Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
Pornogastronomia

Um vídeo da autoria dos Cavalheiros do Apocalipse.




Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
Gourmet para totós

Desde já, os votos de um excelente último jantar de 2010 e um óptimo primeiro almoço de 2011. Quanto aos restantes, vamos conversando.

A proposta para esta noite é um desafio à minha paciência, uma demonstração de que sou um homem de fé  ou a prova física e material que faltava de que a ignorância não é feia, até é enternecedora. Nunca me passou pela cabeça mudar a junta da colaça ao meu próprio carro (talvez porque não perceba nada de mecânica ou, se calhar, apenas porque tenho partilhado a minha vida com Mercedes e Toyotas) e, no entanto, aqui estou na presunção que lidar com panelas e temperos não é nada fora do alcance de quem saiba ler.

Sim, se as coisas correrem bem, haverá certamente consequências para a comunidade de cozinheiros e chefs e toda a indústria de restauração contemporânea. Teremos de concluir que toda esta quase ciência gastronómica actual é uma farsa. O que, bem vistas as coisas, não traz grande mal ao mundo. Para quem assistiu à invasão do Iraque, ao pânico gerado pela gripe A, à crise dos mercados, aos governos de Portugal nos últimos 30 anos, os devaneios gastronómicos são bem divertidos e pueris.

Entreguemo-nos aos prazeres da comida e bebida para esquecer que os senhores do FMI já andam pelos nossos hotéis e restaurantes, a encher o bandulho com os pedaços mais elitistas das vitelas portuguesas ou com peixe mais seleccionado do que espermatezóides na corrida para o óvulo e ébrios com algumas das nossas melhores garrafas, enquanto se divertem em reuniões inesquecíveis com os nossos governantes para decidir o futuro económico próximo. Este país é tonto.

 

 

Ementa para jantar de 31 de Dezembro de 2010:

- Camarão e mexilhão salteados em azeite, alho e coentros

- Lascas de bacalhau em crosta de mostarda, mozarella e ervas frescas sobre molho agridoce com maça

- Salmão no forno gratinado com queijo parmesão e ervas frescas

- Batata recheada com salmão, em queijo mozzarella fresco e alho francês

- Tornedó com foie gras e cogumelos frescos

 

Bebidas

Alvarinho (Melgaço)

Bordéus Tinto

Alentejano Tinto

Champagne Brut francês


tags:


Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
A melhor carne de porco à alentejana... numa taberna algarvia

Voltar a terras alentejanas é sempre uma façanha gastronómica. Desta vez, a paragem foi pela costa... baías surpreendentes, praias sossegadas e horizontes de rocha íngreme a fazer frente ao mar. Às tantas, demos por nós a saborear uma boa comida caseira alentejana... no Algarve, mais precisamente, na vila de Odeceixe, no Concelho de Aljezur.

 

Três nortenhos ávidos por satisfazer os seus desejos de comida típica da costa alentejana e vicentina descobrem, por mero acaso, na hora do almoço, uma taberna onde o menu do dia é-nos logo apresentado a giz, numa lousa preta, à entrada da porta, com a indicação dos preços. No exterior, um painel pintado por artistas locais evidencia a história da vila. Pareceu-nos apelativo e familiar. Entrámos na Taberna do Gabão.

 

O ambiente afigurou-se-nos, de imediato, agradável e descontraído e a simpatia dos empregados uma nota relevante. Após a nossa encomenda, o empregado diz sorridente “Vamos a isso” (faltou apenas dizer, compadres). A ansiedade foi travada pelas entradas, compostas por pão, azeitonas, algumas pastas caseiras, e a deliciosa cenourinha às rodelas, embebidas em azeite e alho, um verdadeiro “sol à mesa”.
Mas, para começar a compor o estômago, nada melhor do que uma deliciosa e aromática sopa de peixe, de “chorar por mais”. Enquanto os meus amigos pediram uma feijoada de búzios, altamente recomendável para os amantes dos ditos moluscos, eu escolhi a melhor carne de porco à alentejana que já comi, bem servida em prato de barro. Um sabor intenso a vinho, alho e coentros, qual digníssima santa trindade. Quase que como a iniciarmo-nos num culto, os meus amigos decidiram lá voltar no dia seguinte para atestar da veracidade do título por mim conferido e eu, como não já tinha dúvidas, decidi provar a espetada de peixe, com cherne fresco e suculento, servida com batata, inclusive a doce, legumes e cenoura ralada com um molho fantástico (de tão bom que, no final da refeição, pedi mais um pequeno prato). A decisão foi unânime. Melhor carne de porco alentejana, não conhecemos. A nossa sugestão, para o prato se tornar divinal, recai em salpicar a iguaria com um pouco de coentros frescos.

 

Como a qualidade da comida e do serviço caseiro são, indiscutivelmente, a marca da casa e como não há duas sem três, gostaria de lá voltar e degustar outras iguarias caseiras como a feijoada de choco e polvo e o arroz de tamboril, num cenário sereno tão característico da região. Há acasos que valem mesmo a pena!


A. Corunha



publicado por Convidado às 18:42
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
Se for pouco faz bem... se for muito faz mal(II)

Desisti eu de uma carreira científica a pensar que era uma vida difícil e ingrata e andam inteligências a mandar diariamente cá para fora estas conclusões extraordinárias. Estudos assim, faço eu 10 a 15 por dia e não falho nenhum.

Por exemplo, leitão assado barradinho com molho e batatas fritas às rodelas é bom para os intestinos. Quer dizer, se for pouco faz bem, se for muito faz mal. Quando os aviões caem nos poços de ar, se for pouquinho, até faz bem ao coração, se for muito (aí uns 10 mil metros), já faz mal.

 

De que me adianta dizerem que um pouquinho de uísque faz bem? Utilizem medidas, se fazem o favor. Ora a medida internacional do uísque é o dedo. Digam-me, quantos dedos de uísque se pode beber. E o vinho? Só se pode beber um chisquinho por dia? O que é isso? Quero a medida em copos. Um copo quer dizer o quê? Copo de balão? Ora bem, pode-se beber dois copos de balão por dia, isso equivale quase a uma garrafa. Um copo quer dizer cheio, se não era meio copo. Ora, um copo de balão serve-se até meio (por causa dos aromas), então posso afirmar que a medida certa são quatro copos de balão por dia.

Mas claro que estaríamos a ser injustos com a ciência actual, se imaginássemos que só se dedica a estudar estes assuntos. Não senhor, há milhares de outras pesquisas que têm contribuído para o desenvolvimento do conhecimento humano. Por exemplo, o consumo de sardinhas, figos secos, ovos e abóbora aumentam o brilho e a resistência das unhas. Mel, chocolate ou bananas contribuem para vidas sexuais mais interessantes. Alho estimula a dilatação das coronárias, o azeite é antioxidante, os coentros são bons desinfectantes dos intestinos e os cominhos combatem a flatulência.

 

Tudo isto para concluir que a gastronomia tradicional há muito que tinha chegado às mesmas conclusões que esta carrada de investigações científicas, apresentando-nos pratos que são autênticos tratados de ciência nutricional, com soluções brilhantes para a saúde do corpo e da mente. Não é por acaso que dos pratos típicos dos portugueses não faz parte o peito de peru grelhado com arroz integral cozido nem as doses são medidas em colheres. Bem ao contrario dos planos dietéticos monótonos.

 

Não senhor. O nosso sábio povo deixou-nos um farto património com as maiores invenções da ciência gastronómica mundial, como pezinhos de coentrada, que num só prato conjuga as maravilhas do alho, azeite, vinho e coentros (ora digam lá que não é genial); papas de sarrabulho, uma solução engenhosa para reunir as qualidades dos cominhos e do azeite; ou o cabrito assado, em que os nossos antepassados, depois de apurados estudos, conseguiram juntar vinho, alho e colorau - que contribui para baixar o mau colesterol.

