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07
Set08

“El” Armazém

por Paulo

Acho que é comum a todos os apreciadores de comida quando se vai de visita a qualquer lado procurar ir comer a um sítio típico. Uns porque sabem que normalmente é onde se pode comer muito bem e a bons preços; outros porque desejam sentir melhor o povo e a tradição; e há quem simplesmente queira se gabar de ter comido no sítio mais típico da localidade.

Claro que quem vai em busca disso sabe o que o espera geralmente para além da boa comida, ou melhor, o que não o espera: não se conta encontrar um local com boa apresentação, com aspecto cuidado, com um serviço requintado nem sequer esmerado, que siga as mais básicas regras de etiqueta ou até que dê uma importância por aí além a questões higiénicas (por exemplo, as visitas às casas de banho são, muitas das vezes, aventuras para mais tarde recordar). Quem já entrou numa qualquer tasca sabe do que eu estou para aqui a dizer.

Eu, pela parte que me toca, e não sendo pessoa facilmente impressionável, já com vários anos de experiência com tascas, gosto de ir aos locais típicos pelo bem que se come e pela excelente relação qualidade/preço.

Ora, quando o destino se trata de um local turístico o desejo de procurar um local típico aumenta ainda mais, para fugir um bocado aos restaurantes que vivem apenas de alimentar os turistas e de se alimentarem dos turistas, em que a maior parte das vezes sentimos que o que comemos não esteve à altura do preço que pagamos…

No meu último local de férias no sul de Espanha (Isla Cristina, poucos kms. a seguir à fronteira, muito popular entre os portugueses, certamente também porque o preço do combustível não permite ir muito mais longe), procuramos logo no início encontrar o restaurante mais típico da terra. Quem tem experiência nestas coisas, sabe que em zona de peixe as buscas devem efectuar-se nas ruas mais próximas da lota de pesca. E foi assim que rapidamente encontramos “El Armazém”, nome com que decidimos baptizar o “Mesón El Pescaíto Frito – Casa Pepe”. Lamentavelmente, a fome antes e a barriga cheia depois nunca nos permitiram ter a lucidez necessária para tirar uma foto ao local, já que não seriam necessárias explicações adicionais. Como facilmente se percebe pela alcunha (e pela imagem aérea do local que fui buscar ao Google Earth), o restaurante fica num antigo armazém, a maior das duas salas até tem o habitual telhado de armazém a uma dezena de metros de altura. E não tenham dúvidas de que é mesmo o sítio mais típico da zona para se comer. Tão típico que das várias vezes que lá fomos, éramos os únicos não espanhóis lá. As paredes alternavam quadros de sugestões de petiscos escritas a giz com imagens religiosas e ventoinhas. Os empregados eram alguns deles indubitavelmente antigos pescadores, então um deles era uma personagem fantástica, já na casa dos sessenta (pelo menos era o que parecia, porém podemos ter sido enganados pela sua pele queimada e desgastada por muitos anos de mar, sal e sol), mas com um porte e agilidade de um jovem, conseguíamos perfeitamente imaginá-lo num qualquer filme do Tarantino com o seu cabelo cheio de gel penteado para trás com estilo.

Como seria de esperar, lá apenas se comia pescado, todo o género de pescado, fresco mais fresco era impossível (aliás, aos fins de semana é costume ouvir-se muito “no hay” em resposta ao pedido de diversos peixes), tudo sempre fantástico o que comemos, e muita coisa lá comemos, desde atum a chocos, passando por enguia, polvo e todo o género de peixinhos fritos.

Os preços bastante acessíveis fazem com que a casa esteja sempre com muita gente, tivemos noites em que os clientes e os pedidos eram tantos que os empregados não tinham mãos a medir e muito menos cabeça, já que nessas situações normalmente a conta apresentada não continha parte das iguarias saboreadas. Houve quem dissesse que o “esquecimento” fazia parte de uma estratégia da gerência para voltarmos lá mais vezes, o que até poderá fazer sentido se pensarmos que o gerente deve ser algum velho pescador que passou demasiados anos no mar com a cabeça ao Sol.

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