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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

25
Fev09

A Casa do Lau e da lampreia: O amor à primeira trinca! (II)

JP

Nos últimos dias tive finalmente a oportunidade de viver uma das minhas experiências eternamente adiadas: comer lampreia. E tinha sido adiada por puro preconceito, como já tinha adiado os caracóis, as enguias ou as experiência homossexuais (que vou continuar a adiar por mais algum tempo).

Não há nada mais feio do que discriminar pela beleza física. Se nos deixassemos guiar apenas pela beleza, só comíamos cavalos, golfinhos ou aqueles lindos peixinhos de aquário. A gastronomia ensina-nos a não julgarmos os seres vivos pelo seu aspecto, devemos dar-lhes sempre uma oportunidade com os mais diversos temperos.

Atraído pela necessidade de dar sentido a três dias sem trabalho, o meu mercedes 190 deu entrada por volta das 12h30 em Vila Nova de Cerveira, onde decorre até ao final do mês o Festival da Lampreia. Uma  passagem pelo Posto de Turismo chegou para tomar a decisão: vamos à Casa do Lau. Lau não é apelido que se dê a ninguém. Lau, reduz um homem de barba rija, um ranger, a um professor de aeróbica, o que não é a imagem ideal para um restaurante português. Mas paciência.
A casa do Lau é um restaurante bem agradável, com uma decoração a atiçar o homem ou a mulher requintado que há em nós, mas num ambiente bem prazenteiro. Possui ainda um interessante pátio com vistas sobre o rio Minho.
Vamos ao essencial. O atendimento é extraordinário. Diz-se que a simpatia dos funcionários faz ou não o sucesso do restaurante. Na Casa do Lau há simpatia, não a excessiva, a importunadora, não a simpatia ensaiada, mas natural e espontânea. No final, olhei para os trocos na minha bolsa e pareciam-me poucos para gorjeta. Estive quase a pedir-lhe o NIB para fazer uma transferência condigna.

A mesa. A abrir: orelhinha de porco em molho de cebola; meixão, que são as crias de enguia, que mais pareciam rebentos de soja, em azeite e alho (eram tão pequeninas e transparentes que nem sei se estavam no seu estado larvar ou se fizeram o parto prematuro às enguias para elaborar aquela iguaria); lulas recheadas; salada mediterrânica; patés de marisco, de peixe e de salmão.
Para acompanhar, o homem sugeriu-nos um verde tinto da casa, Vinha Barreirinho, um verde intenso, não demasiado adstringente, e que haveria de mostrar o que vale mais tarde.

Como éramos totalmente virgens neste prato pedi ao homem que nos tratasse bem e que não fosse muito bruto, para não ficarmos traumatizados. Eu queria evitar ver a lampreia no seu aspecto natural, enroladinha e pegajosa, a desafiar a nossa imaginação.
O homem convenceu o cozinheiro a separar o peixe em dois e trazê-la para a mesa metade à bordalesa e metade em arroz típico de lampreia.
Vamos por metades. A primeira metade chega-nos oculta numa travessa, mas que ao destapar-se, em vez da imagem ameaçadora, revela um cenário enternecedor, capaz de derreter os corações mais insensíveis e de fazer abrir a boca ao mais terrível terrorista detido em guantánamo.

Seis postinhas, ainda ténuemente ligadas entre si, com uma cor castanho-escuro a revelar umas horas bem passadas em banhos de vinho tinto. Quanto ao sabor, não há muitas palavras adequadas a esta  descrição, mas arranjam-se algumas interjeições: uhmmmm, uai, iiiaaa, oba, salve, urra.
A segunda metade veio mergulhada no arrozal, com um aspecto que parecia um plágio descarado do arroz pica no chão. Intensa e aromática, transpirava vinho, vinagre, salsa e muito mais, que o homem não revelou.
Como detectar um principiante na lampreia? Inicia a refeição com aquele semblante de quem já viu muita coisa nesta vida, até o derrube das torres gémeas, e finalmente lá arranjou tempo para provar esse prato que muitos consideram iguaria, mas que não deve ser mais do que um peixe regado com vinho. Desconfia: o quê, o peixe salta para a boca, nem precisamos de talheres, não? Mas ao trincar, a mudança de expressão, um segundo, como um filme que passa inteirinho aos seus olhos: ah, meu Deus, era isto.
Anos e anos a ver milhares de portugueses a rumarem em busca das lampreias e eu com as minhas dúvidas e a desconfiar: o povo é ridículo e parolo. Mas a minha história é mesmo esta: passei muitos anos a fugir das tradições populares e outros tantos anos a tentar encontrá-las de novo. A matança do porco, as vindimas, as romarias ou as tascas. Um dia destes retomo as idas a Fátima, para o povo lá ir é porque há boa comida por trás.

