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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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12
Mai10

Se for pouco faz bem... se for muito faz mal(II)

JP

Desisti eu de uma carreira científica a pensar que era uma vida difícil e ingrata e andam inteligências a mandar diariamente cá para fora estas conclusões extraordinárias. Estudos assim, faço eu 10 a 15 por dia e não falho nenhum.

Por exemplo, leitão assado barradinho com molho e batatas fritas às rodelas é bom para os intestinos. Quer dizer, se for pouco faz bem, se for muito faz mal. Quando os aviões caem nos poços de ar, se for pouquinho, até faz bem ao coração, se for muito (aí uns 10 mil metros), já faz mal.

 

De que me adianta dizerem que um pouquinho de uísque faz bem? Utilizem medidas, se fazem o favor. Ora a medida internacional do uísque é o dedo. Digam-me, quantos dedos de uísque se pode beber. E o vinho? Só se pode beber um chisquinho por dia? O que é isso? Quero a medida em copos. Um copo quer dizer o quê? Copo de balão? Ora bem, pode-se beber dois copos de balão por dia, isso equivale quase a uma garrafa. Um copo quer dizer cheio, se não era meio copo. Ora, um copo de balão serve-se até meio (por causa dos aromas), então posso afirmar que a medida certa são quatro copos de balão por dia.

Mas claro que estaríamos a ser injustos com a ciência actual, se imaginássemos que só se dedica a estudar estes assuntos. Não senhor, há milhares de outras pesquisas que têm contribuído para o desenvolvimento do conhecimento humano. Por exemplo, o consumo de sardinhas, figos secos, ovos e abóbora aumentam o brilho e a resistência das unhas. Mel, chocolate ou bananas contribuem para vidas sexuais mais interessantes. Alho estimula a dilatação das coronárias, o azeite é antioxidante, os coentros são bons desinfectantes dos intestinos e os cominhos combatem a flatulência.

 

Tudo isto para concluir que a gastronomia tradicional há muito que tinha chegado às mesmas conclusões que esta carrada de investigações científicas, apresentando-nos pratos que são autênticos tratados de ciência nutricional, com soluções brilhantes para a saúde do corpo e da mente. Não é por acaso que dos pratos típicos dos portugueses não faz parte o peito de peru grelhado com arroz integral cozido nem as doses são medidas em colheres. Bem ao contrario dos planos dietéticos monótonos.

 

Não senhor. O nosso sábio povo deixou-nos um farto património com as maiores invenções da ciência gastronómica mundial, como pezinhos de coentrada, que num só prato conjuga as maravilhas do alho, azeite, vinho e coentros (ora digam lá que não é genial); papas de sarrabulho, uma solução engenhosa para reunir as qualidades dos cominhos e do azeite; ou o cabrito assado, em que os nossos antepassados, depois de apurados estudos, conseguiram juntar vinho, alho e colorau - que contribui para baixar o mau colesterol.

Foram séculos de pesquisa intensiva, na qual eu confio totalmente.