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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

15
Nov17

Um "bacalhão" em Chaves

JP

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Se fazes parte do grupo de cidadãos preocupado com a extinção do bacalhau assado e acreditas que é preciso proteger o consumo desregulamentado dos cardumes do Vítor ou da Taberna do Afonso, ficas a saber que acabamos de descobrir mais um banco de bacalhau: Restaurante Ganda Gula, em Chaves.

À chegada, não há como não estranhar a localização: um pavilhão no parque empresarial do Outeiro. Certo que se trata de Chaves e todos sabemos que o povo da fronteira tem, digamos, ligeiras especificidades cromossomáticas. Certo que os pavilhões dos parques empresariais do interior não são propriamente as trufas do imobiliário nacional. Mas com esta estratégia vamos ter pavilhões para a Fatinha cabeleireira ou para o Jorge Sapateiro.

Pronto, somos reaccionários, crescemos habituados a ver nos parques empresariais os restaurantes de diárias ou os rodízios.

Em Chaves, o Ganda Gula parece ser já popular, principalmente no mundo da bola. E justificadamente. O jogador de bola tem quatro horinhas de treino diário e o resto do dia para fazer as maluqueiras típicas dos jogadores, como conhecer restaurantes em parques empresariais. É um horário semanal de trabalho que provoca arritmias e desperta uma vontade irreprimível de sair para a rua e partir tudo em qualquer dirigente do sindicato de trabalhadores da função pública. 

E o bacalhau do Ganda Gula é uma experiência marcante.

À entrada, perca algum tempo a admirar o engenho do forno. O bacalhau é assado ao calor das brasas mas nunca é exposto ao fumo. Uma boa ideia, sem dúvida, mas há que evitar obsessões com o fumo, ou ainda vamos levar com proibições de fumeiro e a chegada das chouriças electrónicas.

Confesso que estava desejoso de comer o bacalhau e pouco interessado na solução de engenharia. Mas esse é o carma de muitos que trabalham para melhorar a nosso dia-a-dia. Vamos guardar agora um minuto de silêncio em homenagem a todos aqueles que trabalham para criar sanitas cada vez mais fiáveis e funcionais. (silêncio)

Já no interior, notou-se um intenso esforço para exterminar a impessoalidade do espaço. Todavia, não esquecemos o famoso ditado "podes sair do pavilhão, só não tiras o pavilhão que há dentro de ti". Mas não ficou mal, não senhor.

O bacalhau estava excelente. Uma peça enorme, para a qual ainda não temos designação. “Bacalhão” talvez se adeque. O dono preparou o prato à nossa frente, salteando pedaços mais salgados com os mais demolhados. Uma preparação antifascista que não agrada àqueles que acham que têm direitos naturais ou adquiridos às partes altas do peixe. Bom azeite, cebola e muito alho.

Apenas dispensariamos o pimento.

Para acompanhar o prato, os seis convivas optaram por 35 garrafas de vinho branco do Douro. Houve alguma indecisão no início, mas hoje podemos afirmar que 35 garrafas de vinho combinam bem com o bacalhau.

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21
Dez09

Felizes Festas do Bacalhau

JP

Os períodos festivos e este aguaceiro de mensagens de felicidade e paz não conseguem aliviar a sensação de que o mundo está caa vez pior. Guerras e terrorismo nos confins do planeta, que nos impedem de fazer turismo em tantos paraísos da Terra; aquecimento global que está a ameaçar bacalhaus, castas de vinhos e a sobrevivência dos nossos melhores enchidos; crise económica que se propõe criar milhões de desempregados e, por arrasto, transformar em classe favorecida, fascistas e exploradores, os frequentadores assíduos de restaurantes e aqueles que, como eu, convertem os euros em vinhos e comida. São as esquizofrenias da actualidade. Estouras o teu dinheiro, e o dos outros, para te encharcares com drogas, paciência, és uma vítima. Gastas os euros em prazeres gastronómicos, és um cabrão, um esbanjador insensível com tanta gente que passa fome neste mundo. Um dia destes teremos de trazer as garrafas de bom vinho em caixas de Porta da Ravessa, para não parecer mal.
Por isso, não devemos esquecer os valores que sustentam a festa do dia 24 de Dezembro e preservá-los para os nossos filhos ou para os filhos dos outros, como é o meu caso. Mesmo que os filhos dos outros me chateiem bastante nos restaurantes (devo confessar, que às vezes até me apetece deixar o meu carro a diesel a trabalhar toda a noite para ver se acelero o aquecimento global. Mas no fim de contas, o gasóleo está caro).
A noite de 24 para 25 representa o que de melhor temos nas sociedades humanas: a paixão pela comida e a total entrega, sem preconceitos, aos prazeres gastronómicos. O pai, a mãe, os filhos, os avós, os tios, os sobrinhos, os sogros, os cunhados, os enteados, os afilhados, todos reunidos numa incansável orgia gastronómica. Na noite de 24 de Dezembro não existem tabus.