A partir de agora é assim: se o povo faz é porque é bom, nem quero discutir mais.

Não me venham com aquelas tretas, ai os cientistas descobriram isto ou agora parece que aquilo faz bem. Eu só quero saber: o que é que o povo diz disso?

Meus caros, a lampreia entrou directamente para a minha magnífica lista de pratos favoritos!

E eu que pensei que já não era assim tão novo para voltar a sentir estes desvarios loucos da paixão gastronómica à primeira trinca.

25
Fev09

A esperteza da lampreia (I)

JP

É extraordinário o conjunto de virtudes e aptidões físicas que os animais desenvolvem para fazer frente aos seus predadores. Alguns apuram o sistema visual, auditivo ou olfactivo, outros conseguem mudar de cor, desenvolvem a velocidade, refinam o veneno ou aprendem a voar. E sabe lá Deus que mais! Mas este maravilhoso mundo natural não pára de nos surpreender com o seu engenho. Veja-se o caso da lampreia que nos últimos milhares de anos pensou de outra forma. Para a lampreia o ideal nem era ser rápida, nem venenosa, nem andar a mudar de aspecto. A lampreia não foi por aí e decidiu optar por outra estratégia, apostando na aparência física. Pois bem, a lampreia pensou, quem é que vai querer morfar um peixe com ares de réptil, com uma textura ligeiramente repugnante e até algo viscosa?

 


Bem, há que lhe dar mérito, não foi má ideia não senhor, apostar no mau aspecto para garantir uma boa distância de segurança em relação aos estômagos deste nosso mundo. Afinal de contas, os coelhos tinham investido num aspecto tão fofinho, tão fofinho, que fizesse qualquer predador pensar, "ai que queridinho, só me apetece fazer-lhe festinhas, não deve ser para comer". Mas a realidade veio demonstrar que não foi uma grande solução.
Neste campo, os cães foram talvez os mais bem sucedidos de todo o nosso ecossistema. Apostaram essencialmente em aptidões não para afastar os seres humanos mas para os auxiliar:  ladrar a desconhecidos e correr atrás de bolas fizeram com que passassem ao lado das panelas. E estou certo que se esta estratégia deixar de funcionar teremos os cães a aprender a lavar carros ou a aspirar a casa.
Voltando à lampreia, a infeliz tinha tido uma excelente ideia não fosse esse enorme acidente biológico chamado Homem. Ainda por cima, o ser humano desenvolveu precisamente as aptidões que menos davam jeito à lampreia: o sentido experimental, uma mente aberta, o gosto por novas experiências, a capacidade de pescar e a comunicação escrita para apontar as receitas gastronómicas.
Ao contrário de outros seres vivos, o Homem não se deixa desanimar só porque o bicho tem um aspecto asqueroso. O Homem pensa: " deixa-me cá ver como é que este ser tão nojento se dá fervidinho e com um molhinho à maneira"
O Homem tem a ideia de que todas as espécies foram criadas para ocupar um lugar específico na sua cadeia alimentar. Ao ser humano cabe a tarefa de descobrir qual esse lugar: nos assados, nos guisados, nos cozidos, nos frios, nas entradas ou nas sobremesas?
Daí, o grande azar da lampreia, que não conseguiu passar despercebida à atenção humana e acabou por ser integrada nas tradições gastronómicas. E para castigo, por se ter armado em espertinha, foi condenada à maldição suprema, o verdadeiro terror de qualquer ser vivo: atracção principal de festivais gastronómicos.

