)
Sinfonias (Barcelos)
Taberna da Laurinda (Castelo do Neiva) - contactos 
Taberna do Quinzena (Santarém)

- Ti Choa (Ilha Terceira)

 

OUTROS ESPAÇOS GASTRONÓMICOS REFERIDOS NO BLOG

Albertino (Folgosinho, Gouveia)
Alentejo (Moreanes, Mértola)
Arafate (Braga)
- De Bouro (Braga)
Fialho (Évora) - website
Nariz do Mundo (Moscoso, Cabeceiras de Basto)
- Tatana (Paços de Ferreira)

www.chispesecouratos.com

30
Jan10

As gaffes e as “atenções” dos restaurantes

Convidado

Há algumas frases que constituem autênticos clássicos da restauração nacional:  “esse prato já acabou”, “esse vinho está esgotado”, “é a última garrafa deste vinho”, “desculpe, mas a(o) cozinheira(o) é nova(o) na casa”, “as batatas que pediu foram para outro cliente” (esta ouvi-a há pouco tempo num restaurante que frequento habitualmente. Lamentável sobretudo porque fui a primeira a solicitar as ditas batatas), “confesso, o frango é da hora do almoço”,  …. (podem acrescentar as que vos espicaçar).

Será tão difícil eliminar do cardápio os elementos em falta? Porquê criar no cliente “água na boca” se depois o vinho pretendido que lhe ia matar o desejo acabou? Falta de etiqueta e protocolo nos empregados?

Porém, há gestos inolvidáveis que marcam a diferença como receber surpreendentemente, no final de um jantar de terça-feira, uma broa acabadinha de sair do forno de lenha (“só para as meninas”, disse a empregada do Restaurante Vale do Homem, em S. Vicente do Bico – Amares), uma flûte de espumante no hall de entrada e uma fotografia a dois para marcar o aniversário da cliente (Restaurante Papa Boa, em Guimarães), uma peça de louça “roubada” (Tasca do Celso, em Vila Nova de Milfontes), uma sobremesa da casa oferecida apenas à primeira visita do cliente (vale a pena provar no Restaurante Arafat, em Braga), ou mesmo o tradicional licor Beirão, whisky ou um chá para a digestão (Restaurantes Adão e Eva, Sabores do Barroso e Café do Adro, em Barcelos, Braga e Viana do Castelo, respectivamente).

Como seria agradável que todos os restaurantes primassem por tratar o cliente como um ser único e especial…eu, embora goste de conhecer novos espaços gastronómicos, sou fiel aos restaurantes que me tratam bem.

A. Corunha

01
Jan10

Sugestões

JP

Estas sugestões estão categorizadas por pratos, que é o que realmente interessa. Não nos responsabilizamos por outras escolhas nos locais sugeridos, pela antipatia ou por rostos mal encarados, por demoras no atendimento e ignoramos quais as avaliações do Tripadvisor.

Alguns destes pratos (poucos) só experimentamos uma vez. Podemos ter tido muita sorte ou talvez estivessemos com quebra de expectativas. Caso não concordem, ou tenham outras sugestões, mandem aí... o que nós queremos é novas experiências.

 

 

Asinhas de frango fritas

Café Beira Rio

 

Bacalhau Assado

Vítor

Taberna do Afonso

Bacalhau recheado (À Braga?!)

Baixa a Tola

 

Batatas fritas com cebolada

Borda d’água

Caneiro

Bifes com cebolada

Casa Cardoso

 

Butelo

D. Roberto

 

Capão

Tasquinha Melo

 

Carne de porco à alentejana

Taberna do Gabão

 

Coelho

Adega Matias

 

Couves com feijões

Adelaide

 

Lapas Grelhadas

Marisqueira José João

 

Petiscar

Espeta

 

Pica no Chão

Adelaide

Rita

Polvo (no forno com arroz do mesmo)   

Caneiro

 

Posta de Vitela

Sabores do Barroso

 

