Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

12
Set09

Churrasqueira Minhota (Amares)

Paulo

Já neste blog se escreveu que há restaurantes que têm nomes que dizem logo ao que vamos e outros que têm nomes mais enganadores. O restaurante a que me levaram em Amares, a Churrasqueira Minhota, é um desses casos em que o nome nos faz criar uma imagem que não corresponde à realidade. Assim, lá fui eu a pensar num espaço simples, povoado de frangos de churrasco, com mesas cobertas de toalhas de papel sarapintadas de molho e vinho tinto e perfumado com o cheiro de óleo frito.
Quando cheguei, estranhei desde logo estar perante uma moradia. Ao ser encaminhado pela lateral da casa não evitei pensar que estava a invadir propriedade privada. Apercebi-me, porém, que o restaurante ficava nas traseiras da habitação (vim a saber que é assim no Verão e que no Inverno funciona na cave) e quando entrei fiquei extraordinariamente surpreendido pela positiva, vi que tinha ido ao engano e que estava num local nos antípodas de uma típica churrasqueira. O espaço mereceu imediatamente nota máxima, afinal de contas deparei-me com mesas dispostas ao redor de uma pequena piscina abrigadas por um telheiro de estilo rústico. Pensei imediatamente que afinal tinha sido boa ideia ter trocado os trajes da praia por uma vestimenta mais normal.
E se o espaço era agradável, o que dizer do atendimento? Todos os empregados de mesa com quem tivemos contacto (jovens de ambos os sexos) foram o tempo todo de uma simpatia e prestabilidade irrepreensíveis, tão simpáticos que pensei que deviam estar a compensar algo, ou a comida não seria boa ou então estaria um corpo no fundo da piscina. Mas, afinal não. Não havia corpo e a comida foi excelente.
Depois de várias entradas, que não sendo memoráveis estavam boas (moelas, mexilhões panados, cogumelos salteados, presunto com melão, azeitonas), deliciámo-nos com um excepcional bife de javali - saboroso, tenro, suculento, no ponto - acompanhado de arroz, batata frita de comer e pedir muitas mais, feijão preto e doce de maçã. Nos vinhos aconteceu-nos algo raro, conseguiram vir para a mesa duas garrafas de diferentes vinhos brancos alentejanos que não estavam em condições, sendo de realçar a atitude impecável dos empregados nesta questão.
Na sobremesa, recomenda-se o Doce Tentação, mas absolutamente imperdível é o Doce Pecado. Foi o corolário de uma excelente refeição numa quentíssima noite de Agosto, em que a piscina ali ao lado da mesa se mostrou sempre tentadora!

18
Fev09

As melhores Papas de Sarrabulho de sempre

Paulo

Há determinados “pratos” que em casa são sempre melhores. Acho que ninguém duvida disso. Aliás, na maior parte dos casos, uma pessoa só vai comer “fora” para não ter de cozinhar, porque não tem quem lhe cozinhe ou simplesmente porque não sabe cozinhar. E há também “pratos” que se vão comer “fora” porque dão muito trabalho prepará-los em casa, como acontece com as Papas de Sarrabulho. Mas, neste caso e em muitos outros do mesmo género, já se sabe de antemão que nos restaurantes podem ser bons, porém nunca serão como se fossem feitos em casa. No exemplo das Papas de Sarrabulho, até podem haver locais onde são confeccionadas com um sabor mais intenso ou requintado que não se conseguirá reproduzir ao domicílio, contudo nunca baterão a qualidade e a consistência de umas Papas caseiras. Aliás, será que a tradição dos rojões serem servidos juntamente não nasceu da necessidade de disfarçar a menor consistência e recheio das Papas?
Agora, como é evidente, esta é uma daquelas iguarias que, em casa, só se prepara uma vez por ano ou com um espaçamento temporal ainda maior. Porque as Papas de Sarrabulho dão mesmo um trabalho dos diabos se a intenção é que sejam realmente boas: ele é um sem fim de carnes variadas para desfiar e de sangue e pão para esmigalhar.
Este preâmbulo serve para dizer que, há dias, comi as melhores Papas de Sarrabulho da minha vida, em casa, claro, preparadas pela Dona Alzira, senhora minha mãe. Já não o fazia há alguns anos e, talvez por isso, caprichou, fazendo um panelão de Papas de Sarrabulho super-hiper consistentes, a abarrotar de carnes, daquelas Papas em que se tem mesmo de mastigar e até se pode usar faca e garfo. Simplesmente fabulosas e deliciosas como a foto deixará a entender.

 

Quem ficou com água na boca acerca das Papas de Sarrabulho, sempre pode dar um saltinho a Amares, de 21 a 24 de Fevereiro, ao principal Festival deste prato tradicional minhoto, que já vai na sétima edição. A minha mãe não estará lá, mas seguramente poderão encontrar óptimas versões deste “prato”.