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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

04
Mar09

Esposende com Sabores de Mar

Paulo

Num país como o nosso, em que a gastronomia é rainha e em que “comer” é a actividade preferida e o acto social mais desenvolvido, não podiam faltar os certames gastronómicos relacionados com tudo o que se possa meter à boca. Mas, uma componente que deveria estar mais desenvolvida e enraizada é, sem dúvida, a dos concursos gastronómicos. Toda a gente sabe que a competitividade e a rivalidade é que fazem as coisas andar para a frente. E a nossa gastronomia não perde nada em se inovar e reinventar, já que demos novos mundos ao mundo porquê não haveremos de dar novos pratos ao mundo? Aliás, faz parte da nossa tradição cozinhar, das mais diversas formas, tudo o que se mexa e que seja minimamente comestível (daí que da nossa gastronomia façam parte iguarias como lampreia, enguia, caracol, pés e focinho de porco…) e fazer combinações improváveis (porco com amêijoas, açordas, arroz com sangue…).
E se muitas vezes as cozinheiras e os cozinheiros apenas dão um nome mais pomposo ou apresentam uma roupagem diferente a um prato que na sua essência é apenas mais do mesmo, não faltam, felizmente, cada vez mais exemplos de experiências bem sucedidas na transformação de sabores e na adição de novos elementos a velhos pratos tornando-os em algo, senão melhor, pelo menos diferente. E todas as inovações e reinvenções são de louvar, se é verdade que a nossa gastronomia já possui 1001 pratos não nos importamos nada que passem a ser 1101!polvo com grelos
Em Esposende, realiza-se, por esta altura, a sétima edição do Concurso Gastronómico da iniciativa “Março com Sabores do Mar”. A concurso estão pratos tão sugestivos e inovadores como “Saltarico do Atlântico c/ Bolinhas de Algas”, “Caçarola do Pescador c/ Peixe Galo Estaladiço”, “Robalo do Mar Escalado, no Forno c/ Batata a Murro e Grelos Salteados”, “Mil Folhas de Peixe em Cama de Grelos e Molho de Tomate”, “Linguado à Menier”, “Rajes de Polvo” e outros com nomes menos sugestivos mas certamente não menos originais e inovadores como “Filetes de Tamboril com Arroz de Grelos”, “Pescada à Gabriela”, “Bacalhau D. Sebastião III”, “Bacalhau dos Reis”, “Açorda de Bacalhau”, “Bacalhau ao Cubo”, “Bacalhau à Rosinha”, “Arroz de Santola” e “Arroz de Robalo”.
Não me digam que não ficaram com vontade de dar um saltinho à bela cidade costeira de Esposende para saber o que é o “Saltarico do Atlântico” e que raio são “Rajes de Polvo” ou para provar um “Linguado à Menier”?
Todas as informações que necessitam, incluindo restaurantes e preços, aqui.

29
Jan09

7 de Fevereiro: 1ª mega mobilização geral de comedores

JP

2009 marca a implementação das missões gastronómicas aos sábados.
No primeiro sábado de cada mês iremos realizar orgias gastronómicas em restaurantes a seleccionar criteriosamente por esse Portugal Imenso. A definição de cada Sábado obedece a uma lógica simples. Considera-se primeiro Sábado de cada mês todo aquele dia que, de acordo com a numeração de representação dos dias da semana, segundo a Organização Internacional para Padronização (ISO), pela norma ISO 8601, se constitua como o dia semanal correspondente ao número seis que se apresenta como a primeira ocorrência desse valor após o início de cada mês, conforme o calendário gregoriano. A cada ocorrência de 6 será atribuído o valor de 1, pelo que o adiamento de um almoço da primeira ocorrência para outra terá de ser identificada pela soma de valores 1 obtidos por cada ocorrência de 6. Quer isto dizer, que se adiarmos um almoço do primeiro sábado para 15 dias depois, teremos de informar todos os interessados da próxima data do almoço pela soma de 1 (correspondente à primeira ocorrência de 6, que entretanto foi adiado) + 1 (segunda ocorrência) + 1 (terceira ocorrência), que nos daria o 3º sábado do referido mês.
Caso o adiamento exija a soma de valores de 1 cujo resultado obtido seja superior ao número de ocorrências de 6 no referido mês, considera-se a soma de valores de 1 que iguale as ocorrências de 6 nesse mês igual a zero, pelo que a ocorrência seguinte passa a considerar-se como o primeiro valor de 1 do novo mês.
Qualquer dúvida, deverá ser remetida para João Teixeira, responsável pela concepção deste sistema de cálculo e validação de sábados gastronómicos.