Sopa de Peixe

Restaurante Ideal

 
19
Out09

Adão e Eva: como se fosse sempre a segunda vez

JP

Escrever este texto, agora, sobre o Adão e Eva desperta-me um leve travo a injustiça. Ocorre-me o prémio de carreira que a Academia de Hollywood atribuiu este ano a Jerry Lewis. Uma carreira de algumas obras maiores, que só mereceram atenção pelo seu conjunto, quando o homem já fez o check-in para a última viagem. Provavelmente, fizeram-no pelo medo de serem acusados de total indiferença pelo artista. Os prémios carreira não me convencem, são uma pobre consolação. Como se nenhum dos trabalhos tivesse realmente valor, mas somando cinco minutos aqui, dois minutos acolá, um cenário neste e uma ideia naquele, olha, até dá um bom filme.
O Adão e Eva teve um papel decisivo na história dos chispes e, bem antes disso, constituía já um espaço fundamental no meu roteiro de devoção gastronómica.
Que fique claro: este não é um prémio carreira nem um prémio de consolação nem, muito menos, um prémio injusto hoje para compensar a injustiça de ontem. Como dar o prémio de melhor realizador a Scorcese, depois de vinte anos de vários filmes incontornáveis na história, com um filme apenas bom. Ou o prémio da Fifa em 2001 para o Figo.
Como explicar este afastamento do blog do Adão e Eva?
Calhou. Nenhum outro verbo diz tão bem a razão de ser de tantas injustiças neste mundo. Calhou. E calhou mesmo. Algumas circunstâncias mantiveram-nos afastados no último ano deste restaurante. Calhou. E acabamos por nos esquecer de dizer ao pessoal que nos lê que o arroz de pato do Adão e Eva, por acaso, é o melhor do mundo. Ups, desculpem lá o esquecimento. Olhem só a nossa cabeça. Sim, o arroz de pato do Adão e Eva é o melhor arroz de pato do mundo.

Ir ao Adão e Eva pela inumerável vez é revisitar a minha eterna segunda vez. Sim, não há nada como a segunda vez; a melhor vez de todas é a segunda vez. É quando voltamos para repetir, com as sensações da primeira vez ainda a esparramarem-se sem pudor na nossa memória. É quando voltamos à procura de todas as nuances degustativas com que fomos surpreendidos à primeira vez; voltamos com o medo de que as circunstâncias que permitiram aquele pato tivessem sido demasiado frágeis e casuais que possam não se repetir. O pato a destilar a intensidade do seu estufado, o arroz escuro, que se lambuzou desavergohadamente num refugado bem puxado e o queijo, um derrame intenso de queijo que cobre e oculta por completo o arroz. A textura e a elaborada engenharia de distribuição dos alimentos por camadas. Sim, e é nesse momento que a segunda vez se afirma como a mais sublime. É quando o prazer se consuma ao nível das nossas expectativas.
Dá vontade de rir na cara de todos os cínicos que andam por aí a alardear que os prazeres não se repetem, que os momentos são únicos. Tretas. Ide para o raio que vos parta. A intensidade do prazer a comer o arroz de pato no Adão e Eva repete-se e torna a repetir-se (quase sempre). E há que dizer que é um arroz de pato que guarda ainda algumas cartadas para jogar, não vá aparecer algum arroz de pato por aí que desafie o título: as rodelas de salpicão ainda não vêm tostadas no forno; o bacon ainda não foi convocado; e até hoje nunca foi devidamente estudado o acrescento dos pinhões à fórmula original.
O Adão e Eva infelizmente não é um espaço intimista, ou no mínimo rústico, que dê a dignidade merecida à excelência de alguns dos seus pratos. É um espaço amplo em forma de «L», com mesas grandes, para eventos. Temos a sensação de uma cozinha caseira fora do seu habitat natural. Como vermos um coelho longe dos montes a fazer de animal de estimação.

Recomendo a perna mais pequena do «L», sempre se fica mais aconchegado.

Os chispes finalmente deram ao Adão e Eva o destaque que merecia e decidimos fazer o lançamento da candidatura a Gurão de 2010 (cargo máximo na hierarquia interna - uma combinação de Guru com Grão-mestre) junto a umas travessas de arroz de pato. Aqui ficam as imagens. 

