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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

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13
Nov08

A matança, relato de uma experiência alucinante

José Manuel

Nem sei como começar este texto, tais as sequelas que em mim ficaram após estes dois magníficos dias.

Já passaram alguns dias e ainda tenho “flashbacks”… vejo travessas de cozido, iscas de fígado… garrafões de vinho e copos de cerveja, enfim, tem sido muito duro.

Até vejo indivíduos a devorar avidamente pastilhas de “Rennie”.

Tudo começou no Sábado por volta do meio-dia e meia, hora a que chegámos a Morgade, terra do nosso anfitrião. Pendurados no tecto e devidamente alinhados encontravam-se nove magníficos exemplares da raça suína, ou seja, sete porcas e dois porcos!

Fomos recebidos com um “f***-se, tava a ver que não vinhas!”.

Ah! Como é boa a hospitalidade transmontana…

Mal entrámos no salão sentimo-nos em casa, por todo o lado havia mesas com comensais, havia travessas que pareciam voar em direcção às mesas, havia garrafões de vinho em todas as mesas, e mal nos sentámos na nossa mesa… foi o começo do fim.

De imediato apareceram duas travessas com aquilo a que na minha terra chamámos “verde”, que não tem nada a ver porque afinal até é vermelho, ou seja, sangue de porco cozido, regado com azeite e coberto com cebola crua em rodelas. Até os mais esquisitos da mesa se sentiram tentados a provar, e que bom estava; surgem vindos sabe-se lá de onde, (eu por acaso até sei, foi das mãos da Tânia), dois pratos com fígado frito, suculento e tenro, muito saboroso, acabadinho de sair dos ditos nove que estavam pendurados no tecto.

Esqueci-me de dizer que entretanto já estava debaixo da mesa o nosso fiel garrafão de vinho, sim, porque não fizemos a coisa por menos e a Tânia, conhecedora das nossas capacidades, nem pensou sequer em trazer canecas para a nossa mesa e presenteou-nos com um garrafão de 5 litros de um belo vinho tinto da região.

De seguida vieram os miúdos de porco fritos, quentinhos e saborosos e por ali nos mantivemos até cerca das 15 horas, hora a que fizemos um intervalo pois às 16 horas saíam as tripas à moda do Porto… e que boas estavam, sempre acompanhadas pelo bom e fiel vinho tinto.

Antes, tivemos ainda tempo para um pequeno passeio pela magnífica paisagem transmontana, sempre com a bacia hidrográfica da barragem dos Pisões na linha do horizonte.

No fim das tripas, fomos jogar a malha (para alguns) ou fito (para outros), foi das coisas mais surreais que já vivi…quatro indivíduos que pouco ou nada percebiam da coisa, e tendo em conta que a tarde já ia longa e o garrafão também, podem imaginar o resultado.

Entretanto, fomos à pousada da Mijareta (recomenda-se), local onde estava previsto pernoitarmos, colocar os nossos parcos haveres, e aí começou um verdadeiro périplo para a aquisição de cigarrilhas, pois sabendo de antemão que a noite nos reservava ainda um cozido à portuguesa, era de primordial importância a aquisição das ditas. Posso dizer-vos que corremos meia vila de Montalegre na nossa demanda, mas conseguimos encontrá-las numa pastelaria.

Posto isto, regressámos a Morgade. O cozido estava soberbo! Couves do quintal do Miranda, carne de porco caseira, tudo divinal. Foi aqui que abrimos as hostilidades com o segundo garrafão de vinho, e devo dizer-vos que foi uma batalha tremenda! Chegámos a vacilar, mas não desistimos!

Depois das sobremesas, fruta ou doces variados, que eram muito bons, eis que o Miranda pergunta se sabemos fazer uma queimada… Como as fotos atestam, tanto sabemos que a fizemos! (para espanto de muita gente que nunca tal houvera visto!!! Nem bebido)

E assim se continuou pela noite dentro, cantando e dançando ao som de um grupo de música popular bem animado que lá se encontrava.

Pelas onze e meia da noite, já nós bebíamos finos e comíamos castanhas assadas na fogueira para todos.

À meia-noite, já só os resistentes é que se atreveram a comer o caldo verde, escusado será dizer que todos nós comemos… e por ali ficámos a jogar às cartas por mais algum tempo.

Depois do merecido descanso, regressei à minha terra e não participei no almoço de Domingo, mas segundo me contaram já, manteve-se dentro do mesmo registo do que acabo de vos relatar.

Um grande bem-haja para o Miranda e para aqueles que comigo arriscaram tão árdua empreitada.

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