Foram séculos de pesquisa intensiva, na qual eu confio totalmente.



publicado por JP às 01:33
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 6 de Maio de 2010
A filha da putice e a educação

Desde pequenos que somos atormentados pelo fantasma da educação no que toca à gastronomia.

 

É não arrotar, colocar o guardanapo em cima do joelho, não apoiar os cotovelos na mesa, não mastigar de boca aberta, garfos à esquerda facas à direita, a artilharia dos copos, os vários talheres, já para não falar na ordem estudada dos pratos ou etiquetas em restaurantes! Enfim, um sem número de regras que determinam a boa educação de uma pessoa à mesa.

Todo este manancial de boas maneiras demora tempo a aprender, exige muito ralhete por parte do educador e muita chatice por parte do aprendiz. Quando chegados à idade adulta verificamos que o esforço valeu a pena e que até dá jeito para os almoços de negócio ou jantares em casa da sogra!

 

Posto isto, descobri que só vale a pena comer com pessoas educadas, e que, acima de tudo, tenham a elegância de se saber servir em primeiro lugar!

Pode à primeira vista parecer estranho, mas são só vantagens. Uma pessoa educada não ataca a travessa como se não houvesse amanha. Serve-se relativamente a medo e tira sempre os pedaços mais pequenos. Tem cuidado a escolher para não ficar mal visto, e no final, insiste que não quer aquele ultimo bocadinho delicioso e que tanto prazer nos vai dar!

E no vinho??? Uma maravilha! Um conviva educado serve sempre primeiro o colega, e só depois serve-se a si. Se o vinho acabar ele sacrifica-se e fica com menos para ficar bem visto aos olhos dos restantes!

 

Na realidade são só vantagens, e como pessoas educadas, seria até de mau tom não tirar partido da educação dos outros.

Pode parecer uma filha da putice, mas a verdade é que se não o fizéssemos, estaríamos a negar uma oportunidade de ouro àqueles que efectivamente querem parecer educados.




Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Se for pouco faz bem... se for muito faz mal (I)

Quem esteve atento, na última década, aos resultados dos principais estudos científicos na área da nutrição tem de concluir que grande parte dos planos alimentares actuais está desajustada da realidade.

 

A avaliar pelas maiores descobertas científicas recentes, deveríamos consumir diariamente:

- Uísque, porque facilita a digestão e previne as doenças cardiovasculares;

- Aguardente vínica para evitar a formação de tumores e porque é uma grande amiga do coração;

- Vinho tinto para reduzir em 35% o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (para quem ainda acha que o coração não está bem protegido com o uísque e a aguardente) e defender de bactérias, tumores e doenças degenerativas;

- Cerveja preta para prevenir processos inflamatórios e evitar a descalcificação dos ossos;

- Cerveja loirinha porque também é amiga do coração e, já agora, uma ruiva porque não é menos que as outras e também aumenta a produção da serotonina, um neurotransmissor;

- Espumantes para alargar os vasos sanguíneos, aliviando a pressão cardíaca e cerebral.

E vamos ignorar que agora bebidas como o martini, a caipirinha ou a vodka garantem que são todas amigalhaças do coração.

 

Ora isto dá para tirar várias conclusões. Primeiro percebe-se em que é que os cientistas têm andado a dar cabo da cabeça e porque é que ainda não conseguimos prever terramotos.

Segundo, que só com um grande esforço se consegue cumprir um plano alimentar rigoroso como este. Aos fins-de-semana é fácil, mas de segunda a sexta é preciso força de vontade. E a coisa tem de começar logo ao pequeno-almoço, talvez com uma mini preta e uns tremoços, que são ricos em proteínas, cálcio, fósforo, potássio, ferro, fibras e ómega 3 e 6. Os tremoços são tão maravilhosos, que deveriam ser considerados alimento de interesse nacional. É excelente para os ossos, para facilitar o trânsito intestinal, para controlar a taxa de açúcar no sangue, o colesterol, reduzir o apetite e renovar células.

A meio da manhã, talvez uma aguardente vínica com duas bolachas maria e ao almoço a dose diária de vinho tinto. As restantes cervejas têm ficar para o jantar. Não esquecer o uísque, talvez na ceia, que ajuda a dormir. E mesmo que não haja razões para festejar, brinda-se ao facto de continuarmos vivos com um ou dois flutes de espumante bruto.

Uma terceira conclusão, é que a maioria destes estudos não revela dados muito precisos. O que me parece é que os resultados são sempre os mesmos. As tretas das quantidades: se for pouco faz bem, se for muito faz mal. É estranho ver cientistas a mandar conclusões mais ou menos a olho. Isso é o mesmo que um biólogo falar de um ser vivo “mesmo, mesmo pequerruchinho, de um milésimo do tamanho de um pentelho. Ou numa conferência de imprensa da Nasa informar-se que um cometa se está a aproximar da terra a toda a bolina, a uma velocidade do caraças.




Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
O fim do top ten

É raro não se utilizar os tops como filtro para compreender o que se passa no mundo. O top dos 10 melhores restaurantes; dos melhores filmes; das melhores nádegas; dos melhores jogadores; das maiores guerras; das personalidades do século; dos piores ditadores; dos terramotos mais devastadores; das melhores lampreias.

Sem os tops, a malta sente-se perdida. O mundo parece não fazer sentido. Dizer que algo é bom, é muito pouco. É melhor do que quê? Em que lugar é que está? A apreciação fica incompleta sem a comparação. Não está no top, então não é nada de especial. Morreram 30 mil? Mas quer dizer que foi das dez piores catástrofes ou não? Abaixo dos 50 mil não entra no top 20. Qualquer jornalista sabe disso.
As pessoas não querem a experiência, a descoberta, o erro. Querem  ir pela certa. Querem que lhes digam o que devem experimentar. Não vá andarem a consumir livros, filmes, comida anos a fio e, às tantas, descobrirem que nada daquilo estava num top de jeito. Eu já estive em 3 dos 10 locais a visitar antes de morrer; já fui a 1 dos 10 melhores restaurantes; já experimentei as 10 posições mais excitantes no sexo; já fiz as 5 coisas mais importantes para salvar o casamento e já adoptei os 10 hábitos essenciais para evitar o aquecimento global.

Mas a abordagem pelos tops é muito redutora. Expõe a nossa tendência para simplificar. Não convivemos descontraidamente com o excesso de informação. É comum recorrermos aos tops para lidarmos com a história. Veja-se as maravilhas não sei de quê e o maior português. Ou o futebol. Se não houvesse top, como seria a vida do Cristiano Ronaldo? Desculpa lá, rapaz, mas não és o melhor do mundo, aliás, também não estás entre os quatro melhores do mundo. Ah, é verdade, e não marcaste o melhor golo da época. Ah, e já me esquecia, também não lideras o top dos maiores parolos portugueses. Simplesmente, porque não há tops. Acabou.
Não sabemos lidar com o "Bom", "Excelente", "Mau", "Mediano", "19 valores", "Porreiro", "Agradável", não senhor, recorremos logo ao "vai para o meu top". Isso é fácil de dizer quando estamos a falar de apenas três ou quatro a concurso. E se forem dezenas? Ou milhares? A maior parte dos tops fazem-se pela discriminação de muitas das opções. Acreditem, há um verdadeiro Apartheid do gosto; e da cultura geral; e do bom gosto; e da análise qualitativa na generalidade.
Há que adjectivar e não «topificar».
É crocante? É. É macio? Tenro? Fresco? É. Pronto. Chega. "Mas diga lá se não é o melhor que já comeu?" Esta pergunta é constantemente feita pelos donos dos restaurantes, por falta de modéstia ou para fazer lobby para entrar nos tops. Depois de lá entrar é difícil sair. Cria-se o mito e já se sabe que os mitos têm vida própria. "Dizem que é o melhor restaurante do ano. Tem o melhor bacalhau do mundo". Pois, alguém os mandou para o top e a coisa torna-se logo sagrada. Mesmo quando não concordamos, está no top. "É pá, eu não gostei muito, mas dizem que é dos melhores". Incrível, os tops sobrevivem às experiências individuais e ao confronto com a realidade. Correu mal? Foi um mau dia. Não faz o meu género. Estava constipado. Vinha de uma lesão. Há sempre uma desculpa, mas do top ninguém o tira. É como o Platini.
E vamos lembrar os esquecidos do top. Quantas vezes preferimos não experimentar um restaurante porque nunca ouvimos ninguém dizer que estava entre os seus favoritos. Provavelmente, nem vale a pena experimentar.
Os tops são utilizados para os seus autores se armarem. Não para valorizar, mas para auto-prestígio. Se eu fizer o top dos 10 melhores vinhos do mundo, todos vão dizer: e o cabrão bebeu os 10 melhores vinhos do mundo. Fora os que colocou entre os 11º e o 20º lugar. Pois.

