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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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16
Set08

“O brasileiro” alentejano

Convidado

Ao chegar a Mértola, pus o pé, molhei a boca com puro néctar alentejano, um tinto da casa, e preparei-me para um “Avante, Camarada, Avante!”. O nome /alcunha  “O Brasileiro” ficou a dever-se ao facto da avó do proprietário ter o nome de Basília (ora Basília parece Brasília, Brasilia é a capital do Brasil... ser filho da Basília é o mesmo que ser filho de Brasília, logo Brasil, logo "O Brasileiro"... tão óbvio que até custa a acreditar).

O restaurante presenteia-nos com uma magnífica paisagem aos pés, o acolhimento afável é brindado com um saboroso pão de trigo e umas caseiras pastas de chouriço e de atum. O cardápio apresentado com ligeireza afigurou-se tentador! Os meus amigos escolheram bem, entre um magnífico Estufado de Javali da Montadia e uns soberbos Pezinhos de Coentrada com pãezinhos fritos. Como fã dos provérbios populares, foi fácil decidir-me “Mais vale uma perdiz no prato do que duas no bolso do caçador”, pensei. E se pensei, logo solicitei: Açorda de Perdiz Brava. E que bela escolha, amigas! Mergulhei no reino de coentros e alho; nadei em grão de bico; e boiei na calda, em pão de trigo cortado às fatias muito finas. Como qualquer vereneante que gosta de bons banhos de sol, suei como “santiago aos mouros”. Mas logo suavizei, hum, com um divino torrão real (amêndoa com ovo, açúcar e água, é a sua composição) acompanhado com um “pingo”, com dois ou três pingos, a minha única sugestão dada ao empregado. Fazendo jus à minha fama de gulosa, degustei ainda a deliciosa cericaia com ameixa em calda e a macia mousse com leite condensado. Na verdade, este manjar não é para uma vereneante preocupada com “a linha”, mas sim para alguém com algumas curvas e um resistente estômago. Bom, mas isso agora não interessa nada...O que realmente importa é o despertar dos nossos sentidos sensoriais e demais “devarios” gastromómicos nas planícies alentejanas.

Nunca vi animais de caça (perdiz e javali) e domésticos (porco) tão felizes à mesa, perdão, nunca vi olhos tão radiantes e olfactos tão extasiados como os de uma transmontana, eu, de um minhoto e de um tripeiro, dos meus amigos Paulo e João Paulo, respectivamente. Ficou a promessa de lá voltar um dia...fora da época do Verão, de modo a degustarmos, ainda, mais iguarias repletas de coentros. Isto porque, como gente do Norte habituada a salsa, não há como uma boa coentrada, entenda-se.

Recomendo. À brava!

 

Um texto de A. Corunha

 

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