Nesta noite esquecem-se planos de dietas, evitam-se olhares acusadores para as panças alheias, abafam-se as bocas «não achas que estás a exagerar?» e bebe-se desalmadamente com a aprovação de toda a instituição familiar, da avó até ao primo em 2º grau, passando pelo irmão do sogro. Uma única noite em que ninguém te diz: "olha para as figuras que estás a fazer à frente de toda a família".
O dia 25 é o único em que nos podemos arrastar absolutamente ressacados, após várias idas à casa de banho, com os olhos remelosos e encharcados, e ser recebido na sala com sorrisos e abraços por toda a família. "És grande, és digno do teu sobrenome". E ainda ouvimos: "vocês são muito fraquinhos, quando tinha a vossa idade, só me deitava no dia 1".

O Natal é tão bom. Agora imaginem tudo isto, mas sem a família. Só num mundo perfeito.

Nestes períodos devemos lembrar-nos dos mais necessitados.  Na noite de 24 de Dezembro, já sentado à mesa, o meu pensamento vai para todos os portugueses que continuam sem provar um bacalhau de qualidade, comendo espécimes de segunda e terceira categoria, com manchas e fissuras, com azeites que mais parecem óleo e sem produtos dignos desta data. Penso em todos eles, é certo, mas a vida é mesmo assim e seria uma falta de respeito não apreciar a dádiva que o destino nos concedeu. E eu farto-me de apreciar.

Acredito que o Natal devia ser, não todos os dias, pelo menos todas as sextas-feiras. Com um bom grupo de amigos. Aos sábados, para quem não pode à sexta.  Mas este é o mundo que temos.
Desejo a todos um bom bacalhau e um excelente vinho a acompanhar.

10
Nov09

"Os portugueses e o peixe: só pode ser uma história de amor"

JP

Este título fez-me inveja. É digno dos Chispes.

Via "A Origem das Espécies". Já aqui reflectimos sobre as especificidades da relação dos portugueses com a sua gastronomia e da incompreensão de algumas instituições internacionais. Principalmente, a questão do bacalhau.

Aqui estão números que me fazem sentir orgulho em ser português: 60 quilos de consumo de peixe per capita por ano. Há países nórdicos que não passam de uns arrepiantes 9 quilos. E com tanto bacalhau naqueles mares.

Eles que continuem a ganhar os festivais da canção.

 

09
Fev09

O pior pesadelo de um Chispesiano

Marco

Esta história da crise afecta tudo e todos! Um indivíduo até pode pensar que só chega aos outros mas mais tarde ou mais cedo ela chega como um rato a esgueirar-se por entre as frinchas de uma parede rachada e entra pela nossa casa dentro!

Certo que à actividade comedorística só chega a crise quando nós deixarmos, o mesmo não se pode dizer de cada um de nós e neste caso o desgraçado fui mesmo eu. Fui assolado pelo pior pesadelo que um confrade de primeira estirpe pode ter… problemas nos dentes!

Este sábado que passou, levantamo-nos todos cedo, metemo-nos no melhor carro que podia transportar o homem e lá rumamos em direcção a Celorico de Basto mais propriamente para Barrega com o objectivo de visitar a Quinta da Fontinha onde fomos muito bem recebidos. Depois da matraquilhada do costume onde mais uma vez a equipa habitual se sagrou campeã intergaláctica, demos lugar às entradinhas que faziam adivinhar um repasto generoso. Chouriça com grelos, Feijoada, polvo, presunto, chouriço, estava tudo de maravilha e serviu para amansar o espírito e abrir o apetite para o fantástico bacalhau, a posta excelente, tudo isto acompanhado com umas batatas a murro deliciosas… fantásticas mesmo! No final, e porque tínhamos ido em missão de trabalho, mandou-se vir umas perninhas de polvo para encerrar o repasto sempre regado com o verde da casa que escorregava demasiado bem. As gulodices variaram entre Bolo de Bolacha, Mexidos, Molotov ou Romeu e Julieta!

Se para alguns foi uma refeição em pleno, confesso que para mim e devido ao meu handicap, tive que optar pelo bacalhau por ser melhor “mastigável”, sendo que não me escusei a provar um pedaço da bela carne que foi servida. Dei comigo a pensar que para quem gosta de comer, os dentes são uma ferramenta essencial… e como ando a fazer algumas correcções à cremalheira prevejo tempos difíceis e de grande crise… temos todos que aguentar!

