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Há alguns dias, o meu carro desapareceu de onde estava estacionado, em pleno dia, numa rua movimentada de Barcelos. Como estava num local onde era permitido estacionar, tive de partir do princípio que tinha sido furtado, vá-se lá saber por que razão. Quem já viveu semelhante situação entende o choque que tive. Enquanto caminhava para a esquadra da PSP para dar conta do sucedido, o sentimento de perda começou a apoderar-se de mim. Como é que eu poderia continuar a ter uma vida gastronómica normal sem automóvel? Como é que eu me iria deslocar aos restaurantes deste país? Passaria a estar completamente dependente da boa vontade de outros para me levarem consigo para as comezainas! Sem carro, teria de alterar o meu comportamento para me tornar pelo menos tolerável para os outros, de forma a que não se importassem de me levar aos restaurantes mais fora de mão, sujeitando-me ainda às suas escolhas, correndo sempre o risco de me levarem, por exemplo, a um vegetariano. Aliás, as pessoas sem carro são naturalmente interesseiras, dão-se com outras pessoas apenas para garantirem boleia para restaurantes. Toda a gente sabe isso!
Enquanto era atendido pelo agente da PSP, pensava nos sítios a que poderia ir sem carro próprio e sem boleia: tinha a consolação de morar a poucos minutos a pé das postas e costeletas do “Miranda” (Sabores do Barroso); de resto, assim de repente, lembrava-me apenas dos restaurantes de Braga, a que poderia chegar de autocarro, e do Barriga Farta, onde poderia deslocar-me de comboio. Desesperava-me a ideia que o presumível larápio me iria privar de ir a restaurantes de súbito totalmente inacessíveis para mim, como o Nariz do Mundo ou o Albertino.
E, depois, como é que, de autocarro, conseguiria, por exemplo, trazer para casa garrafas de vinho ou marisco?
Felizmente, tudo não passaria de um enorme susto. Afinal, por incrível que possa parecer, o meu carro tinha sido “apenas” rebocado por engano (!!!) para uma oficina (cuidado com a Auto Barcelinhos, óptimo exemplo de negligência e incompetência que, por uma questão certamente de eficiência, “pega” no primeiro carro que se assemelha com o que era suposto rebocar).
Quando soube que não tinha ficado sem o carro, diante dos meus olhos voltaram a passar todas as iguarias que estavam novamente à minha disposição onde quer que estivessem. Os meus olhos brilharam quando voltei a ver o meu carro na oficina para onde o tinham levado e acho que notei, também, nos faróis um reluzir de alegria pelo reencontro. Em contrapartida, vi o terror estampado na cara do dono do carro que deveria ter sido rebocado por estar avariado. Provavelmente, tinha alguma patuscada onde ir, alguma iguaria para degustar, e via-se inesperadamente impossibilitado de o fazer.

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5 comentários

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De JP a 28.06.2009 às 21:48

Também não foi nada fácil para mim quando soube do desaparecimento do teu carro.
Sofri com o teu sofrimento. Até porque já me imaginava a ter de te ir buscar de cada vez que marcassemos um simples jantar no Arafate.
Com o tempo, o teu telemóvel iria deixar de tocar com convites para as mais loucas comezainas. Passado poucas semanas estarias a pensar: "caraças, o pessoal já quase não se encontra".
Viva o automóvel!
O mundo da gastronomia esperou séculos por ele!
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De isandes a 29.06.2009 às 14:06

lol! ó moço, nariz do mundo é 1 referência? akilo é só quantidade e tu és 1 gourmet, não? e vegetariano, nem k seja p desenjoar, tb não? o anjo verde é muito fixolas... *
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De Paulo a 29.06.2009 às 15:34

Não me vejo a precisar de desenjoar de carne e peixe... Sinceramente, só me vejo a ir a um vegetariano "arrastado" por alguma mulher, a única boa razão para ir até um restaurante do género...
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De filha filipa a 03.09.2009 às 01:19

não percebi o porquê do vegetariano ser apontado como um mau exemplo de restaurante, afinal quem nao gosta de tofu ?


ps: já pensaram no quão económico, ecológico e saudável é NÃO andar de automóvel ?
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De Paulo a 04.09.2009 às 11:33

o vegetariano não é apontado como um mau exemplo de restaurante, apenas como não sendo da minha preferência...

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