Deve-se destacar que o convite é efectuado a todos os interessados pelo que, segundo o regulamento interno dos Sábados Gastronómicos (ainda em fase de validação), é extensível a todos os indivíduos maiores de idade, na posse de boa parte (pelo menos a essencial para comer com autonomia) das suas aptidões mentais e faculdades locomotoras, independentemente da sua religião, orientação ou género sexual e actividade profissional, desde que não ponham em causa o disposto em outros artigos já escritos ou por escrever, mas que poderão nunca vir a ser escritos se não surgir problemas ou podem ser escritos já daqui a pouco se começarem a levantar demasiados problemas. Lembro que este regulamento prevê que o responsável escreva qualquer artigo sempre que verifique que ainda não está escrito e considere que o melhor é escrevê-lo para resolver qualquer diferendo.

14
Jan09

A Cozinha da "Casa Branca"

Paulo

cozinha casa branca

A grande cozinha da "Casa Branca" já serviu refeições a inúmeras personalidades da vida política mundial e de outros quadrantes sociais, mas aposto como nunca por lá terão sido preparadas iguarias do nível de um cozido à portuguesa, de uns rojões à moda do Minho, de umas papas de sarrabulho, de uma açorda de marisco ou de uma caldeirada de peixe.

Certamente uma cozinha no centro do mundo político, mas na periferia do mundo gastronómico!

11
Jan09

Pirâmide Alimentar do Chispes

Paulo

A pirâmide alimentar proposta para o ano alimentar de 2009 mereceu uma reflexão profunda e extensa no sítio Canibais e Reis. O autor, que assina como "O Primitivo", acredita que, com apenas alguns melhoramentos, poderemos estar perante a referência nacional das pirâmides alimentares. Trata-se da análise científica que faltava a uma das propostas fundamentais do Chispes e Couratos para ser, finalmente, encarada seriamente pelas entidades competentes.
Poderia ser profícua a criação de uma parceria com o Canibais e Reis para aperfeiçoamento desta pirâmide de alimentos e, já agora, para a análise de outras questões fundamentais da gastronomia (extensível a todos quantos queiram contribuir para um debate sobre estas matérias).
Não podíamos ainda deixar de agradecer o apoio manifestado pelo autor do texto no sentido de haver financiamento estatal ou patrocínio de privados às pesquisas por nós efectuadas, também é nossa opinião que estamos a trabalhar em prol do povo português e da gastronomia tradicional portuguesa.

De leitura obrigatória: "Chispes e Couratos propõe-nos pirâmide alimentar hiperproteica e cetogénica, em alternativa à pirâmide oficial" (www.canibaisereis.com)

10
Jan09

Neve em Braga: Direito de Resposta

Paulo

A memorável manhã de 9 de Janeiro de 2009, em que Braga se viu inesperadamente coberta de neve, assim como todo o Norte de Portugal, fez sorrir a criança que ainda existe em mim. Porém, o facto de ainda possuir esse espírito de criança, não significa que não me tenha tornado adulto gastronomicamente há já muitos anos. Ao contrário do JP, eu acho que uma faceta não exclui necessariamente a outra, mesmo do ponto de vista gastronómico todos nós mantemos sempre uma criança dentro de nós, por isso é que continuamos sempre a gostar de batatas fritas ou dizemos que a sopa da nossa mãezinha é sempre a melhor de todas.

Assim, é possível ficar maravilhado com a neve e sair entusiasmado para a rua e simultaneamente pensar como seria bom a seguir ir para a lareira e comer presunto acompanhado de vinho tinto; fazer bonecos de neve e ver que o resultado final se assemelha a um leitãozinho e que até o estalar da neve nas nossas mãos ou debaixo dos nossos pés nos traz à memória o estalar da pele crocante desse fantástico manjar; tirar fotos do momento histórico para mais tarde partilhá-las com amigos à volta de um delicioso bacalhau com broa e de umas garrafas de Crasto Branco e Quinta da Trapa Roriz Tinto do Douro.

