Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

10
Out08

A crise do colesterol

Paulo

Os mais recentes dados da Organização Mundial da Saúde, divulgados por uma sua subsidiária – mais concretamente um Laboratório de Análises Clínicas da cidade de Braga –, sobre a minha pessoa são preocupantes. Contrariando a tendência geral destes últimos tempos – descidas dos índices bolsistas, do valor das acções, do preço do barril do petróleo, das taxas de juro, do Sporting na classificação da Liga de futebol, do saldo da minha conta bancária – o meu colesterol está em alta.

Não vale a pena perder tempo a encontrar culpados para esta crise (embora o Bush, o Sócrates e o Cavaco tenham sempre uma quota de responsabilidade), mas é uma verdade insofismável que a comida que melhor nos sabe é sempre aquela que mais mal nos faz. Porque raio é que o colesterol e os triglicerídios sobem com a carne, o marisco e o vinho em vez de serem afectados pela beringela, pela pescada cozida ou pelo tofu? Passava bem sem qualquer um destes!

Não preciso esperar pela opinião da minha consultora para a saúde (vulgo, médica de família) para saber que são necessárias uma série de medidas, algumas delas drásticas, para corrigir os valores do colesterol, que não se desejam altos por razões de saúde. O problema é que essas medidas são duras porque implicam o corte total ou parcial em sectores fundamentais como os da posta à barrosã, do bacalhau à Braga, da carne de porco à alentejana, do camarão, do vinho ou dos chispes e couratos. Já nem preciso de falar no que isso pode influir na estabilidade gastronómica nacional (que o JP já referiu encontrar-se em risco por razões de ordem económica). Fico-me pelas óbvias repercussões que estas medidas terão no meu bem-estar mental e na produtividade, com naturais reflexos sociais e económicos.

E aqui põe-se a questão fundamental: o que é mais importante preservar? O bem-estar físico ou o bem-estar mental? Deve dar-se prioridade à saúde ou ao prazer de comer? As opiniões dividem-se, uns defendem que a saúde é essencial para se viver, outros que não vale a pena viver se não se pode desfrutar do prazer da gastronomia e do álcool.

A minha escolha vai, sem hesitações, para a comida, mas a minha consultora para a saúde defenderá seguramente a outra opção. Espero que consigamos chegar a um acordo que agrade às duas partes…