18
Fev09

As melhores Papas de Sarrabulho de sempre

Paulo

Há determinados “pratos” que em casa são sempre melhores. Acho que ninguém duvida disso. Aliás, na maior parte dos casos, uma pessoa só vai comer “fora” para não ter de cozinhar, porque não tem quem lhe cozinhe ou simplesmente porque não sabe cozinhar. E há também “pratos” que se vão comer “fora” porque dão muito trabalho prepará-los em casa, como acontece com as Papas de Sarrabulho. Mas, neste caso e em muitos outros do mesmo género, já se sabe de antemão que nos restaurantes podem ser bons, porém nunca serão como se fossem feitos em casa. No exemplo das Papas de Sarrabulho, até podem haver locais onde são confeccionadas com um sabor mais intenso ou requintado que não se conseguirá reproduzir ao domicílio, contudo nunca baterão a qualidade e a consistência de umas Papas caseiras. Aliás, será que a tradição dos rojões serem servidos juntamente não nasceu da necessidade de disfarçar a menor consistência e recheio das Papas?
Agora, como é evidente, esta é uma daquelas iguarias que, em casa, só se prepara uma vez por ano ou com um espaçamento temporal ainda maior. Porque as Papas de Sarrabulho dão mesmo um trabalho dos diabos se a intenção é que sejam realmente boas: ele é um sem fim de carnes variadas para desfiar e de sangue e pão para esmigalhar.
Este preâmbulo serve para dizer que, há dias, comi as melhores Papas de Sarrabulho da minha vida, em casa, claro, preparadas pela Dona Alzira, senhora minha mãe. Já não o fazia há alguns anos e, talvez por isso, caprichou, fazendo um panelão de Papas de Sarrabulho super-hiper consistentes, a abarrotar de carnes, daquelas Papas em que se tem mesmo de mastigar e até se pode usar faca e garfo. Simplesmente fabulosas e deliciosas como a foto deixará a entender.

 

Quem ficou com água na boca acerca das Papas de Sarrabulho, sempre pode dar um saltinho a Amares, de 21 a 24 de Fevereiro, ao principal Festival deste prato tradicional minhoto, que já vai na sétima edição. A minha mãe não estará lá, mas seguramente poderão encontrar óptimas versões deste “prato”.

16
Fev09

O dia do Valentim

Marco

O dia dos namorados é literalmente uma data comercial, encaixada entre o Natal e a Páscoa e que serve de motivo para nos fazer sentir mal por não ter comprado uma prenda ou qualquer outro acessório para o nosso apêndice… também apelidado de dia de S. Valentim

E se o cariz comercial dado “ao amor” revolta qualquer apaixonado, em todo o caso é uma excelente desculpa para experimentar um repasto topo de gama… sim, porque nós acima de tudo gostamos é de comer bem… quer seja em tascas, pic nics ou restaurantes Creme de la Creme.

Esclarecida esta posição de vida em que se privilegia o prazer sensorial em detrimento do prazer comercial, decidi assinalar a data no restaurante Pedra Cavalgada em Braga. Já toda a gente sabe que marcar um restaurante nesta data é difícil, mas para além do telefone, ter que efectivar a marcação por email, foi de facto uma novidade para mim. Ultrapassadas estas dificuldades chegamos ao sítio, casa antiga de arquitectura rural minhota, parque de estacionamento privado, recepção com espumante e atendimento curioso.

Em termos gastronómicos, nada a apontar, Empada de Caça, Camarões ao Alho, Polvo Assado e um Taquinho de Lombo de Novilho tudo delicioso e muito bem confeccionado, o serviço é que merece algumas críticas da minha parte. O facto de não nos deixarem uma garrafa na mesa implica que exista um empregado em permanente atenção para que nunca falte o néctar, facto que não ocorreu o que implicou algumas alturas mais secas durante todo o repasto. Embora a decoração da casa seja a condizer com a idade da mesma, para o jantar em questão faltou alguma música ambiente para criar uma atmosfera mais adequada, nada que não se ultrapassasse com uma boa conversa.

O resultado final é positivo e vale pela boa comida, neste que foi o primeiro dia dos namorados em que de facto fui já na condição de casado!

15
Fev09

O Dia dos Namorados devia ser só para alguns!

JP

É tão bonito estar enamorado que hoje, desgraçadamente, todos são namorados. Quem se atreve a assumir que não está apaixonado e, mesmo, que se está a cagar para os que estão apaixonados? Ninguém. E é deprimente ver homens de sessenta anos, barrigudos ou com artroses a agendar spa's, pessoal com o colesterol acima dos 300, casados há mais de vinte anos, na menopausa ou na andropausa a preparar jantares românticos e a engendrar as típicas lamechices comerciais deste dia. Ora porra, isso é contra natura. Supostamente, este é o dia dos namorados e, que raio, agora são todos namorados? Um dia destes estamos todos a comemorar o dia da criança, distribuindo prendas e organizando brincadeiras para pais, amigos ou esposos, afinal todos nós podemos ter uma criança cá dentro. Ridículo.