 

12
Set09

Churrasqueira Minhota (Amares)

Paulo

Já neste blog se escreveu que há restaurantes que têm nomes que dizem logo ao que vamos e outros que têm nomes mais enganadores. O restaurante a que me levaram em Amares, a Churrasqueira Minhota, é um desses casos em que o nome nos faz criar uma imagem que não corresponde à realidade. Assim, lá fui eu a pensar num espaço simples, povoado de frangos de churrasco, com mesas cobertas de toalhas de papel sarapintadas de molho e vinho tinto e perfumado com o cheiro de óleo frito.
Quando cheguei, estranhei desde logo estar perante uma moradia. Ao ser encaminhado pela lateral da casa não evitei pensar que estava a invadir propriedade privada. Apercebi-me, porém, que o restaurante ficava nas traseiras da habitação (vim a saber que é assim no Verão e que no Inverno funciona na cave) e quando entrei fiquei extraordinariamente surpreendido pela positiva, vi que tinha ido ao engano e que estava num local nos antípodas de uma típica churrasqueira. O espaço mereceu imediatamente nota máxima, afinal de contas deparei-me com mesas dispostas ao redor de uma pequena piscina abrigadas por um telheiro de estilo rústico. Pensei imediatamente que afinal tinha sido boa ideia ter trocado os trajes da praia por uma vestimenta mais normal.
E se o espaço era agradável, o que dizer do atendimento? Todos os empregados de mesa com quem tivemos contacto (jovens de ambos os sexos) foram o tempo todo de uma simpatia e prestabilidade irrepreensíveis, tão simpáticos que pensei que deviam estar a compensar algo, ou a comida não seria boa ou então estaria um corpo no fundo da piscina. Mas, afinal não. Não havia corpo e a comida foi excelente.
Depois de várias entradas, que não sendo memoráveis estavam boas (moelas, mexilhões panados, cogumelos salteados, presunto com melão, azeitonas), deliciámo-nos com um excepcional bife de javali - saboroso, tenro, suculento, no ponto - acompanhado de arroz, batata frita de comer e pedir muitas mais, feijão preto e doce de maçã. Nos vinhos aconteceu-nos algo raro, conseguiram vir para a mesa duas garrafas de diferentes vinhos brancos alentejanos que não estavam em condições, sendo de realçar a atitude impecável dos empregados nesta questão.
Na sobremesa, recomenda-se o Doce Tentação, mas absolutamente imperdível é o Doce Pecado. Foi o corolário de uma excelente refeição numa quentíssima noite de Agosto, em que a piscina ali ao lado da mesa se mostrou sempre tentadora!

04
Set09

Casa Pires em Moreanes (Alentejo)

Convidado

Tentei chegar ao Pomarão, onde há cerca de 4 anos comi um coelho de caça frito, que ainda hoje é um pesadelo por nunca mais ter encontrado o mesmo, feito com a qualidade do simples (pois fartérrimo de cozinha internacional ando eu, na maior parte das vezes de cozinha só tem a arte do decorador de pratos), deparo no Pomarão com a porta fechada e soube depois que o proprietário tinha, infelizmente, falecido.

Local mais perto onde, já não diria comer, mas enganar a fome, só em Moreanes, segundo a indicação de uma habitante do Pomarão.

Rodas na estrada rumo a Moreanes, entro no centro da aldeia e encontro 2 restaurantes, o Alentejo, belíssimo aspecto e um cardápio afixado no exterior que nos fez salivar, mas infelizmente fechado para descanso. A cerca de 50 metros um pequeno café, com sala para almoços. A Casa Pires, nada que o recomendasse, mas a vontade de enganar o estômago mandava mais que a 'razão'.

Fomos encaminhados, muito calmamente (já voltei e é sempre com muita calma) para a sala de jantar, sem grandes luxos e decorações, mas extremamente limpa. Pedimos o cardápio e o Sr. Pires calmamente pediu para se esperar. A espera valeu a pena, pois para nosso deleite chegou com um presunto e uns enchidos de fazer ressuscitar 3 defuntos. Simplesmente divinal a fazer lembrar um Pata Negra Reserva e um enchido de Lombo do mesmo.

