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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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11
Jan10

O peso de Portugal

JP

Portugal engordou. O entorpecimento e a apatia causadas pelas experiências traumáticas das festas natalícias fazem com que não reparemos no mais óbvio e, simultaneamente, no mais alarmante. Num estudo que realizei nos últimos dias, fui sacudido por um extraordinário resultado. Portugal terá engordado cerca de 19,5 mil toneladas (19,5 milhões de quilos). Assustador. Os dados já foram vistos, revistos, revirados e os resultados lá continuam inabaláveis e impiedosos. Estamos muito mais gordos.


Resumidamente, estas conclusões baseiam-se numa recolha sistemática de testemunhos: "estas festas engordei no mínimo 3 quilos". As contas são fáceis de fazer, exclui-se (talvez mal, mas exclui-se) o número de portugueses que vivem na pobreza, multiplica-se por 6,5 milhões e já está: 19,5 mil toneladas de gordura. Em menos de um mês, acumulamos em território nacional milhões de quilos de massa adiposa. Fala-se do avanço do nível das águas do mar, mas em poucas semanas Portugal ficou mais pequeno para todos os portugueses devido ao enfardamento típico do Natal.
As consequências são difíceis de inventariar. Os transportes públicos levam menos gente. Convinha que revissem aquelas informações relativas ao número limite de passageiros sentados e em pé. Onde antes cabiam dois, cabem agora 1,8 portugueses. Alguns ligeiros de cinco lugares passaram a ser ligeiros de 4,83 lugares.
Portugal já não é o mesmo na cama. Portugal é, agora, um amante mais lento, preguiçoso, acomodado e menos dado a loucuras. Portugal é um amante que prefere estar deitadinho, de costas, na expectativa.
Portugal é também um trabalhador menos produtivo. A fadiga e o cansaço são os convidados de honra do aumento de peso, pelo que a produção nacional deve ter caído desamparadamente.
Claro que alguns inteligentes cortam estas observações com a conclusão idiota de que estamos no inverno e precisamos desta gordurinha extra para nos protegermos do frio. Proteger-nos do frio? Onde? No nariz? Poderia ser uma verdade se não víssemos os portugueses enfiados em casacos de pele e impermeáveis de esquimós. Nesse raciocínio, os homens cobertos de pêlos, como o inesquecível Tony Ramos, têm maior probabilidade de se safarem no processo natural de selecção das espécies. Meus caros, os Tonys Ramos deste mundo, os praticantes de sumo e o típico homem português dos anos 80 perderam todas as vantagens competitivas com o desenvolvimento da indústria têxtil e a invenção do aquecimento central. É triste, mas temos de engolir e fazer a digestão da realidade. Hoje, um homem pode dar-se ao luxo de não ter um barriga assertiva, fazer depilação (senhores e senhoras, depilação), que não corre riscos de ser aniquilado no processo impiedoso da selecção natural.

01
Out08

O défice dos meus sonhos

JP

Já chegaram os números oficiais: os especialistas dizem que estou a 5 kg do meu peso normal, pelo que terei de arranjar meios de gastar 38500 calorias a mais do que as consumidas, para regressar ao peso de onde eu nunca deveria ter saído. A cada 7700 calorias queimadas lá se vai um 1kg de gordura.
Em linguagem comum, isto quer dizer que neste preciso momento levo comigo para todo o lado, em excesso de peso, a energia acumulada de 4 cabritos ou 10 quilos de vaca ou de porco ou 24 frangos. Ou seja, é o que tenho de perder no tapete do ginásio.
Tanta gente a pensar e a estudar neste mundo e ainda ninguém inventou um Kit portátil de lipoaspiração. Para irem à lua há dinheiro. No outro dia vi um documentário em que chegaram ao cúmulo de enviar um especialista dos Estados Unidos à fronteira da Rússia com a China, para tentar descobrir porque é que um tigre tinha atacado um homem (bastava terem-me mandado um e-mail). Para estas tretas há dinheiro, agora para melhorar a qualidade de vida das pessoas, não senhor.