Isto a propósito da noite da lampreia na Taberna da Laurinda. Duas lampreias à bordalesa para quatro indivíduos. O dono lançou o isco: "é a melhor ou não é?" Não sabemos, foi a resposta. É excelente. Quer que diga mais: é deliciosa, mas esqueçamos o top.
O vinho verde tinto, da região de Amarante, talvez tenha sido o melhor que já provei. Ah, ah, apanharam-me.
Não senhor, estava que se trincava. Tinha corpo e uma acidez bem controlada.
E foi uma noite à Chispes, como já não tínhamos há algum tempo. Um ambiente intimista e uma entrega total ao prazer gastronómico. Como se não houvesse colesterol. Nem conta para pagar nem uma viagem de regresso. Sabe realmente bem. Foram noites como esta que fizeram dos Chispes aquilo que os Chispes já foram e que hoje poucos sabem o que é.




Sábado, 30 de Janeiro de 2010
As gaffes e as “atenções” dos restaurantes

Há algumas frases que constituem autênticos clássicos da restauração nacional:  “esse prato já acabou”, “esse vinho está esgotado”, “é a última garrafa deste vinho”, “desculpe, mas a(o) cozinheira(o) é nova(o) na casa”, “as batatas que pediu foram para outro cliente” (esta ouvi-a há pouco tempo num restaurante que frequento habitualmente. Lamentável sobretudo porque fui a primeira a solicitar as ditas batatas), “confesso, o frango é da hora do almoço”,  …. (podem acrescentar as que vos espicaçar).

Será tão difícil eliminar do cardápio os elementos em falta? Porquê criar no cliente “água na boca” se depois o vinho pretendido que lhe ia matar o desejo acabou? Falta de etiqueta e protocolo nos empregados?

Porém, há gestos inolvidáveis que marcam a diferença como receber surpreendentemente, no final de um jantar de terça-feira, uma broa acabadinha de sair do forno de lenha (“só para as meninas”, disse a empregada do Restaurante Vale do Homem, em S. Vicente do Bico – Amares), uma flûte de espumante no hall de entrada e uma fotografia a dois para marcar o aniversário da cliente (Restaurante Papa Boa, em Guimarães), uma peça de louça “roubada” (Tasca do Celso, em Vila Nova de Milfontes), uma sobremesa da casa oferecida apenas à primeira visita do cliente (vale a pena provar no Restaurante Arafat, em Braga), ou mesmo o tradicional licor Beirão, whisky ou um chá para a digestão (Restaurantes Adão e Eva, Sabores do Barroso e Café do Adro, em Barcelos, Braga e Viana do Castelo, respectivamente).

Como seria agradável que todos os restaurantes primassem por tratar o cliente como um ser único e especial…eu, embora goste de conhecer novos espaços gastronómicos, sou fiel aos restaurantes que me tratam bem.

A. Corunha



publicado por Convidado às 11:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
O Natal é uma porcaria

O comentário de um amigo no facebook instigou-me a dar alguma atenção ao outro lado desta loucura alimentar do Natal. Dizia ele, Paul Ming, que esta é a "época festiva mais temida pelas etars e pelos seus dedicados funcionários". Dá para ficar introspectivo.
Portugal aumentou 19,3 mil toneladas de peso e este número não vem só. Um quilo de gordura corporal equivale a 7700 Kcalorias. Isto quer dizer que Portugal consumiu em excesso 148.610.000.000 de calorias. Dito de outra forma, e para quem não conseguiu ler o número anterior: cento e quarenta e oito biliões e seiscentos e dez milhões de calorias em excesso. Em EXCESSO. Ide para o raio que vos parta.


Nas minhas contas, Portugal necessita sensivelmente de 22 biliões de calorias diárias, que resultam num consumo mensal de 660 biliões de calorias para pôr este país a andar. Numas singelas três semanas, apenas 65% da população portuguesa impôs um acréscimo no consumo calórico de 22,5% relativamente às necessidades mensais de todo o país. Terrível. É óbvio que Portugal tem um imenso problema energético. Para ficarem com uma ideia, este consumo em excesso é o equivalente a quase 100 mil vitelos ou 66 milhões de frangos.
Voltemos às etars. Tendo em conta a produção diária de fezes por cidadão (cerca de 150 a 200 gramas), o referido acréscimo no consumo calórico poderá ter gerado, neste período, um excedente de 13,5 mil toneladas de excrementos. O Paulo tinha razão. O Natal é o período menos bonito de se viver numa ETAR. O Natal não é para todos.
Mas a análise é mais dramática. A produção diária de excrementos de, por exemplo, um vitelo é cerca de 50 kg. De um porco, 6kg. Este aumento calórico foi sustentado com um aumento da produção animal e, necessariamente, das suas fezes. Mas há mais. A produção animal para sustentar as necessidades alimentares humanas são claramente uma fonte de agressão sem paralelo ao meio ambiente. Veja-se que um vitelo bebe 35 litros de água por dia e exige mais 90 litros para a higiene diária. Água que cada vez mais nos faz falta. Nós humanos somos bem mais poupados. Aliás, por isso é que eu tenho vindo a recorrer a substitutos, como o vinho.
E senhores, a produção de gases? Animais como as vacas são responsáveis por um aumento de 18% do aquecimento global. Para os defensores de que a terra está a aquecer devido ao homem, o contributo destes animais é superior ao do nosso sistema de transportes, apenas 13,5 %. Cada vaca envia para a atmosfera, todos os anos, 500 litros de metano.
E o ser humano? Com o Natal, aumentaram as comezainas, as conversas, as berrarias à mesa e as bebidas com gás. Falar enquanto se come e os ousados hábitos alimentares devem ter aumentado em cerca de 300% a flatulência dos portugueses.
Não se iludam, o Natal é uma grande porcaria.


tags:


Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
O peso de Portugal

Portugal engordou. Portugal ficou mais pesado. O entorpecimento e a apatia causadas pelas experiências traumáticas das festas natalícias fazem com que não reparemos no mais óbvio e, simultaneamente, no mais alarmante. Num estudo que realizei nos últimos dias, fui sacudido por um extraordinário resultado. Portugal terá engordado cerca de 19,5 mil toneladas (19,5 milhões de quilos). Assustador. Os dados já foram vistos, revistos, revirados e os resultados lá continuam inabaláveis e impiedosos. Estamos muito mais gordos.