 


Infelizmente, conseguiram tornar todos os seres humanos, com relacionamentos duradouros ou não, em namorados. O picheleiro, santo deus, o picheleiro que instalou o meu bidé aproveitou o fim-de-semana e uma promoção da multiópticas para uma viagem a dois até à Serra da Estrela.
De vez em quando, como à cozinheira do Túnel, lá se ouvem umas palavras acertadas: "isso já não é para nós, é para os jovens". Ora aí está, claro que já não é para eles, andamos a brincar?
Não nos vamos enganar, para se ser namorado é necessário um estado civil e de espírito que apenas ocorre em momentos muito especiais na vida, reunindo condições específicas raríssimas. Idade, experiência, disponibilidade física e mental são fundamentais para permitir a ocorrência do enamoramento. No resto do tempo, o pessoal anda a fazer de conta.
O problema vem da ideia criada de que o maior dos fracassados é o não apaixonado. Ter uma moradia de 500 mil euros, um carro topo de gama ou uma carreira profissional são sinais evidentes de sucesso, mas que nada valem se não houver sinais exteriores de enamoramento. Um cidadão que não esteja apaixonado é um fracassado, um falhado. Os vizinhos, os amigos dirão: "é um triste, tanto dinheiro e não sabe o que é o amor".
Os casais para evitar serem catalogados como fracassados lá aproveitam o dia dos namorados para escarrapachar toda a paixão que, diga-se, na maioria dos casos está muito acima da sua realidade. Felizmente, não há a ameaça de aparecer alguma instituição, como as finanças, e exigir: "ora mostre lá de onde vem toda esta paixão. O que os senhores declaram não dá para este louco amor".
Isto para não falar na incongruência de várias mulheres que insistiram em casar, pois não podiam continuar como meras namoradas para sempre, que isso não era vida e, no entanto, chegado o dia de S. Valentim, exigem ser tratadas como namoradas. Não senhora, ai queriam festejar o dia dos namorados? Tivessem pensado nisso antes.

Obviamente, para muitos de nós o que torna todo este roteiro do romantismo bastante aceitável, e até entusiasmante, são os menús gastronómicos. O cardápio de uma relação a dois é deveras diversificado e apaixonante. Peixes grelhados e mariscos no Verão, rojões em Novembro, cozidos em Janeiro, cabrito em Abril e sardinha em Junho. Para além dos menús sazonais, o enamorado pode esperar ainda os medalhões, o arroz de pato, as espetadas, as parrilhadas ou o bacalhau. Toda a gente sabe que quando se começa a namorar se entra noutro nível do mundo gastronómico. É como se toda a pirâmide alimentar fosse refeita a partir do momento que se inicia uma relação, porque a dieta diária tem de dar resposta aos gastos e exigências da "paixão".
O amor sustenta-se com uma alimentação diversificada e criativa. A refeição é a expressão máxima da paixão numa relação a dois. Sem a boa gastronomia, grande parte dos casais não realizaria as suas fantasias. Através da gastronomia, explora-se a novidade, o design, a estética, o desejo, o requinte, a vulgaridade, a satisfação, a transgressão, o risco ou a desilusão. Se não fossem os momentos nas mesas dos restaurantes e em casa, os casais não saberiam como estimular as relações. São as garrafas de tinto e de branco, os coentros, o alecrim, o tomilho, as malaguetas, os pimentos, os estrugidos, as carnes suculentas, os peixes frescos, as batatas ou o arroz, entre tantos outros, que trazem entusiasmo e novidade aos relacionamentos.

E o casal sabe que será sempre assim, mesmo quando o desejo pelo outro esfria. Pelo menos até à primeira trombose. 

* Urge alterar a pirâmide alimentar oficial e adequá-la às necessidades dos casais, sob pena do governo estar a promover uma pirâmide que põe em causa a sobrevivência da instituição do matrimónio tal como o conhecemos.

Se não for possível variar, surpreender e experimentar na comida, como poderá sobreviver o casamento?

