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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

04
Abr18

A nanogastronomia do Chef Avillez

JP

Não é que seja uma crítica, é apenas a expressão de alguma angústia. A capacidade de concentrar qualidades e sabores de um cozido ou um leitão em quantidades cada vez mais reduzidas é particularmente assustadora. Estaremos já na fase da nanogastronomia, a dez anos de reunir todos os princípios activos de umas tripas numa única cápsula ou comprimido efervescente? Ou até em supositório que, como todos sabem, chega mais rapidamente ao sangue.

A redução dos gostos e aromas de um prato numa pequena amostra é sem dúvida extraordinário, mas não me é sedutora. Não se trata de uma espécie de destilação de sabores, um processo de separação da essência. Não, está a encurtar-se a narrativa degustativa. Para mim, é como ler o resumo de um livro, ou ouvir uma rapsódia da obra de um músico ou apenas as melhores frases do Fernando Pessoa..

Imaginem o tempo em que nos darão a experimentar uma vagina electroquímica, de bolso (talvez com uns óculos de realidade virtual e um comprimido), que concentra todos os prazeres de estar com uma mulher. Tudo bem, até é uma ideia interessante. Não foi o melhor exemplo, esqueçam este assunto, e foquemo-nos na comida.

Nota importante: o cozido que se segue ainda não sofreu qualquer redução interpretativa. Por questões relacionadas com direitos de autor, não apresentamos aqui a imagem do cozido ou do leitão do chef Avillez.

cozido.jpg

 

 

31
Out09

As 4 Maravilhas da Mealhada

Marco

Alguns incautos continuam praí a perguntar-se o motivo do país se dividir entre Porto e Lisboa. Se, na verdade, podemos dissertar horas a fio sobre as naturezas do Norte e da Mourama, eu por mim já concluí.


Lisboa apenas existe para permitir sem pudor a nossa deslocação "em trabalho" amiàde à Mealhada, injustificável que seria a hipótese de armarmos umas 5 romarias ao ano àquela localidade. Estou inclusivamente convicto, que mais de 85% dos peregrinos a Fátima o fazem com a mesma exclusiva motivação de passar na Mealhada, mas por contenção de custos arranjaram uma desculpa de apenas ir até ao Norte de Lisboa.

Ora, se a fama a antecede, a Mealhada assim o merece. É porventura como parar no estrangeiro por algumas horas. A iguaria do Leitão ofusca numa primeira vista outras que por lá são feitas de uma forma única. Que de tão diferentes parece efectivamente que saltamos uma qualquer fronteira.

Este fim de semana no regresso do Festival Histórico do Autódromo do Algarve, fiz uso de diversos anos de estudo de matemática para determinar a hora exacta de saída conjugada com a duração da viagem numa Ford Transit carregada de ferramenta e com um carro atrelado, de forma a puder dizer… “Está na hora de jantar, mais vale pararmos aqui!”

Sem saber, pedi tudo o que gosto… alem do Leitão, um belíssimo pedaço de Pão; uma garrafa gelada de Caves de Aliança Bruto Reserva Tinto e uma garrafa de Luso para a viagem.

Haverá mote melhor que Água, Pão, Vinho e Leitão? São as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada… Sem dúvida as melhores ideias são as que vêm do estrangeiro!

 
http://www.cm-mealhada.pt/4maravilhas/
 

by Tomé Coelho

07
Set09

O Leitão escarrapachado

Paulo

Já pensaram quantos locais existirão neste país que são fantásticos para se comer mas uma pessoa simplesmente não faz ideia? Quantos espaços gastronómicos maravilhosos desconhecemos porque, naturalmente, nunca foram referidos na comunicação social ou não fazem parte de roteiros? Locais onde nem sequer se esperaria comer, quanto mais fazer uma refeição memorável? Locais que só descobrimos um dia por mero acaso ou pela melhor forma de todas que é o boca-a-boca?
Este Verão, por recomendação de um membro do Chispes e Couratos, conheci um desses sítios, um dos tais em que só lá chegaria desta maneira, porque mesmo que, perdido e cheio de fome, passasse de modo improvável à sua frente nunca lá pararia já que, afinal de contas, não se trata de um restaurante nem sequer de uma tasca, mas apenas e só de um café.
O local em causa é o Café do Adro, em Carreço, Viana do Castelo. O que lá se pode comer também já é de si surpreendente, nada mais que um leitão escarrapachado! Isto é, um leitão assado totalmente aberto, em pose de frango de churrasco ou de codorniz à Santa Luzia, o que o torna muito mais saboroso e estaladiço que o assado de forma tradicional, como pudemos comprovar. Acho que nunca nenhum leitão me soube tão bem e o sentimento foi comum aos outros três elementos do grupo.
Devido a algumas desistências de penúltima e última hora, e como o banquete tem de ser encomendado previamente, nós quatro tivemos que nos haver com um leitãozinho inteiro, recebido à mesa com palavrões, tanto de surpresa e admiração como de receio, mas no final só faltou sermos aplaudidos de pé por funcionários e clientes pois conseguimos dar cabo dele sem problemas, só sobrou a cabeça, sempre com a preciosa ajuda de várias garrafas de um óptimo espumante tinto (refira-se que, também ao contrário do habitual, este leitão vem acompanhado de batatas assadas no forno, arroz e legumes).
É importante acrescentar que, antes do prato principal, degustamos deliciados um conjunto de entradas muito boas, camarão, caranguejo, mexilhão, amêijoa, bôla de queijo, entre outras, e mais entradas haveriam se fossemos um grupo maiorzinho. No fim, e estando nós já há mais de duas horas sempre a comer, ainda nos satisfizemos gulosamente com uma série de crepes acompanhados de gelado à discrição.
Conta paga, menor do que esperávamos, ainda se tem a praia ali à beira para ajudar à digestão…