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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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22
Set08

O balde de Açorda

Paulo

Onde se fala de gastronomia alentejana, Évora, “O Grémio” e “Moinho do Cu Torto”

Para muitos portugueses o Alentejo é apenas aquela região que se tem de atravessar para ir ou vir do Algarve. Tá mal! Pronto, até sabem que é terra de bom vinho, embora mesmo quanto a isso tenham dúvidas porque ao longo da A2 não se passa por qualquer vinha. Tá mal, porque além de ser uma região rica em património, é uma das zonas mais nobres da nossa gastronomia.
Este Verão, no regresso de férias no Sul, mais uma vez quisemos matar as saudades da fabulosa cozinha alentejana, uma das minhas predilectas. A nossa intenção era ir ao Restaurante Fialho, um dos mais afamados de Portugal, na histórica cidade de Évora, que visitei pela primeira vez, ficando com a certeza que é uma das cidades mais belas do nosso país e das mais ricas em património. Mas quando chegamos a Évora já não estávamos inclinados a ir ao Fialho porque as informações entretanto recolhidas apontavam-no igualmente como um dos restaurantes mais caros do país. Ideia prontamente confirmada por um agente da PSP a quem solicitamos algumas informações em plena Praça do Giraldo. Aliás, o agente – provavelmente um dos mais simpáticos de toda a PSP – disse-nos que o seu primeiro serviço na cidade foi ir buscar um cliente ao Fialho que se recusava a pagar 100 euros por um bocado de presunto e vinho! Duplo aliás, Évora é também uma das cidades mais caras, afiançou-nos a pés juntos, só faltou a continência, o mesmo agente.
Fomos, então, em busca de outro bom restaurante, com preços mais ajustados, e bons restaurantes é algo que Évora tem em quantidade. Após deambularmos algum tempo pelas labirínticas ruas do centro histórico, e quando a fome começava a fazer alguns estragos na boa disposição, encontramos O Grémio, escondido numa rua tão estreita que receava que se comesse demais já não conseguiria passar no regresso. E foi isso que aconteceu. Não a parte de não conseguir caber na ruela, mas sim a de comer muito. E bem. Não é exagero dizer que me foi servido um balde de Açorda d’Alho com Bacalhau e Ovo. Vi-me e desejei-me para levar a bom porto a empreitada de esvaziar o dito balde e confesso que naufraguei. Ainda sobrou apesar de me ter empanturrado e de ter partilhado com a Xana e o J.P. que, por sua vez, se debatiam com um fantástico Cação de Coentrada com Pão Frito e umas maravilhosas Migas de Espargos com Carne de Alguidar, respectivamente. Até estive quase a pedir ajuda aos clientes da mesa ao lado.
Não pensem por um momento que a Açorda não estava deliciosa, bem pelo contrário, estava mesmo excelente, com um sabor intenso de alho e coentros, como gosto. E nem o inolvidável Estufado de Javali da Montaria, comido ao almoço no Brasileiro, em Mértola, teve qualquer responsabilidade. Foi, isso sim, culpa das doses individuais servidas nos locais turísticos do Sul a que nos habituamos nas duas semanas anteriores. Porque já se sabe que pedir uma dose para uma pessoa no Alentejo ou no Minho, por exemplo, é um acto suicida.
Infelizmente, tivemos que acompanhar tão belas iguarias com sangria e cerveja porque o vinho era demasiado caro, razão tinha o agente de autoridade em dizer que no centro de Évora não se come barato.
Já saindo das muralhas é mais fácil de encontrar locais mais acessíveis no preço, mesmo se tratando de restaurantes com nome e até motivo de reportagem na televisão, como é o caso do Moinho do Cu Torto (mais conhecido apenas por Moinho), que decidimos conhecer ao almoço do dia seguinte. O restaurante, de aspecto absolutamente típico, fica numa casa de apoio (ou antigo celeiro) de um moinho verdadeiro que até se pode visitar. Tem um funcionamento mais tradicional e uma ementa mais curta, que varia de dia para dia. Atingi quase o prazer máximo com uns Pezinhos de Coentrada absolutamente divinais, acompanhados por um pãozinho frito que ensopava naquele molho à base de coentros para meu deleite. Para tornar perfeita a refeição, o tinto da casa, um puro alentejano a preço modesto, era de beber e pedir mais. A finalizar, para não destoar, veio como sobremesa uma deliciosa Cericaia com Ameixa em Calda.
À saída do Alentejo é sempre caso para dizer “Até breve”, “Até sempre”!

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