Para almoço, o Sr. Pires tinha os sempre fantásticos secretos de Porco Preto bem como a açorda de bacalhau, o cozido de grão e uma feijoada de lebre.

Optamos por uma feijoada de lebre e um cozido de grão e a experiência foi do mais recompensante em termos de bem cozinhar e temperar, especialmente a feijoada de lebre temperada com hortelã. Doses generosas que é como dizem os alentejanos: para um alentejano ainda sobra e para um citadino dois não a comem. O vinho, local mas bem feito, sem defeitos aparentes. A sericaia presente e no final €12,00 por pessoa. 

Já voltei, recomendei e todos os que lá foram não ficaram de forma alguma defraudados.

A feijoada de lebre ou se tem sorte e há disponivel ou então telefonar ao Sr. Pires com uns dias de antecedência que ele a providenciará.

 

Moreanes fica na estrada de Mértola para Serpa, via Mina de S. Domingos e a cerca de 5 Km antes de se chegar à Mina de S.Domingos.

 

Jorge Guimarães

27
Jun09

A importância do automóvel na gastronomia

Paulo

Há alguns dias, o meu carro desapareceu de onde estava estacionado, em pleno dia, numa rua movimentada de Barcelos. Como estava num local onde era permitido estacionar, tive de partir do princípio que tinha sido furtado, vá-se lá saber por que razão. Quem já viveu semelhante situação entende o choque que tive. Enquanto caminhava para a esquadra da PSP para dar conta do sucedido, o sentimento de perda começou a apoderar-se de mim. Como é que eu poderia continuar a ter uma vida gastronómica normal sem automóvel? Como é que eu me iria deslocar aos restaurantes deste país? Passaria a estar completamente dependente da boa vontade de outros para me levarem consigo para as comezainas! Sem carro, teria de alterar o meu comportamento para me tornar pelo menos tolerável para os outros, de forma a que não se importassem de me levar aos restaurantes mais fora de mão, sujeitando-me ainda às suas escolhas, correndo sempre o risco de me levarem, por exemplo, a um vegetariano. Aliás, as pessoas sem carro são naturalmente interesseiras, dão-se com outras pessoas apenas para garantirem boleia para restaurantes. Toda a gente sabe isso!
Enquanto era atendido pelo agente da PSP, pensava nos sítios a que poderia ir sem carro próprio e sem boleia: tinha a consolação de morar a poucos minutos a pé das postas e costeletas do “Miranda” (Sabores do Barroso); de resto, assim de repente, lembrava-me apenas dos restaurantes de Braga, a que poderia chegar de autocarro, e do Barriga Farta, onde poderia deslocar-me de comboio. Desesperava-me a ideia que o presumível larápio me iria privar de ir a restaurantes de súbito totalmente inacessíveis para mim, como o Nariz do Mundo ou o Albertino.
E, depois, como é que, de autocarro, conseguiria, por exemplo, trazer para casa garrafas de vinho ou marisco?
Felizmente, tudo não passaria de um enorme susto. Afinal, por incrível que possa parecer, o meu carro tinha sido “apenas” rebocado por engano (!!!) para uma oficina (cuidado com a Auto Barcelinhos, óptimo exemplo de negligência e incompetência que, por uma questão certamente de eficiência, “pega” no primeiro carro que se assemelha com o que era suposto rebocar).
Quando soube que não tinha ficado sem o carro, diante dos meus olhos voltaram a passar todas as iguarias que estavam novamente à minha disposição onde quer que estivessem. Os meus olhos brilharam quando voltei a ver o meu carro na oficina para onde o tinham levado e acho que notei, também, nos faróis um reluzir de alegria pelo reencontro. Em contrapartida, vi o terror estampado na cara do dono do carro que deveria ter sido rebocado por estar avariado. Provavelmente, tinha alguma patuscada onde ir, alguma iguaria para degustar, e via-se inesperadamente impossibilitado de o fazer.

