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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

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04
Out08

Transmontanos e amigos no “Miranda”

Convidado

À mesa com faz-me lembrar o tipo de tertúlia “À Conversa com…”, promovida por uma qualquer instituição de renome. [Como vem a propósito, lanço, desde já, o desafio aos comensais dos Chispes e Couratos para promoverem esse tipo de iniciativa um pouco por todo o país (não se esqueçam dos convidados, hum!)]. JP, Eurico, Daniel, eu própria, e o ímpar conversador/moderador Miranda, que com o seu estilo narrativo inigualável e bem-disposto (em vez de narrativo devia dizer-se caralhativo, tal o número de vezes que aplica a palavra e sempre com uma enorme riqueza semântica, típico de um “puro” transmontano), aquecemos uma destas noites, à volta de um bom tinto da casa, de S. João da Pesqueira, o perfeito acompanhante para um macio presunto transmontano. A carne do homem do barroso, como nós já a conhecemos e tantos outros seguramente, é imaculada; as batatas fritas às rodelas bem sequinhas e o arroz de “estrugido” à transmontana com pequenos pedaços de carne e umas azeitonas a saltitar completam a farta refeição.
Para o Miranda, o que fazia falta era animar, ainda mais, a malta e, vai daí, pede licença para entrar na mesa com o “O Professor”, um DOC do Douro. Como única representante feminina duriense naquela mesa, não pude deixar os créditos por mãos alheias e lá comecei a descortinar sobre os vinhos, ajudada pelo jovem Daniel que também quis dar o seu “palpite”. Mas eis que, de repente, os meus sentidos gustativos deram lugar aos auditivos por causa de uma surpreendente afirmação “à Miranda”: “Quando as mulheres percebem de vinhos, é o caralho…”, a que se seguiu uma farta gargalhada. A conversa tomou, a seguir, um rumo bem diferente com a chegada do Sr. Engenheiro de Vila Flor, uma figura aparentemente conhecedora do mercado vitivinícola que se aproximou da nossa mesa, como se precisássemos de fertilizante. Claro está que o Miranda, homem rijo, bem tratado e sem “papas na língua”, não foi em conversas e logo respondeu com a mesma moeda “O Sr. também não percebe um caralho de vinhos”. Pelo menos, ficamos a saber que o barrosão Miranda percebe de investimentos e que conseguiu, nos anos oitenta, aprovar projectos agrícolas de grande arrojo, pois nem “que tivesse de lutar contra 500 caralhos”, ele iria conseguir.

Repare-se no quão rica em significados é a palavra: Do latim "caraculo", substantivo, adjectivo, advérbio ou outra coisa qualquer que pode significar lixado, está tudo perdido, pessoas, ah, não, porém, vai passear, talvez, adorar, etc.

Diz o povo que quem conta um conto acrescenta um ponto… foram muitas as histórias que se ouviram no 2º piso do restaurante “Os Sabores do Barroso” e talvez alguns pontos se somaram. Chegou, pois, o momento de dizer a verdade… bebemos 6/7 garrafas de bom néctar duriense.

VERDADE!

 

Um texto de A. Corunha

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