Resumidamente, estas conclusões baseiam-se numa recolha sistemática de testemunhos: "estas festas engordei no mínimo 3 quilos". As contas são fáceis de fazer, exclui-se (talvez mal, mas exclui-se) o número de portugueses que vivem na pobreza, multiplica-se por 6,5 milhões e já está: 19,5 mil toneladas de gordura. Em menos de um mês, acumulamos em território nacional milhões de quilos de massa adiposa. Fala-se do avanço do nível das águas do mar, mas em poucas semanas Portugal ficou mais pequeno para todos os portugueses devido ao enfardamento típico do Natal.
As consequências são difíceis de inventariar. Os transportes públicos levam menos gente. Convinha que revissem aquelas informações relativas ao número limite de passageiros sentados e em pé. Onde antes cabiam dois, cabem agora 1,8 portugueses. Alguns ligeiros de cinco lugares passaram a ser ligeiros de 4,83 lugares.
Portugal já não é o mesmo na cama. Portugal é, agora, um amante mais lento, preguiçoso, acomodado e menos dado a loucuras. Portugal é um amante que prefere estar deitadinho, de costas, na expectativa.
Portugal é também um trabalhador menos produtivo. A fadiga e o cansaço são os convidados de honra do aumento de peso, pelo que a produção nacional deve ter caído desamparadamente.
Claro que alguns inteligentes cortam estas observações com a conclusão idiota de que estamos no inverno e precisamos desta gordurinha extra para nos protegermos do frio. Proteger-nos do frio? Onde? No nariz? Poderia ser uma verdade se não víssemos os portugueses enfiados em casacos de pele e impermeáveis de esquimós. Nesse raciocínio, os homens cobertos de pêlos, como o inesquecível Tony Ramos, têm maior probabilidade de se safarem no processo natural de selecção das espécies. Meus caros, os Tonys Ramos deste mundo, os praticantes de sumo e o típico homem português com mais de 30 anos perderam todas as vantagens competitivas com o desenvolvimento da indústria têxtil e a invenção do aquecimento central. É triste, mas temos de engolir e fazer a digestão da realidade. Hoje, um homem pode dar-se ao luxo de não ter um barriga assertiva, fazer depilação (senhores e senhoras, depilação), que não corre riscos de ser aniquilado no processo impiedoso da selecção natural. Aliás, a avaliar por vários vídeos que me têm enviado para o e-mail, eles estão a safar-se bem melhor do que nós.


tags: ,


Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Um Feliz Natal e um Farto 2010!

Desejamos a todos um Feliz Natal, bem passado à mesa com boa comida e bebida, e um 2010 repleto de grandes comezainas com familiares e amigos.

(Na imagem: Pai Natal a beber um bom vinho tinto português. A região fica ao gosto de cada um)


tags:


Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
Felizes Festas do Bacalhau

Os períodos festivos e este aguaceiro de mensagens de felicidade e paz não conseguem aliviar a sensação de que o mundo não está nada melhor. O nosso mundo está cada vez mais fodido. Guerras e terrorismo nos confins do planeta, que nos impedem de fazer turismo em tantos paraísos da Terra; aquecimento global que está a ameaçar bacalhaus, castas de vinhos e a sobrevivência dos nossos melhores enchidos; crise económica que se propõe criar milhões de desempregados e, por arrasto, transformar em classe favorecida, fascistas e exploradores, os frequentadores assíduos de restaurantes e aqueles que, como eu, convertem os euros em vinhos e comida. São as esquizofrenias da actualidade. Estouras o teu dinheiro, e o dos outros, para te encharcares com drogas, paciência, és uma vítima. Gastas os euros em prazeres gastronómicos, és um cabrão, um esbanjador insensível com tanta gente que passa fome neste mundo. Um dia destes teremos de trazer as garrafas de bom vinho em caixas de Porta da Ravessa, para não parecer mal.
Por isso, não devemos esquecer os valores que sustentam a festa do dia 24 de Dezembro e preservá-los para os nossos filhos ou para os filhos dos outros, como é o meu caso. Mesmo que os filhos dos outros me chateiem bastante nos restaurantes (devo confessar, que às vezes até me apetece deixar o meu carro a diesel a trabalhar toda a noite para ver se acelero o aquecimento global. Mas no fim de contas, o gasóleo está caro).
A noite de 24 para 25 representa o que de melhor temos nas sociedades humanas: a paixão pela comida e a total entrega, sem preconceitos, aos prazeres gastronómicos. O pai, a mãe, os filhos, os avós, os tios, os sobrinhos, os sogros, os cunhados, os enteados, os afilhados, todos reunidos numa incansável orgia gastronómica. Na noite de 24 de Dezembro não existem tabus.
A liberdade e a tolerância gastronómica é tal, que só seria comparável se houvesse uma noite no ano em que toda a família se reunisse para se entregar desenfreadamente a prazeres carnais. Por mais interessante que pareça o vislumbrar deste admirável mundo novo, cada vez mais valorizo os nossos antepassados. Eles sabiam o que faziam. Não ía ser nada bonito de se ver. Só de pensar nos avós, até me dá vontade de apagar este parágrafo. Talvez com a chegada à terceira idade comece a valorizar a ideia.
Na noite de 24 de Dezembro esquecem-se planos de dietas, evitam-se olhares acusadores para as panças alheias, abafam-se as bocas «não achas que estás a exagerar?» e bebe-se desalmadamente com a aprovação de toda a instituição familiar, da avó até ao primo em 2º grau, passando pelo irmão do sogro. Uma única noite em que ninguém te diz: "olha para as figuras que estás a fazer à frente de toda a família".
O dia 25 é o único em que nos podemos arrastar absolutamente ressacados, após várias idas à casa de banho, com os olhos remelosos e encharcados, e ser recebido na sala com sorrisos e abraços por toda a família. "És grande, és digno do teu sobrenome". E ainda ouvimos: "vocês são muito fraquinhos, quando tinha a vossa idade, só me deitava no dia 1".

O Natal é tão bom. Agora imaginem tudo isto, mas sem a família. Só num mundo perfeito.

Nestes períodos devemos lembrar-nos dos mais necessitados.  Na noite de 24 de Dezembro, já sentado à mesa, o meu pensamento vai para todos os portugueses que continuam sem provar um bacalhau de qualidade, comendo espécimes de segunda e terceira categoria, com manchas e fissuras, com azeites que mais parecem óleo e sem produtos dignos desta data. Penso em todos eles, é certo, mas a vida é mesmo assim e seria uma falta de respeito não apreciar a dádiva que o destino nos concedeu. E eu farto-me de apreciar.

Acredito que o Natal devia ser, não todos os dias, pelo menos todas as sextas-feiras. Com um bom grupo de amigos. Aos sábados, para quem não pode à sexta.  Mas este é o mundo que temos.
Desejo a todos um bom bacalhau e um excelente vinho a acompanhar.




Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
"Os portugueses e o peixe: só pode ser uma história de amor"

Este título fez-me inveja. É digno dos Chispes.

Via "A Origem das Espécies". Já aqui reflectimos sobre as especificidades da relação dos portugueses com a sua gastronomia e da incompreensão de algumas instituições internacionais. Principalmente, a questão do bacalhau.

Aqui estão números que me fazem sentir orgulho em ser português: 60 quilos de consumo de peixe per capita por ano. Há países nórdicos que não passam de uns arrepiantes 9 quilos. E com tanto bacalhau naqueles mares.

Eles que continuem a ganhar os festivais da canção.

 




Domingo, 8 de Novembro de 2009
Éclair, éclair e a vida sorri

Após um dia de trabalho árduo ou monótono (ainda mais cansativo), há quem procure descansar e outros que buscam pequenos prazeres. Eu incluo-me, na maioria das vezes, neste último grupo que anseia pelo que é doce na vida. Saborear um éclair au café, no Café do Continente, em Braga, é um desses deleites de final de tarde, a um preço acessível a qualquer bolsa.

Mas, se quisermos ocultar dos demais este prazer e evitar potenciais constrangimentos, este não é o sítio adequado, dado o elevado número de pessoas que por ali passam. No outro dia, fui apanhada com um éclair na boca, por um casal amigo que se aproximou de mim, totalmente absorta no deleitoso doce que entrava em contacto com o meu palato, e me apanhou desprevenida, rindo: “Que expressão de felicidade. Viemos interromper.” Um acto não consumado na sua plenitude. Tentei retomar, de imediato, após a sua saída, mas surpreendentemente apareceu outro casal amigo que também ia às compras e logo pensei: “Já não vou conseguir dar a minha última dentada. Outro coito interrompido”. Desta vez, um pouco mais constrangida, quase a desculpar-me do ‘pecado’ cometido, lá fui dizendo: “Adoro éclair de café, tipo francês, e sempre que aqui venho não consigo resistir-lhe”.