02
Mar09

Bota e Bira

JP

Ora aqui está um nome brilhante para uma casa de pasto. Bota e Bira. O restaurante situa-se em Matosinhos, pertinho da lota, como mandam as leis universais da intuição gastronómica. Não interessa se o peixe já está hospedado no restaurante há mais de uma semana, psicologicamente resulta, parece que acabou de desembarcar e ainda nem teve tempo para desfazer as malas.
"Bota e Bira", não há que enganar, é no braseiro que se fazem os pratos da casa. O nome é um achado porque resume a essência do estilo artístico do chefe de cozinha. Se fosse num restaurante como o El Buli era bem mais complicado, seria algo do género: "pesquisa, testa em laboratório, produz quimicamente e serve." Não dava.
Tudo porque a essência da cozinha à beira mar deve resumir-se ao fogo e ao sal. Um bom peixe quando chega às mãos do artista não precisa de muitos adereços para ficar uma iguaria.


Existe o mito de que é impossível comer peixe em Matosinhos sem sermos agredidos com contas de, no mínimo, 40 euros. Não interessa o que se come ou o que se bebe. Se mandamos vir uma garrafa de vinho, é porque o vinho é caro. Se vier uma cerveja, são as entradas que encareceram. Se não pedimos entradas, são os pratos. Se os pratos são acessíveis, é o café e a água. Se não tomamos café, foi aquela maldita manteiguinha. O mínimo de 40 euros é que nunca falhava, aliás, era um enigma que ainda não tinha sido resolvido pelos maiores matemáticos do mundo. Não interessa as voltas que se dava, o resultado era sempre igual.
Mas finalmente no Bota e Bira encontrei a solução. Duas pessoas, uma dose de chocos e uma dose de lulas, bebidas, sobremesa para um e café, igual a 24 euros. Porra, consegui!

Para quem não gosta de ver chegar entradinhas à mesa sem serem convidadas, o Bota e Bira é o restaurante ideal. Só o pão apareceu por ali. É um mérito, porque nos permite analisar, primeiro, o impacto das medidas estruturais no combate ao apetite e, só depois, tomar outras decisões de recurso. Muitas entradas na mesa a juntar-se à vontade de comer leva-nos a perder a cabeça e a devorar tudo o que nos apareça à frente, depois da saciedade lá vem o sentimento de culpa, "oh meu Deus, eu não presto, o que eu fui fazer. Eu merecia um par de chapadas bem dadas.".
Depois do pão lá chegaram as estrelas da tarde, bem fresquinhas, temperadas e em boas quantidades. Em tantos outros restaurantes pedimos lulas ou chocos e chegam-nos numa quantidade miserável. Ou eram cefalópodes deficientes, também os deve haver, já com 3 a 4 pernas amputadas em vida, ou houve má fé dos cozinheiros.

Finalmente, há que referir que os funcionários eram homens de parcas palavras. Nunca foram antipáticos, mas quase não chegou a ser necessário que abrissem a boca em cada abordagem à nossa mesa. Brilhante. Tantas vezes encontramos pessoal a servir às mesas que acha que o cliente vai aos restaurantes para ouvir opiniões sobre política internacional ou para assistir a espectáculos de stand-up-comedy. "Por favor, eu queria um robalo grelhado, mas não demore muito que eu ainda queria ouvir a sua opinião sobre as medidas de combate à crise apresentadas pelo Obama".

Mais tarde ou mais cedo, este tema irá merecer-me uma reflexão. Todo o ser humano que serve à mesa sofre com esse complexo de inferioridade: o mestre, o artista está na cozinha e a única responsabilidade que o garçon tem sobre as obras de arte é a de não as deixar cair. Na mesa, o melhor que pode ouvir é "por favor, transmita ao cozinheiro os meus parabéns". É frustrante. E todo o garçon sabe que o cliente tem tendência a ignorá-lo. Quantas vezes não lhe apetecerá gritar "ei, psssst, estou aqui... aqui, a trás da costoleta".

Claro que começam a tentar afirmar-se e marcar presença em todos os momentos da refeição, com os seus dotes intelectuais e as suas frases espirituosas. Muitos desenvolvem piadas específicas para cada item do menú, acreditando que na carta deveria vir indicado o nome do prato com algo do género: Espetada de lulas, com batata a murro e piada sugestiva do garçon.