15
Dez08

Dignidade aos intestinos

JP

Viver para os prazeres gastronómicos exige uma atenção permanente à máquina corporal. Não podemos ir a uma tainada com os amigos e ser surpreendidos com uma qualquer disfunção que nos obrigue a ficar na berma da mesa à espera do reboque. Comparável à relação que um piloto estabelece com o seu carro. Uma revisão antes de uma prova exigente é o mínimo que todos devemos implementar como forma de respeitar a nossa segurança e dos nossos companheiros. Medir as tensões, verificar se o estômago está funcional, se os intestinos cumpriram o seu papel, mínimo de horas de sono, despiste de sintomas gripais, acuidade visual e auditiva, salvaguardar o apuro das papilas gustativas (evitando, nos dias anteriores, ingerir alimentos muito quentes), equilíbrio emocional, afinação da garganta, nível de líquidos ou teste de esforço, é o básico que qualquer apreciador de comida experiente garante antes de um encontro.

Todos reconhecem a importância de uma diarreia regular para o bom funcionamento da nossa máquina corporal. Os intestinos cumprem um papel tantas vezes ingrato e pouco valorizado ao longo dos séculos para a eficiência gastronómica do nosso corpo. Aos intestinos cabe o triste e pouco invejável papel de sacar os restos do que ainda houver a sacar dos restos que o corpo não quer. E tratar de abrir espaço para novos prazeres.

Essencialmente, um apreciador de boa comida respeita profundamente os seus intestinos, compreende a necessidade de estabelecer com eles uma relação de confiança, uma parceria e um bom entendimento, semelhante à de um extremo com um ponta de lança. Nem sempre é preciso levantar os olhos da relva para centrar, porque sabe que a bola vai encontrar a cabeça do número nove.

Nesta bonita relação entre o bom comedor e os seus intestinos, o que menos se deseja é um mal-entendido, compreendendo a urgência de limpeza do corpo porque logo à noite há mais uma bacalhoada.

Os intestinos restabelecem o equilíbrio natural para mais um encontro gastronómico, desimpede-nos de compromissos e coloca-nos novamente livres e desejosos de mais prazeres. Pense-se nos constrangimentos de um homem casado, incapaz de encontrar disposição e oportunidades para novos convívios. Se, de algum modo, os intestinos assumirem um compromisso duradouro e sagrado com alguns alimentos, lá se vai grande parte das nossas aventuras. É porque os meus intestinos felizmente não são muito fiéis nas suas relações, que diariamente troco de parceiro entre os mais diversos pratos da gastronomia nacional e até internacional.

No meu ponto de vista, quem gosta de comer, gosta de cagar. É um fim de ciclo, é a entrega do trabalho, completo, encadernado, revisto e sem qualquer erro; é a prova de que tudo foi consumado; é o acompanhamento até ao final do circuito alimentar; é um controlo de qualidade; é o prolongamento de todo o prazer de degustação. O bom comedor sabe que o processo de degustação é bem mais abrangente do que aquela breve caminhada do prato até ao estômago. A degustação inclui o resto do percurso, todo o passeio dos alimentos até ao cú.

Como podemos dizer que aquele frango estava delicioso, só foi pena ter-me provocado azia? ou adorei a sobremesa, mas fiquei com dores de barriga toda a noite, que me transformou num liquidificador? O bom comedor sabe que não se pode precipitar em dar notas à sua refeição. "OK, até ver adorei as papas, mas amanhã ou depois ligo a dizer a minha opinião final". Só pode afirmar "aquela vitela merece nota cinco" no momento em que se levanta da sanita e observa gloriosamente o fim de toda a degustação. Na avaliação que os críticos apresentam dos restaurantes devia haver comentários para todo este processo de digestão: macio, suave, intenso, turbulento, aromatizado,etc.

Obviamente que os intestinos foram excluídos do percurso degustativo por mero preconceito. Mas vivemos no século XXI e urge combater a última barreira da indiferença e discriminação: os intestinos.