A vida é pincelada de episódios doces e amargos, pelo que opto por saborear os bons com intensidade, sem distracções de qualquer ordem, procurando repeti-los, vezes sem conta.


tags:

publicado por Convidado às 23:51
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos

Sábado, 31 de Outubro de 2009
As 4 Maravilhas da Mealhada

Alguns incautos continuam praí a perguntar-se o motivo do país se dividir entre Porto e Lisboa. Se, na verdade, podemos dissertar horas a fio sobre as naturezas do Norte e da Mourama, eu por mim já concluí.


Lisboa apenas existe para permitir sem pudor a nossa deslocação "em trabalho" amiàde à Mealhada, injustificável que seria a hipótese de armarmos umas 5 romarias ao ano àquela localidade. Estou inclusivamente convicto, que mais de 85% dos peregrinos a Fátima o fazem com a mesma exclusiva motivação de passar na Mealhada, mas por contenção de custos arranjaram uma desculpa de apenas ir até ao Norte de Lisboa.

Ora, se a fama a antecede, a Mealhada assim o merece. É porventura como parar no estrangeiro por algumas horas. A iguaria do Leitão ofusca numa primeira vista outras que por lá são feitas de uma forma única. Que de tão diferentes parece efectivamente que saltamos uma qualquer fronteira.

Este fim de semana no regresso do Festival Histórico do Autódromo do Algarve, fiz uso de diversos anos de estudo de matemática para determinar a hora exacta de saída conjugada com a duração da viagem numa Ford Transit carregada de ferramenta e com um carro atrelado, de forma a puder dizer… “Está na hora de jantar, mais vale pararmos aqui!”

Sem saber, pedi tudo o que gosto… alem do Leitão, um belíssimo pedaço de Pão; uma garrafa gelada de Caves de Aliança Bruto Reserva Tinto e uma garrafa de Luso para a viagem.

Haverá mote melhor que Água, Pão, Vinho e Leitão? São as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada… Sem dúvida as melhores ideias são as que vêm do estrangeiro!

 
http://www.cm-mealhada.pt/4maravilhas/
 

by Tomé Coelho




Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Adão e Eva: como se fosse sempre a segunda vez

Escrever este texto, agora, sobre o Adão e Eva desperta-me um leve travo a injustiça. Ocorre-me o prémio de carreira que a Academia de Hollywood atribuiu este ano a Jerry Lewis. Uma carreira de algumas obras maiores, que só mereceram atenção pelo seu conjunto, quando o homem já fez o check-in para a última viagem. Provavelmente, fizeram-no pelo medo de serem acusados de total indiferença pelo artista. Os prémios carreira não me convencem, são uma pobre consolação. Como se nenhum dos trabalhos tivesse realmente valor, mas somando cinco minutos aqui, dois minutos acolá, um cenário neste e uma ideia naquele, olha, até dá um bom filme.
O Adão e Eva teve um papel decisivo na história dos chispes e, bem antes disso, constituía já um espaço fundamental no meu roteiro de devoção gastronómica.
Que fique claro: este não é um prémio carreira nem um prémio de consolação nem, muito menos, um prémio injusto hoje para compensar a injustiça de ontem. Como dar o prémio de melhor realizador a Scorcese, depois de vinte anos de vários filmes incontornáveis na história, com um filme apenas bom. Ou o prémio da Fifa em 2001 para o Figo.
Como explicar este afastamento do blog do Adão e Eva?
Calhou. Nenhum outro verbo diz tão bem a razão de ser de tantas injustiças neste mundo. Calhou. E calhou mesmo. Algumas circunstâncias mantiveram-nos afastados no último ano deste restaurante. Calhou. E acabamos por nos esquecer de dizer ao pessoal que nos lê que o arroz de pato do Adão e Eva, por acaso, é o melhor do mundo. Ups, desculpem lá o esquecimento. Olhem só a nossa cabeça. Sim, o arroz de pato do Adão e Eva é o melhor arroz de pato do mundo.

Ir ao Adão e Eva pela inumerável vez é revisitar a minha eterna segunda vez. Sim, não há nada como a segunda vez; a melhor vez de todas é a segunda vez. É quando voltamos para repetir, com as sensações da primeira vez ainda a esparramarem-se sem pudor na nossa memória. É quando voltamos à procura de todas as nuances degustativas com que fomos surpreendidos à primeira vez; voltamos com o medo de que as circunstâncias que permitiram aquele pato tivessem sido demasiado frágeis e casuais que possam não se repetir. O pato a destilar a intensidade do seu estufado, o arroz escuro, que se lambuzou desavergohadamente num refugado bem puxado e o queijo, um derrame intenso de queijo que cobre e oculta por completo o arroz. A textura e a elaborada engenharia de distribuição dos alimentos por camadas. Sim, e é nesse momento que a segunda vez se afirma como a mais sublime. É quando o prazer se consuma ao nível das nossas expectativas.
Dá vontade de rir na cara de todos os cínicos que andam por aí a alardear que os prazeres não se repetem, que os momentos são únicos. Tretas. Ide para o raio que vos parta. A intensidade do prazer a comer o arroz de pato no Adão e Eva repete-se e torna a repetir-se (quase sempre). E há que dizer que é um arroz de pato que guarda ainda algumas cartadas para jogar, não vá aparecer algum arroz de pato por aí que desafie o título: as rodelas de salpicão ainda não vêm tostadas no forno; o bacon ainda não foi convocado; e até hoje nunca foi devidamente estudado o acrescento dos pinhões à fórmula original.
O Adão e Eva infelizmente não é um espaço intimista, ou no mínimo rústico, que dê a dignidade merecida à excelência de alguns dos seus pratos. É um espaço amplo em forma de «L», com mesas grandes, para eventos. Temos a sensação de uma cozinha caseira fora do seu habitat natural. Como vermos um coelho longe dos montes a fazer de animal de estimação.

Recomendo a perna mais pequena do «L», sempre se fica mais aconchegado.

Os chispes finalmente deram ao Adão e Eva o destaque que merecia e decidimos fazer o lançamento da candidatura a Gurão de 2010 (cargo máximo na hierarquia interna - uma combinação de Guru com Grão-mestre) junto a umas travessas de arroz de pato. Aqui ficam as imagens. 

 




Sábado, 10 de Outubro de 2009
Pancada

Eis o nome.
 Agora, eis a história: Já fui à pancada vezes sem conta… umas três! 
Para quem não conhece, a casa Pancada fica em Vieira do Minho, na freguesia do Mosteiro. Uma casa rústica de estilo tradicional bem vincado quer nas paredes de pedra quer nas mesas de madeira que parecem, à primeira vista, roubadas de um parque de merendas do Gerês.

O restaurante tem três especialidades: cabrito assado no forno a lenha, vitela assada no forno a lenha e papas de sarrabulho (também devem ser preparadas no forno a lenha mas não referiram porque poderíamos pensar que estavam a ser repetitivos!).

Sentamo-nos à mesa e somos logo brindados com uma salada fresquinha da horta. Escolhemos o vinho – verde branco, que é sempre o meu preferido - e esperamos pela especialidade. Na Pancada não há menu, não se pergunta ao cliente o que quer comer, nem se fala em sugestão do chefe (sobras de ontem, não?) simplesmente brinda-se o convidado com a especialidade da casa. Para todos. Sem excepção. “Olhe, desculpe, eu queria um bifinho grelhado com arroz seco… pode ser?” pede um cliente mais ousado. “Desculpe mas não temos, hoje é vitela assada no forno a lenha… é que não tenho mesmo mais nada. Se tivesse ligado antes…”
Das três vezes que lá fui tive a sorte de comer sempre a famosa Vitela assada no forno a lenha. Muito boa, sempre… O forno a lenha faz a diferença. A diferença foi o preço. Nunca paguei o mesmo pela mesma comida. Pancada? Não… é só o nome!

