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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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04
Set08

Um ano fabuloso

JP

Ao contrário das últimas informações da OCDE, a minha análise dos números de Outubro de 2007 a Julho de 2008 dá-me boas razões para continuar a sorrir e a encarar o futuro com optimismo. Os dados não me deixam mentir: cerca de 65 grandes jantares de convívio e exploração gastronómica; 15 refeições de família com aliciantes iguarias; 35 jantares a dois entre restaurantes e refeições cuidadosamente elaboradas em casa; 25 jantares em casas de amigos com desafios gastronómicos muito interessantes.

Num período de 10 meses, em cerca de 600 refeições principais (segundo o modelo da escola portuguesa), realizei aproximadamente 140 refeições soberbas e de grande deleite. Isto representa cerca de 24% das refeições. Um enorme sucesso.

Mas este estudo permite obter mais alguns dados interessantes: terei ingerido cerca de 140 garrafas de vinho (uma média calculada por baixo, sendo que nunca bebi menos de 2 terços de uma garrafa por refeição, mas também só raramente cheguei às três); 110 sobremesas doces (80% das refeições); 140 entradas diferentes compostas por aproximadamente 130 rissóis, 140 bolinhos de bacalhau e croquetes, 800 camarões, 150 fatias de presunto (numa média de 30 refeições, vezes 5 fatias por cada), 30 alheiras, 7 kg ameijoas, 1 kg de queijos, 5 kg de atúm em pasta, 2100 azeitonas (15x140), 3 kg de pão, entre muitos outros.

Claro que, entre os pratos, os reis da mesa terão sido o bacalhau e a posta barrosã. Prefiro não revelar números nesta altura para não ferir susceptibilidades. O bacalhau é um líder óbvio, entranhado na gastronomia portuguesa, apresenta-se diariamente das formas mais surpreendentes e irrecusáveis. Com a ameaça da sua extinção, como qualquer português penso: o melhor é comer enquanto há. O português é desconfiado, quem garante que o vizinho não lhe anda a malhar como se não houvesse amanhã (e para o bacalhau talvez não haja) enquanto eu luto pela sobrevivência do peixe. Não senhor. Estas campanhas de sensibilização para o desaparecimento das espécies têm um efeito indesejado em Portugal: aumentam a procura.

A presença no Top da posta barrosã explica-se pelo “Miranda” e nada mais há a dizer sobre o assunto (Ver texto “O homem do barroso em Braga”).

Julgo que não serei muito ambicioso se apontar para esta nova época que se avizinha um ligeiro crescimento de 2% a 3%, evitando assim cair no comodismo dos bons resultados, mas também não estabelecendo metas pretensiosas que possam depois não ser alcançadas.

De qualquer forma, há outras leituras que se impõem. Em primeiro, nas cerca de 140 refeições terei ultrapassado os 0,5 g/l de álcool no sangue, acreditando mesmo que em pelo menos 30% terei nivelado a percentagem de álcool entre os 1,5 g/l e os 2,5 g/l. Em 22% destas refeições não me recordo de 55% dos pormenores e em 3% não me recordo de cerca de 85% do que lá se passou.

Em segundo, uma leitura que dá que pensar e que preparará a minha próxima reflexão: terei ingerido A MAIS cerca de 140 mil calorias. Este dado é polémico e exige alguns esclarecimentos.

Oficialmente o meu corpo necessita de 2500 calorias diárias, o que quer dizer que eu precisei de aproximadamente 750 mil calorias para levar uma vidinha com dignidade durante 10 meses. Mas nestas 140 refeições terei consumido mais mil calorias diárias do que o necessário, ou seja, as tais 140 mil. Tudo somado, foram cerca de 900 mil calorias ingeridas em 10 meses. Por este andar, atingirei o milhão de calorias daqui a três anos, partindo do pressuposto que não irei rever em baixa o crescimento de 2 a 3% ao ano.

 

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