10
Fev09

Peixe? Galo? Uma boa surpresa no Expositor

Convidado

Era uma vez os três…os três mosqueteiros (eu e os meus tios Manuel e São, de Gouvinhas - Sabrosa) mais o D’Artagnan João Paulo, que decidiram entrar em acção no Restaurante Expositor, em Braga, para defrontar um duelo gastronómico. Espadas deixadas à porta, frente à imagem do “Cardeal Migaitas”, sim porque se fosse o Richelieu nunca baixaríamos as armas, cumprimentos feitos ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Braga, presença habitual no espaço de culto Migaitas, apaziguamos os nossos estômagos com uns bons petiscos de entrada, desde requeijão com doce de abóbora, alheira salteada com grelos e um folhado de galinha com legumes. Como o dia de quinta-feira se avizinhava árduo, decidimos “Um por todos e todos por um” escolher, como primeiro prato, peixe-galo grelhado com batatinha a murro e grelos, seguindo-se a posta com arroz e mais uma travessa de grelos. Escoltando tal repasto, um bom Douro tinto ‘Quinta de Vale Abraão’.

Tudo estava delicioso, como é apanágio da casa, mas o mais surpreendente foi o peixe-galo grelhado, dotado de uma carne branca, consistente e saborosa. O peixe-galo deve o seu nome a um conjunto de barbatanas que fazem lembrar a crista do galináceo, mas os franceses designam-no por "Saint-Pierre", em virtude das duas manchas negras que possui (uma de cada lado do corpo). De facto, reza a lenda que S. Pedro terá encontrado uma moeda de ouro na boca do peixe e, ao retirá-la, terá deixado impressas as marcas das suas mãos no habitante marinho...

Embora não deva muito à beleza, porque possui uma cabeça grande e uma enorme boca de mandíbula inferior proeminente, o peixe-galo é considerado um entre os melhores peixes de mar. Como diz o ditado “quem vê caras, não vê corações”. O que não percebo é porque é que uma boca grande no oceano é sinónimo de fealdade e no mundo térreo é digno de adoração e desejo; ainda bem que a Angelina Jolie não vive no fundo do mar.

Não houve tempo para sobremesas porque outras aventuras e trabalhos se nos aguardavam. Mas vamos continuar a cantar de galo por esse país fora!

A. Corunha

09
Fev09

O pior pesadelo de um Chispesiano

Marco

Esta história da crise afecta tudo e todos! Um indivíduo até pode pensar que só chega aos outros mas mais tarde ou mais cedo ela chega como um rato a esgueirar-se por entre as frinchas de uma parede rachada e entra pela nossa casa dentro!

Certo que à actividade comedorística só chega a crise quando nós deixarmos, o mesmo não se pode dizer de cada um de nós e neste caso o desgraçado fui mesmo eu. Fui assolado pelo pior pesadelo que um confrade de primeira estirpe pode ter… problemas nos dentes!

Este sábado que passou, levantamo-nos todos cedo, metemo-nos no melhor carro que podia transportar o homem e lá rumamos em direcção a Celorico de Basto mais propriamente para Barrega com o objectivo de visitar a Quinta da Fontinha onde fomos muito bem recebidos. Depois da matraquilhada do costume onde mais uma vez a equipa habitual se sagrou campeã intergaláctica, demos lugar às entradinhas que faziam adivinhar um repasto generoso. Chouriça com grelos, Feijoada, polvo, presunto, chouriço, estava tudo de maravilha e serviu para amansar o espírito e abrir o apetite para o fantástico bacalhau, a posta excelente, tudo isto acompanhado com umas batatas a murro deliciosas… fantásticas mesmo! No final, e porque tínhamos ido em missão de trabalho, mandou-se vir umas perninhas de polvo para encerrar o repasto sempre regado com o verde da casa que escorregava demasiado bem. As gulodices variaram entre Bolo de Bolacha, Mexidos, Molotov ou Romeu e Julieta!

Se para alguns foi uma refeição em pleno, confesso que para mim e devido ao meu handicap, tive que optar pelo bacalhau por ser melhor “mastigável”, sendo que não me escusei a provar um pedaço da bela carne que foi servida. Dei comigo a pensar que para quem gosta de comer, os dentes são uma ferramenta essencial… e como ando a fazer algumas correcções à cremalheira prevejo tempos difíceis e de grande crise… temos todos que aguentar!

É como vos digo… a crise toca a todos!