 

Filipe Quelha



publicado por Convidado às 15:01
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
O Restaurante que (Nunca) te Recomendarei...

Nada mais apetecível, no final de uma tarde de Verão abafada, do que estar à beira mar, mas em terras transmontanas o melhor é estar à borda d'água, sobretudo quando se encontra um restaurante com o mesmo nome, situado na bonita aldeia de Salto, perto de Cabeceiras de Basto. Um local simples condizente com a gente da terra; um espaço rústico que serve boa comida com sabor a aldeia: alheira na brasa, pão e azeitonas da região, como entrada; e as inolvidáveis e imperdíveis batatas com bacon, cebola, alho e salsa, o acompanhante perfeito de uma posta à barrosã.

A gente transmontana não tem “papas na língua” e diz o que lhe vai na alma ou, melhor, o que lhe surge no momento. É o caso da D. Maria que dirige o dito restaurante com pulso e destreza, pois tem uma família para cuidar. Depois da comida ter chegado tardiamente à nossa mesa, e após insistência e a habitual manipulação à mistura por parte dos meus amigos, tentei meter conversa com a Sra., que andava de um lado para outro, sem nos ligar nenhuma, com o objectivo de obter um atendimento mais personalizado e uma atenção redobrada na confecção das iguarias caseiras. Mas, pela primeira vez, em todas as abordagens feitas por mim num restaurante, fui mal sucedida. A intencionada frase “O seu restaurante foi-nos recomendado...”, foi imediata e categoricamente interrompida por “Escusa de recomendar mais, pois vou fechar. Estou farta disto”. Fiquei atónita, bem como os restantes clientes que se encontravam perto de nós. Os meus amigos riram. Eu não queria acreditar no que acabava de ouvir. Seria apenas um desabafo após um dia de trabalho? Um grito de ajuda? Ou um sentimento de desespero com fim à vista? Missão cumprida? Não foi preciso qualquer 'recomendação' (vulgo factor C) para sermos bem servidos na mesa em qualidade e quantidade, apesar de a ouvirmos resmungar quando foi solicitada mais uma travessa de batatas - “Essas batatas dão muito trabalho e agora vão ter de esperar mais. Sai mais uma dose.”

No final do jantar, fomos ter com a D. Maria para lhe darmos a conhecer o nome da pessoa que nos tinha recomendado o seu restaurante, precisamente outro proprietário de um restaurante transmontano em Braga e dizer-lhe que gostaríamos de voltar. Agora, mais simpática, querendo saber o que nós fazíamos na vida, continua a dizer que está cansada do negócio e que se não fosse pelos filhos já teria largado o Borda d' Água.
Gostaría muito de comer novamente aquelas irresístiveis batatas que já foram recomendadas ao restaurante que nos recomendou o dito restaurante que não vos posso recomendar porque vai fechar. Mas se pudesse recomendar, recomendava.

A. Corunha



publicado por Convidado às 01:37
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
"Ide e cheirai vinhos"

Os novos cursos de iniciação às provas organolépticas de vinhos aceleraram o movimento histórico de certificação em massa do povo português. Eu, que tantas vezes arremessei bitaites contra as sinuosas estratégias educativas do nosso governo, lá acabei com um certificado de provador de vinhos.
Provar um vinho oferece-me uma rara dignidade e elevação intelectual. Em nenhum outro momento consigo parecer tão complexo e intenso. Mesmo que, no restaurante, de copo na mão, com o funcionário plantado ao lado a observar-me atentamente, eu mantenha um silêncio introspectivo enquanto desespero: "que caraças, maldito nariz. Tenho de ser operado. Um vinho de 20€ e nem a rolha me cheira. Ao menos mandava para trás e pedia um Monte Velho".

Roda dos aromasO curso decorreu em quatro sessões a ver powerpoints, a enfiar frascos de cheiros pelas narinas e, inevitavelmente, em experiências sensoriais com vinhos. Um ritual: pegar no copo pela base e observar o vinho;erguer o copo, semicerrar os olhos; uma farejadela ao interior, agitar suavemente e dar a snifadela estrutural. Copo nos lábios, verter o néctar para a língua, conduzi-lo por um circuito pela boca até à saída para o copo de plástico. Depois, lavar os vestígios da experiência com água. Neste processo, eu decorava os passos como se de uma dança se tratasse. Dois para a frente, um para trás, ups... enganei-me. E enganava-me.
Às tantas já agitava o copo depois de beber, olhava para o vinho quando o copo estava vazio e cuspia a água. Não minto, se disser que na última sessão bebi os quatro vinhos sem tirar nada ao fígado. Ele existe é para isto mesmo.
Das dezenas de aromas que me passaram pelo nariz, consegui detectar dois, para além do de rolha e um de suor (julgo que meu).
E é assim que no final somos abandonados no mundo real, com um certificado nas mãos: "ide e cheirai vinhos".
Mas, inevitavelmente, neste género de cursos espera-nos sempre um estágio... no ridículo e no patético.
Estava eu a meio do "estágio", no Hotel das Termas de Monção, a executar com mestria todos os procedimentos da prova.
Sem dúvida, frutado.... sim, frutado. Tenho a certeza. Mas... espera aí... noz?... pareceu-me noz... já não a sinto... sim, é noz. Ah não, não me vou calar, senão, aparece outro espertinho que diz «noz» e depois eu só vou poder dizer: "ah, eu também detectei, só que não disse porque era óbvio de mais". Não senhor, olhei para o chefe: "tem um aroma intenso a noz. Extraordinário e complexo".
Meu Deus, eu detectei a noz. Não posso ser apenas um turista no mundo dos vinhos. Eu sou alguém, alguém capaz de detectar noz. Sim, NOZ. Meus senhores: rolha, qualquer um fareja e «frutado» é canja. Frutado, mesmo que se atire à sorte, quase sempre se acerta. O morango é fruta, o melão é fruta, a amora é fruta e, bem vistas as coisas, a uva é fruta. Agora, noz, é só para um grupo restrito de apreciadores. Sim, eu deixei de ser um mero bebedor e elevei-me à categoria de apreciador. Eu tenho de me inscrever num curso avançado, só para especialistas. Fui mais uma vítima do nosso sistema de ensino, um sobredotado que a escola não soube potenciar desde a adolescência. Onde é que eu estaria hoje? Eu e o meu nariz.
Pois, noz... Noz?
O chefe de sala olhou para mim com um sorriso: "sim, tem base de sustentação".
No fim de contas, eu tinha acabado de trincar dois bons pedaços de broa com frutos secos. O rosto dele começava já a abrir em gargalhada, mas esperava a minha aprovação, para eu não ficar ofendido.
Maldição. Claro que sorri e até gargalhei. Eu estava a brincar. Estou a ver que não caiu.
E já agora, podia igualmente ter detectado os figos secos, que também estavam na broa. E se ele não tem aparecido logo ao início, eu teria cheirado a pimenta... do porco preto.
Agora percebo como se sente um indivíduo quando volta ao mundo real com um certificado das novas oportunidades.




