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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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07
Mai09

Os Reis das Festas

Paulo

Já se perguntaram o que tem mais relevância numa romaria, seja grande ou pequena? O que movimenta as pessoas serão os santos, os concertos, os carrinhos de choque? Na minha opinião, e após vários anos de aprofundada análise empírica, são duas coisas: o pão com chouriço e as farturas!
Ainda recentemente desloquei-me à Festa das Cruzes, em Barcelos, e após um jantar entre amigos - do qual saímos apenas quando o fogo de artifício nos garantiu que o Mickael Carreira tinha acabado de cantar, ou o que quer que seja que ele faz em cima do palco -, mergulhamos por entre a multidão no núcleo da romaria. E onde é que as pessoas mais se concentravam? À volta do templo? Junto dos carrosséis? Em frente aos feirantes? Triplo não! Concentravam-se, isso sim, junto dos 4 ou 5 “restaurantes” de pão com chouriço. Mesas vazias nem vê-las e as filas estendiam-se pelo meio da multidão. Os fornos carburavam a toda a velocidade e os funcionários suavam a potes para dar vazão à imensidão de pedidos, por onde espraiasse o meu olhar via pessoas com os seus pães ainda a levedar recheados de chouriço e a escorrer molho, com as bocas afligidas pela quentura prontamente socorridas pelas cervejas frescas.
É óbvio que o pão com chouriço é bom, mas não é nada de mais; porém, existe um reflexo pavloviano em todos os portugueses que mal ouvem os foguetes a anunciar uma festa começam a salivar pelo dito pão. E se perguntarmos a alguém que foi à festa o que por lá fez, nunca falha a resposta: “comi pão com chouriço… e farturas”. Pois, as farturas. Se o pão com chouriço só aparece nas grandes festas, já as farturas estão presentes em todas as festividades, procissões, espectáculos de rua, jogos de futebol, lá chegará o dia em que até nos casamentos estarão presentes. E são incontáveis os casos em que as pessoas passam por uma festa apenas e só para comprar farturas. Ao contrário do algodão doce, por exemplo, o gosto pela fartura é algo que perdura desde os tempos da infância e nem mesmo o facto de, já adultos, sabermos que não passa de farinha frita em óleo refrito e misturado com pingas de suor dos “fartureiros”, coberta de montes de açúcar em pó e canela, claramente uma bomba calórica e “colesterólica”, nos impede de sermos tarados por farturas e de nos empanturrarmos com elas, pelo menos uma ou duas vezes por ano (ou tantas quantas as vezes que frequentamos festas).

 

p.s. – Como é óbvio, ali no meio daquela multidão, também eu não resisti ao apelo do pão com chouriço, apesar de acabar de sair de um excelente jantar no Restaurante Galliano, que consistiu num arroz de capão, acompanhado por um excelente Encostas de Estremoz Trincadeira, precedido por várias entradas e seguido de um misto de sobremesas (do qual constava uma rabanada incrível) e digestivos.

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