Se há um campo da acção humana que tem estado na vanguarda na luta pela igualdade de oportunidades, que tem pisado os terrenos da experimentação para vencer a intolerância, que tem ultrapassado sempre a próxima barreira da desconfiança, é a gastronomia. Na gastronomia já se compreendeu que nem tudo que cheira mal sabe mal; na gastronomia todos têm uma oportunidade, veja-se o exemplo dos caracóis e dos chinos (para falar só em Portugal); na gastronomia ninguém é discriminado pela beleza, que o diga a lampreia; os mais velozes, os mais lentos, os mais fortes, os mais lingrinhas, os mais divertidos, os mais casmurros, os mais solitários, os mais sociáveis todos poderão ter as mesmas oportunidades na panela. Sim, ainda há muito a fazer, mas em breve falarei sobre este tema noutro texto. A gastronomia fez mais pela igualdade entre os seres vivos, pela harmonia universal entre as espécies e pelo combate ao preconceito do que qualquer ONU ou Fórum Internacional. Para quando um prémio Nobel da paz atribuído a um cozinheiro?

Mas voltemos aos intestinos, senhores. Sim, temos de regressar aos intestinos, integrá-los na gastronomia. Ninguém pode ser tão inocente que não perceba que manter a comida longe do cú, significa mantê-la longe da boca.

08
Dez08

O Mestre está de volta!

JP

O livro chama-se "Em Portugal não se come mal", obrigatório para quem inclui na sua dieta o humor, para quem aprecia a boa gastronomia e gosta de saborear boa prosa. O MEC é o mestre de todos aqueles que sempre sonharam ser cronistas. Infelizmente isso não está ao alcance de quem, como eu, exagerou na ingestão dos textos de Miguel Esteves Cardoso. A escrita ficou demasiado condicionada.

Já li! Acompanhado de um bom wiskie. OK, dois bons wiskies (duas garrafas bem diferentes)

Grande capa!

18
Nov08

Eu confesso, usei doping!

Paulo

Eu confesso! Na maratona gastronómica da “matança do Miranda” eu dopei-me, recorri ao uso de pastilhas digestivas Rennie para mais conseguir comer. Sinto que não devo ter vergonha de o admitir, a situação pedia que eu não falhasse, humilhante seria não conseguir comer nada de jeito, se fraquejasse a meio. Se chegasse a um ponto em que apenas assistisse, sem participar, ao vaivém das travessas, se fosse um mero espectador. Aquela era das tais situações em que não podemos olhar a meios para atingir os fins. Ali pedia-se que comesse e muito. Pelas mesas passaram iguarias em quantidade considerável, como já foi descrito aqui no blog, que pura e simplesmente não poderiam regressar à cozinha sem luta.
Eu acho que o doping só é lamentável quando usado em situações que não o justifiquem. Se eu usasse Rennie a seguir a uma refeição num restaurante de diárias mereceria, sem dúvida, toda a censura deste mundo. Seria como se um atleta se dopasse num jogo de futebol da Liga Intercalar, numa prova de atletismo de “São Silvestre”, na Volta em bicicleta a Panóias. Nada o justificaria. Mas se falarmos na final da Liga dos Campeões, na final dos 100 metros dos Jogos Olímpicos ou na Volta a França não devemos criticar o doping porque estamos a falar de momentos altos, em que se deve dar o tudo ou nada, em que não se deve falhar, em que se deve ser ovacionado em pé e sair em ombros. Se, depois, detectarem a substância ilegal, nem toda a gente terá conhecimento disso e alguns anos depois ninguém se lembrará.
Assim, também eu preferi sair em ombros de Morgade, ser ovacionado em pé pelo próprio Miranda, ser olhado com admiração por todos os que muito me viram comer e pensavam onde raio conseguia eu meter tudo em corpo tão modesto. É essa a memória que eu quero que as pessoas tenham de mim, aquele sujeito que tudo provou, aquele sujeito que de tudo se serviu segunda vez, aquele sujeito que apenas se levantava da mesa quando tudo tinha sido recolhido.
E, já agora, acreditem que as Rennie resultam. Pelo menos, resultaram comigo das duas únicas vezes que as utilizei, sendo que a primeira foi já no distante ano de 1998 numa ida ao Tromba Rija, instituição gastronómica de culto em que só recorrendo ao doping se consegue desfrutar de tudo quanto nos é servido, daquele nunca mais acabar de petiscos (quem já lá foi sabe do que eu estou a falar).

P.S. - E já que falo em doping, não esquecer o já famoso truque da aspirina tomada antes de ir para a cama, para melhor dormir e ainda melhor acordar, depois de uma grande “patuscada”. Mas o caso da aspirina é diferente da pastilha digestiva, é mais como usar a pílula do dia seguinte como método contraceptivo!...