Felizmente, no Bota e Bira, os homens estão conformados. Ou a cagar-se! Bota, bira e toca a servir.

16
Fev09

O dia do Valentim

Marco

O dia dos namorados é literalmente uma data comercial, encaixada entre o Natal e a Páscoa e que serve de motivo para nos fazer sentir mal por não ter comprado uma prenda ou qualquer outro acessório para o nosso apêndice… também apelidado de dia de S. Valentim

E se o cariz comercial dado “ao amor” revolta qualquer apaixonado, em todo o caso é uma excelente desculpa para experimentar um repasto topo de gama… sim, porque nós acima de tudo gostamos é de comer bem… quer seja em tascas, pic nics ou restaurantes Creme de la Creme.

Esclarecida esta posição de vida em que se privilegia o prazer sensorial em detrimento do prazer comercial, decidi assinalar a data no restaurante Pedra Cavalgada em Braga. Já toda a gente sabe que marcar um restaurante nesta data é difícil, mas para além do telefone, ter que efectivar a marcação por email, foi de facto uma novidade para mim. Ultrapassadas estas dificuldades chegamos ao sítio, casa antiga de arquitectura rural minhota, parque de estacionamento privado, recepção com espumante e atendimento curioso.

Em termos gastronómicos, nada a apontar, Empada de Caça, Camarões ao Alho, Polvo Assado e um Taquinho de Lombo de Novilho tudo delicioso e muito bem confeccionado, o serviço é que merece algumas críticas da minha parte. O facto de não nos deixarem uma garrafa na mesa implica que exista um empregado em permanente atenção para que nunca falte o néctar, facto que não ocorreu o que implicou algumas alturas mais secas durante todo o repasto. Embora a decoração da casa seja a condizer com a idade da mesma, para o jantar em questão faltou alguma música ambiente para criar uma atmosfera mais adequada, nada que não se ultrapassasse com uma boa conversa.

O resultado final é positivo e vale pela boa comida, neste que foi o primeiro dia dos namorados em que de facto fui já na condição de casado!

09
Fev09

O pior pesadelo de um Chispesiano

Marco

Esta história da crise afecta tudo e todos! Um indivíduo até pode pensar que só chega aos outros mas mais tarde ou mais cedo ela chega como um rato a esgueirar-se por entre as frinchas de uma parede rachada e entra pela nossa casa dentro!

Certo que à actividade comedorística só chega a crise quando nós deixarmos, o mesmo não se pode dizer de cada um de nós e neste caso o desgraçado fui mesmo eu. Fui assolado pelo pior pesadelo que um confrade de primeira estirpe pode ter… problemas nos dentes!

Este sábado que passou, levantamo-nos todos cedo, metemo-nos no melhor carro que podia transportar o homem e lá rumamos em direcção a Celorico de Basto mais propriamente para Barrega com o objectivo de visitar a Quinta da Fontinha onde fomos muito bem recebidos. Depois da matraquilhada do costume onde mais uma vez a equipa habitual se sagrou campeã intergaláctica, demos lugar às entradinhas que faziam adivinhar um repasto generoso. Chouriça com grelos, Feijoada, polvo, presunto, chouriço, estava tudo de maravilha e serviu para amansar o espírito e abrir o apetite para o fantástico bacalhau, a posta excelente, tudo isto acompanhado com umas batatas a murro deliciosas… fantásticas mesmo! No final, e porque tínhamos ido em missão de trabalho, mandou-se vir umas perninhas de polvo para encerrar o repasto sempre regado com o verde da casa que escorregava demasiado bem. As gulodices variaram entre Bolo de Bolacha, Mexidos, Molotov ou Romeu e Julieta!

Se para alguns foi uma refeição em pleno, confesso que para mim e devido ao meu handicap, tive que optar pelo bacalhau por ser melhor “mastigável”, sendo que não me escusei a provar um pedaço da bela carne que foi servida. Dei comigo a pensar que para quem gosta de comer, os dentes são uma ferramenta essencial… e como ando a fazer algumas correcções à cremalheira prevejo tempos difíceis e de grande crise… temos todos que aguentar!

É como vos digo… a crise toca a todos!