É como vos digo… a crise toca a todos!

20
Dez08

“Alerta Bacalhau” já produz efeitos

Paulo

O alerta aqui lançado pelo JP acerca do bacalhau e do seu consumo exagerado por parte de outros povos já começou a produzir efeitos.
Apesar de ainda não se ter conseguido obrigar a restrições no consumo de bacalhau noutros países, de forma a assegurar a preservação da espécie, pelo menos foi garantido que os portugueses vão poder continuar a comê-lo à vontade. Isto porque a União Europeia decidiu aumentar consideravelmente as quotas para pesca do “fiel amigo”, em 2009, no Mar do Norte. Um aumento na ordem dos 30% que visa, essencialmente, garantir que no próximo ano não faltará bacalhau à nossa mesa.
É bom ver que nem tudo cai em saco roto. Que ainda vale a pena defender causas e alertar consciências!

03
Dez08

Alerta Bacalhau!

JP

Portugal é o maior consumidor de bacalhau seco do mundo: representa uma ingestão per capita de seis quilos por ano. De certeza que alguém ficou a arder em 3 quilos porque eu nunca fico abaixo dos 9 quilos. Todos sabemos que estes cálculos per capita são injustos, mas uma vez calha a uns, outra vez calha a outros. Por exemplo, o consumo anual de vinho dá para cada português 16 litros. Claro que eu confesso que ando a beber os meus e os de, pelos menos, mais 10 portugueses (um direito que me assiste, uma vez que tenho vários familiares que não bebem álcool e tomei a liberdade de ficar com os litros deles). Contudo, devia-me calhar, nas contas per capita, pelo menos um copito de Barca Velha ou Pêra Manca e alguém os anda a emborcar por mim. Se formos por aí, então isto nunca mais acaba.


Mas os números que me trazem aqui são outros. Portugal consome anualmente 70 mil toneladas de bacalhau seco. O Brasil já vai perto das 30 mil toneladas, um número que começa a assustar tanto mais que em 2000 rondava as 11 mil.
Mas o que me chocou foi quando descobri que afinal são pescados anualmente cerca de 500 mil toneladas de bacalhau em todo o mundo. Para onde está a ir este bacalhau todo? Eu sempre pensei que os portugueses fossem os grandes consumidores, que o Bacalhau representasse a nossa maior conquista, o nosso grande segredo, a essência da Alma Portuguesa. Mas não, afinal há mais pessoal a malhar-lhe e nós a vivermos na ideia inocente de que o Bacalhau era só nosso. O tanas.
Na verdade, o nosso consumo de 70 mil toneladas era ambientalmente sustentável, era um consumo mais do que amigo do Planeta (era como pescar um bacalhausinho de cada família, os parentes nem davam pela falta), não houvesse outros povos a meterem o bedelho nos alimentos dos outros.
O que me assusta é esta irresponsabilidade de alguns portugueses que andam por esse mundo fora a espalhar que os outros não sabem comer, que o bacalhau é maravilhoso e que pode ser preparado de mil formas diferentes. Claro que a coisa começa a espalhar-se e os outros metem-se a experimentar.
Defendo que os cidadãos portugueses ou de dupla nacionalidade (como emigrantes) que andem a lesar o nosso bem comum devem ser responsabilizados criminalmente. Estou farto de ouvir: “preparei um bacalhau para os meus amigos franceses, que nem sabiam o que era Bacalhau, e eles ficaram deliciados, até me pediram a receita”. Nabos. Um dia destes vemos o nosso bacalhau à “Gomes Sá” conhecido em França como o “La morue à la Gaston "Raymond Poincaré".
Fomos nós que tivemos a ideia de integrar nos hábitos alimentares o Bacalhau. Espero que o nosso governo faça valer isso quando a pressão das pescas obrigar a impor fortes restrições no consumo.
Os primeiros a cortarem deviam ser franceses, ingleses, húngaros, polacos, tchetchenos, sérvios, romenos, iranianos, etc, que nem vão dar por ela. Se cortarem 1% aqui, 0,5 % acolá, no final deve dar umas valentes toneladas de bacalhau que fica nos mares a procriar.

25
Nov08

Manifesto pela Imigração!