Domingo, 20 de Setembro de 2009
Uma Lady na Tasca

Uma tarde de Agosto, calma e serena, lá fui tascar desportivamente com três amigos “machos” para os lados de Barcelos. Tinha sido avisada sobre a dita tasca e do que iríamos lanchar – iscas de bacalhau frito e unhato (com pêlo). O menu não me dissuadiu logo à primeira até porque há uns anos atrás tinha vivido essa experiência única de ir a uma tasca típica, designada Sá Carneiro, em Barcelos, e de outra que confesso não me recordar do nome, mas apenas que tinha fungos verdes nas paredes, que o pica no chão estava fantástico e que alguns dos comensais debatiam-se à procura da crista do galo.
No caminho, ia pensando nas graçolas de um comensal que achava que eu não seria capaz de comer num ambiente demasiado desleixado e só frequentado por homens. A dado momento, interroguei-me se com a idade teria mudado a minha capacidade de adaptação a espaços gastronómicos desprovidos de qualquer requinte e bom gosto. Mesmo que tasca  signifique taberna ou casa de pasto, imunda, reles, valerá o risco se os petiscos forem bons, logo, convenci-me.
Ao entrar na Isaurinha senti-me absorvida pelos cheiros rústicos e pelos olhares de alguns tasqueiros que, porventura, pensaram que talvez tivesse vindo ao engano. Lançei o meu olhar em redor, examinando os pormenores distintivos da pequena casa – mesas simples, com bancos individuais, e junto à janela onde nos sentámos um vaso de flores murchas e  umas cortinas brancas, de renda e tecido barato e tosco. Os petiscos já mencionados apresentaram-se à mesa sem qualquer pretensiosismo, fazendo-se acompanhar de um fraco verde branco da casa, servido em malga, pouco fresco. Feitas as contas, apercebi-me que me faltava 0,20€, pelo que pedi a um dos meus amigos chispesianos para me emprestar e qual o meu espanto quando dois ou três homens à porta da tasca me ofereceram de imediato a moeda em falta. Não aceitei, mas agradeci a gentileza. Que espírito de solidariedade se vive numa tasca!

A idade e a experiência de vida tornam-nos cada vez mais exigentes na degustação de vinhos, petiscos e afins. Continuo, porém, receptiva a novos espaços com ou sem requinte, desde que a comida fale por si. Uma lady sê-lo-á sempre independentemente do sítio onde comer, pois o importante é o saber-estar em qualquer lugar.

A. Corunha



publicado por Convidado às 21:31
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
O palito na mesa portuguesa

No final de uma refeição farta, como um bom bacalhau ou um assado, seja num restaurante ou em casa, antes da sobremesa, há sempre um pequeno prato ou um frasquinho transparente com pauzinhos afiados - os palitos!! E que alegria vê-los chegar à mesa... todos (e não só os homens) ficam aliviados com a sua presença, pois sempre é mais higiénico usá-lo do que levar a unha à boca e retirar do dente o resto de comida que teima em não desaparecer. Poucos serão, ainda, aqueles que procurarão um WC para usar o fio dental, tal como o fez a Pretty Woman Julia Roberts.


Mas o palito não se remete apenas a um instrumento de limpeza bucal, método já ancestral, mas também a um elemento decorativo. Numa tasca ou piquenique, num lanche entre amigos chez nous, o palito ergue-se, qual foguete num arraial minhoto, num pica-pau, numas pataniscas, num prato com moelas ou mesmo com presunto e melão, numa tâmara com bacon, numa fancesinha com uma azeitona em cima, com orgulho e satisfação. Todos o querem! Qual Popeye apaixonado pela sua Olívia Palito.

O palito também dá nome a outros produtos alimentares, doces e salgados, como a batata aos palitos, palitos de queijo parmesão, palitos de chocolate, palitos la reine e palitos salgados como aperitivos.  Como sabem, qualquer dona(o) de casa não dispensa o popular palito para ver se o bolo está cozido. É caso para dizer: quem tem um palito à mão, tem sempre uma solução.

Numa época em que se deve primar pela diferença e criatividade no negócio da restauração, mantendo, no entanto, os sabores tradicionais dos alimentos, o palito poderia ser mais atractivo, com outras cores, de acordo com as estações do ano. No Verão, de cor verde limão; no Outono, vestido de  castanho cajou; no Inverno, mais quente, logo, de cor cereja ou figo; e na Primavera, de laranja. Seja como for, independentemente da utilização que lhe queiramos dar, de qualquer modo ou feitio, pequeno (o palito chinês é maior, notem), geralmente de madeira, de cor bege, mais ou menos afiado, nas duas pontas ou apenas numa, é com certeza um palito português.

A. Corunha


tags:

publicado por Convidado às 00:11
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

Sábado, 12 de Setembro de 2009
Churrasqueira Minhota (Amares)

Já neste blog se escreveu que há restaurantes que têm nomes que dizem logo ao que vamos e outros que têm nomes mais enganadores. O restaurante a que me levaram em Amares, a Churrasqueira Minhota, é um desses casos em que o nome nos faz criar uma imagem que não corresponde à realidade. Assim, lá fui eu a pensar num espaço simples, povoado de frangos de churrasco, com mesas cobertas de toalhas de papel sarapintadas de molho e vinho tinto e perfumado com o cheiro de óleo frito.
Quando cheguei, estranhei desde logo estar perante uma moradia. Ao ser encaminhado pela lateral da casa não evitei pensar que estava a invadir propriedade privada. Apercebi-me, porém, que o restaurante ficava nas traseiras da habitação (vim a saber que é assim no Verão e que no Inverno funciona na cave) e quando entrei fiquei extraordinariamente surpreendido pela positiva, vi que tinha ido ao engano e que estava num local nos antípodas de uma típica churrasqueira. O espaço mereceu imediatamente nota máxima, afinal de contas deparei-me com mesas dispostas ao redor de uma pequena piscina abrigadas por um telheiro de estilo rústico. Pensei imediatamente que afinal tinha sido boa ideia ter trocado os trajes da praia por uma vestimenta mais normal.
E se o espaço era agradável, o que dizer do atendimento? Todos os empregados de mesa com quem tivemos contacto (jovens de ambos os sexos) foram o tempo todo de uma simpatia e prestabilidade irrepreensíveis, tão simpáticos que pensei que deviam estar a compensar algo, ou a comida não seria boa ou então estaria um corpo no fundo da piscina. Mas, afinal não. Não havia corpo e a comida foi excelente.
Depois de várias entradas, que não sendo memoráveis estavam boas (moelas, mexilhões panados, cogumelos salteados, presunto com melão, azeitonas), deliciámo-nos com um excepcional bife de javali - saboroso, tenro, suculento, no ponto - acompanhado de arroz, batata frita de comer e pedir muitas mais, feijão preto e doce de maçã. Nos vinhos aconteceu-nos algo raro, conseguiram vir para a mesa duas garrafas de diferentes vinhos brancos alentejanos que não estavam em condições, sendo de realçar a atitude impecável dos empregados nesta questão.
Na sobremesa, recomenda-se o Doce Tentação, mas absolutamente imperdível é o Doce Pecado. Foi o corolário de uma excelente refeição numa quentíssima noite de Agosto, em que a piscina ali ao lado da mesa se mostrou sempre tentadora!




Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
O Leitão escarrapachado

Já pensaram quantos locais existirão neste país que são fantásticos para se comer mas uma pessoa simplesmente não faz ideia? Quantos espaços gastronómicos maravilhosos desconhecemos porque, naturalmente, nunca foram referidos na comunicação social ou não fazem parte de roteiros? Locais onde nem sequer se esperaria comer, quanto mais fazer uma refeição memorável? Locais que só descobrimos um dia por mero acaso ou pela melhor forma de todas que é o boca-a-boca?
Este Verão, por recomendação de um membro do Chispes e Couratos, conheci um desses sítios, um dos tais em que só lá chegaria desta maneira, porque mesmo que, perdido e cheio de fome, passasse de modo improvável à sua frente nunca lá pararia já que, afinal de contas, não se trata de um restaurante nem sequer de uma tasca, mas apenas e só de um café.
O local em causa é o Café do Adro, em Carreço, Viana do Castelo. O que lá se pode comer também já é de si surpreendente, nada mais que um leitão escarrapachado! Isto é, um leitão assado totalmente aberto, em pose de frango de churrasco ou de codorniz à Santa Luzia, o que o torna muito mais saboroso e estaladiço que o assado de forma tradicional, como pudemos comprovar. Acho que nunca nenhum leitão me soube tão bem e o sentimento foi comum aos outros três elementos do grupo.
Devido a algumas desistências de penúltima e última hora, e como o banquete tem de ser encomendado previamente, nós quatro tivemos que nos haver com um leitãozinho inteiro, recebido à mesa com palavrões, tanto de surpresa e admiração como de receio, mas no final só faltou sermos aplaudidos de pé por funcionários e clientes pois conseguimos dar cabo dele sem problemas, só sobrou a cabeça, sempre com a preciosa ajuda de várias garrafas de um óptimo espumante tinto (refira-se que, também ao contrário do habitual, este leitão vem acompanhado de batatas assadas no forno, arroz e legumes).
É importante acrescentar que, antes do prato principal, degustamos deliciados um conjunto de entradas muito boas, camarão, caranguejo, mexilhão, amêijoa, bôla de queijo, entre outras, e mais entradas haveriam se fossemos um grupo maiorzinho. No fim, e estando nós já há mais de duas horas sempre a comer, ainda nos satisfizemos gulosamente com uma série de crepes acompanhados de gelado à discrição.
Conta paga, menor do que esperávamos, ainda se tem a praia ali à beira para ajudar à digestão…




Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Casa Pires em Moreanes (Alentejo)

Tentei chegar ao Pomarão, onde há cerca de 4 anos comi um coelho de caça frito, que ainda hoje é um pesadelo por nunca mais ter encontrado o mesmo, feito com a qualidade do simples (pois fartérrimo de cozinha internacional ando eu, na maior parte das vezes de cozinha só tem a arte do decorador de pratos), deparo no Pomarão com a porta fechada e soube depois que o proprietário tinha, infelizmente, falecido.

Local mais perto onde, já não diria comer, mas enganar a fome, só em Moreanes, segundo a indicação de uma habitante do Pomarão.

Rodas na estrada rumo a Moreanes, entro no centro da aldeia e encontro 2 restaurantes, o Alentejo, belíssimo aspecto e um cardápio afixado no exterior que nos fez salivar, mas infelizmente fechado para descanso. A cerca de 50 metros um pequeno café, com sala para almoços. A Casa Pires, nada que o recomendasse, mas a vontade de enganar o estômago mandava mais que a 'razão'.

Fomos encaminhados, muito calmamente (já voltei e é sempre com muita calma) para a sala de jantar, sem grandes luxos e decorações, mas extremamente limpa. Pedimos o cardápio e o Sr. Pires calmamente pediu para se esperar. A espera valeu a pena, pois para nosso deleite chegou com um presunto e uns enchidos de fazer ressuscitar 3 defuntos. Simplesmente divinal a fazer lembrar um Pata Negra Reserva e um enchido de Lombo do mesmo.

Para almoço, o Sr. Pires tinha os sempre fantásticos secretos de Porco Preto bem como a açorda de bacalhau, o cozido de grão e uma feijoada de lebre.

Optamos por uma feijoada de lebre e um cozido de grão e a experiência foi do mais recompensante em termos de bem cozinhar e temperar, especialmente a feijoada de lebre temperada com hortelã. Doses generosas que é como dizem os alentejanos: para um alentejano ainda sobra e para um citadino dois não a comem. O vinho, local mas bem feito, sem defeitos aparentes. A sericaia presente e no final €12,00 por pessoa. 

Já voltei, recomendei e todos os que lá foram não ficaram de forma alguma defraudados.

A feijoada de lebre ou se tem sorte e há disponivel ou então telefonar ao Sr. Pires com uns dias de antecedência que ele a providenciará.

 

Moreanes fica na estrada de Mértola para Serpa, via Mina de S. Domingos e a cerca de 5 Km antes de se chegar à Mina de S.Domingos.

 

Jorge Guimarães



publicado por Convidado às 11:17
link do post | comentar | ver comentários (11) | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
A Quinta de Carapeços.

A prova, se ainda faltasse, da adequada questão do volume de vasilhame vendido surge sublinhada no último jantar doméstico… cá de casa portanto. 75 é um bom nome para carro italiano, mas não para uma garrafa, que eu e a minha mulher não consideramos com unidade divisível, o que nestes dias quentes, e com a temperatura bem fria do frigorifico pode criar alguns problemas.
Ora pois bem, se do prato até já nem mantenho memória, da garrafa sim… uma primeira do Alvarinho cultivado fora da sua região nativa e hereticamente movido para a região de Amarante onde amadurece com outra doçura, consideramos toda a plenitude do sabor e qualidade de um vinho puro, feito com uma dose de ezquiofenia reservada aos melhores seres humanos, em que os valores de uma vida suprema e soberba se levantam acima dos valores financeiros das grandes produções.

O calor estraga a conta e chega a segunda garrafa para complementar até ao nível ligeiramente ébrio os convivas deste despautério doméstico. Mas nem só de Alvarinho vive esta excelente produção.

Verdadeiramente fabuloso é o Espadeiro… mesmo… feito de uma forma despreocupada, engarrafado tarde, e a maturar como não é normal num verde, em que o rosa passa para um delicado petróleo, e o sabor passa de um frutado fabuloso e dá lugar a morangos espremidos e torturados dentro de uma garrafa. Infelizmente, o lote anterior nem teve tempo nem de envelhecer nem de habitar o frigorifico…

Mas julgais que apenas destes, produzidos em inevitáveis minúsculas quantidades, vive a Quinta de Carapeços? Não, mil vezes não… por pistas tortuosas chega algo impensável… verdadeiramente impensável… deixar as uvas das mais doces castas verdes apodrecer até Fevereiro agarradas à videira sua mãe … Late Harvest… meu Deus… o que é isto… Podridão Nobre é o termo… um sabor arrebatador, o álcool disfarçados num sabor que servido fresco é nada menos que… ora bolas a mesma palavra de volta…Perfeito!

 

Por Tomé Coelho



publicado por Marco às 18:36
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

.Restaurantes e afins
Lista de espaços gastronómicos analisados ou referidos no blog.
.Envie Sugestões
Se conhece algum restaurante, tasca ou pronto-a-comer que mereça a nossa atenção, escreva-nos que enviaremos logo que possível uma comissão de avaliação. Opine, dê ideias, contribua com imagens e/ou textos pertinentes! chispesecouratos@sapo.pt
.Chefes de Mesa
Ilustração by Ricardo Coelho
Aluno de Design Gráfico da Escola Profissional de Braga
.posts recentes

. Pornogastronomia

. Gourmet para totós

. A melhor carne de porco à...

. Se for pouco faz bem... s...

. A filha da putice e a edu...

. Se for pouco faz bem... s...

. O fim do top ten

. As gaffes e as “atenções”...

. O Natal é uma porcaria

. O peso de Portugal

. Um Feliz Natal e um Farto...

. Felizes Festas do Bacalha...

. "Os portugueses e o peixe...

. Éclair, éclair e a vida s...

. As 4 Maravilhas da Mealha...

. Adão e Eva: como se fosse...

. Pancada

. O Restaurante que (Nunca)...

. "Ide e cheirai vinhos"

. Uma Lady na Tasca

.arquivos

. Novembro 2011

. Dezembro 2010

. Setembro 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

.últ. comentários
Os meus amigos ainda continuam a fazer estes assal...
:DFez-me lembrar "Tortura": Shakira e Alezandro!
Resposta de António Oliveira ás criticas negativas...
Realmente!... Não aconselho a dono é do mais es...
Olá Cátia, obrigado pelo comentário. É bom ver que...
Bom dia,ontem tive oportunidade de visitar este re...
Fui lá hoje e, sinceramente, partilho do primeiro ...
Mercesnario deves ser tu minha grande besta, aquel...
adoro tascas
Já lá fui comer o cabrito, exelente esplanada. Rec...
.pesquisar neste blog
 
.tags

. todas as tags

.subscrever feeds