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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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27
Abr10

Se for pouco faz bem... se for muito faz mal (I)

JP

Quem esteve atento, na última década, aos resultados dos principais estudos científicos na área da nutrição tem de concluir que grande parte dos planos alimentares actuais está desajustada da realidade.

 

A avaliar pelas maiores descobertas científicas recentes, deveríamos consumir diariamente:

- Uísque, porque facilita a digestão e previne as doenças cardiovasculares;

- Aguardente vínica para evitar a formação de tumores e porque é uma grande amiga do coração;

- Vinho tinto para reduzir em 35% o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (para quem ainda acha que o coração não está bem protegido com o uísque e a aguardente) e defender de bactérias, tumores e doenças degenerativas;

- Cerveja preta para prevenir processos inflamatórios e evitar a descalcificação dos ossos;

- Cerveja loirinha porque também é amiga do coração e, já agora, uma ruiva porque não é menos que as outras e também aumenta a produção da serotonina, um neurotransmissor;

- Espumantes para alargar os vasos sanguíneos, aliviando a pressão cardíaca e cerebral.

E vamos ignorar que agora bebidas como o martini, a caipirinha ou a vodka garantem que são todas amigalhaças do coração.

 

Ora isto dá para tirar várias conclusões. Primeiro percebe-se em que é que os cientistas têm andado a dar cabo da cabeça e porque é que ainda não conseguimos prever terramotos.

Segundo, que só com um grande esforço se consegue cumprir um plano alimentar rigoroso como este. Aos fins-de-semana é fácil, mas de segunda a sexta é preciso força de vontade. E a coisa tem de começar logo ao pequeno-almoço, talvez com uma mini preta e uns tremoços, que são ricos em proteínas, cálcio, fósforo, potássio, ferro, fibras e ómega 3 e 6. Os tremoços são tão maravilhosos, que deveriam ser considerados alimento de interesse nacional. É excelente para os ossos, para facilitar o trânsito intestinal, para controlar a taxa de açúcar no sangue, o colesterol, reduzir o apetite e renovar células.

A meio da manhã, talvez uma aguardente vínica com duas bolachas maria e ao almoço a dose diária de vinho tinto. As restantes cervejas têm ficar para o jantar. Não esquecer o uísque, talvez na ceia, que ajuda a dormir. E mesmo que não haja razões para festejar, brinda-se ao facto de continuarmos vivos com um ou dois flutes de espumante bruto.

Uma terceira conclusão, é que a maioria destes estudos não revela dados muito precisos. O que me parece é que os resultados são sempre os mesmos. As tretas das quantidades: se for pouco faz bem, se for muito faz mal. É estranho ver cientistas a mandar conclusões mais ou menos a olho. Isso é o mesmo que um biólogo falar de um ser vivo “mesmo, mesmo pequerruchinho, de um milésimo do tamanho de um pentelho. Ou numa conferência de imprensa da Nasa informar-se que um cometa se está a aproximar da terra a toda a bolina, a uma velocidade do caraças.