JP

Chegou a altura dos nossos governos começarem a perceber que é necessário criar condições para tornar o nosso país mais atractivo a espécies estrangeiras, potenciando a sua livre entrada no nosso espaço. Não podemos continuar a depender do bacalhau e atum estrangeiro, temos de lhes abrir as fronteiras do nosso mar. Chegou o momento de fazer campanhas e investimentos para seduzir as mais interessantes espécies a estabelecerem-se por cá. Sublinho, coloco a bold e entre aspas: "as mais interessantes".
Os portugueses são um povo hospitaleiro e que graças à sua vocação de emigrante saberá receber de braços abertos populações inteiras de atum, de bacalhau ou de salmão do Alasca.
É uma verdade que não será fácil para os estrangeiros deixarem a sua pátria e sentirem-se em casa nos nossos mares, mas cabe-nos a tarefa de potenciar a sua integração plena.
Não bastará atrair os bacalhaus, é necessário prevenir possíveis conflitos com as espécies autóctones, que se poderão sentir ameaçadas, como carapau ou a faneca. Mas acredito que poderá constituir um desafio para que estas espécies retomem a evolução do ponto onde pararam há alguns anitos, talvez por comodismo. A faneca, por exemplo, necessita de perder pelo menos 50% das espinhas. Como já tenho vindo a acusar, a ciência nunca está onde mais precisamos dela. Ainda não se viu um único investigador a afirmar que ía pegar no caso das fanecas ou, por exemplo, a manipular genéticamente o aumento do número de pernas da lula, que  nunca serão de mais.
O nosso mar não é propriamente quente e parece-me, pelo menos pelas minhas duas tentativas de tomar banho neste Verão em Esposende, que a tendência não é a de começar a ferver. Por isso, a temperatura não será o problema. Além disso, estive a analisar as correntes do golfo, que passam pela nossa costa ocidental e, nem a brincar... embora venham do golfo do México dão um saltinho ao Atlântico Norte.
Que eu saiba, a lei internacional pode proibir a pesca de algumas espécies e até estabelecer cotas, mas é omissa no que diz respeito a raptos ou "estímulos ao exílio de grandes populações de peixes". Quando as instituições internacionais acordarem, já será tarde de mais.
Ninguém contesta que os Estados Unidos seduzam os melhores cérebros dos países pobres ou em vias de desenvolvimento. OK, eles que levem engenheiros civis, CEO's, psiquiatras ou políticos, e nós trazemos bacalhaus, atuns, salmões ou mariscos.

07
Out08

Estabilidade gastronómica nacional

JP

Acordei com a chuva a despenhar-se na janela e as notícias de mais uma queda nas bolsas. Crise e chuva são uma combinação agridoce. Resulta. Apetece ficar na cama. Umas torradas de pão saloio besuntadas com mel e manteiga. Um café, um sumo de laranja natural e mais um pouco de pão com uma fatia de fiambre e queijo amanteigado.

Mas a crise deixa-me inquieto. Penso nos trocos que fui depositando no banco, por onde raio andarão eles? Devia ser possível acompanhá-los por GPS.

Para afrouxar os mais impetuosos, o governo já veio garantir os depósitos bancários. Mas no meio deste espectáculo todo, ainda não ouvi uma única palavra sobre outras garantias fundamentais. Não há coragem política, da direita à esquerda, para tornar público que ninguém nos assegura, se a crise se agudizar, a estabilidade gastronómica nacional.

Perante uma implosão económica, o bacalhau com broa constitui um case-study. O combustível ficaria demasiado caro para ir buscar o bacalhau, falta de crédito para investir e cereais ao preço do ouro a extorquir-nos a broa e o azeite. O bacalhau com broa simplesmente desapareceria.

Não sejamos inocentes, o impacto gastronómico da administração bushiana e da multidão de vermes do sistema financeiro é ainda difícil de calcular. Todos andam preocupados com as contas bancárias e com as casas, mas será à mesa que se farão sentir as consequências mais dramáticas. O aumento de preço dos cereais terá como primeiras baixas a açorda e as migas e só depois as torradas e as baguetes, com impactos catastróficos nos pratos de coentradas com pãosinho frito. Nos próximos meses poderemos assistir ainda à destruição do habitat natural do marisco e da lampreia, que terão de aprender a sobreviver nas panelas sem o arroz.

E recuso-me a reflectir sobre o azeite?

Quero ouvir o nosso governo a assumir publicamente que garantirá as necessidades diárias de bacalhau assado no forno ou de cebolada, do polvo cozido e panado, isto para não atafulhar parágrafos de outros exemplos dramáticos.

Estamos a viver tempos incertos. Provavelmente, o mundo tal como o conheciamos terá acabado. Mas há que acreditar no engenho humano. Foram tempos difíceis e de escassez que nos deram as tripas à moda do Porto; foi a fome que nos levou a tirar as batatas aos porcos para as comermos nós e veja-se com que resultados. Não podemos esmorecer, esta nova Era certamente que nos reserva mais e entusiasmantes propostas gastrómicas. Mal posso esperar.