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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

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11
Jul08

Taberna da Laurinda

Paulo

Uma das reacções químicas mais conhecidas no organismo humano é a que é despoletada pelo Sol e pelo calor e que resulta na necessidade premente em comer peixe e marisco. Nesta altura do ano, todo o ser humano sente um chamamento para a costa em busca de se satisfazer dessas iguarias provenientes do mar, sempre acompanhadas de muito vinho branco ou cerveja.

Recentemente, tive que voltar a cumprir esse nosso destino e, com um grupo de amigos, deixei-me ir até Castelo de Neiva. Aí, encaixada numa duna, encontramos a Taberna da Laurinda, onde somos recebidos pelo próprio dono, já que em país de engenheiros e doutores por vezes é difícil de conseguir contratar quem queira servir à mesa “nem que seja por um salário de 800 euros”, como ele nos confidencia.

O nosso destino ia cumprir-se através de uma caldeirada de peixe (isto depois de vários telefonemas nos dias anteriores para ter a certeza que não se aproximava nova greve dos pescadores e que não nos ia faltar o peixinho português fresco na panela). Mas antes do prato principal veio um camarão com um molho dito à angolana que estava de lamber os dedos. Aliás, já é uso na casa a travessa não voltar para a cozinha enquanto não se der cabo de todo o molho, recorrendo para o efeito a todo o pão a que se possa deitar mão.

Entretanto, já era um ver se te avias para darem vazão à nossa insaciável sede. Felizmente, na Taberna da Laurinda serve-se um verde branco da casa muito bom, de beber e pedir muito mais.

Chega a vez, então, da ansiada caldeirada que nos conquista de imediato pelo aspecto e pelo aroma. Segue-se o jogo do adivinhar que peixes estão lá dentro, que é tão difícil para gajos citadinos que até à idade adulta só queriam ver carne à frente como acertar nos números do euromilhões: “Isto é sardinha!” “Sardinha numa caldeirada? Tás doido?” “Bacalhau? Tubarão? Lagosta?” “Congro é peixe? Não é um país em África?”

O que interessa é que a caldeirada vinha bem recheada e com uma boa diversidade de peixe. Pelos vistos, naquele dia tinha havido combustível suficiente para uma boa pescaria. Demos todos nota máxima, a caldeirada estava excelente, e ficamos absolutamente satisfeitos, com o sentimento de dever cumprido.

Para sobremesa, estivemos quase para pedir um robalo assado maravilhoso que vimos passar, mas acabamos por ficar por coisas mais tradicionais, como o leite creme ou a salada de frutas.

No final, nada melhor do que poder fazer a digestão caminhando pela praia (que fica literalmente ali ao lado) com um charuto e um copo de whisky ou na companhia de uma bela mulher (ou de um homem, ou de uma mulher e de um homem, ou de uma ovelha; aqui no “Chispes e Couratos” não fazemos discriminação). Desta vez, tive que me contentar com o tabaco e a bebida…

 

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