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Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

Chispes e Couratos

Neste espaço não se discriminam gostos, fetiches, taras, manias, desvarios ou inclinações gastronómicas. Só não toleramos seguidores fanáticos do tripadvisor.

22
Nov17

Portugal tem a refeição mais exclusiva do mundo (2017)

JP

Finalmente foi publicada a lista das refeições mais exclusivas do mundo, onde é mais difícil e/ou caro conseguir um lugar à mesa. E Portugal aparece em primeiro lugar, à frente do Sukiyabashi Jiro, em Tóquio, ou do El Celler de Can Roca, em Girona, que até têm listas de espera de vários meses.

O repasto onde é mais difícil conseguir lugar à mesa é:

Cozido à portuguesa de porco mesmo, mesmo, mesmo quase caseiro, alimentado com boas lavagens de restos de refeições de cozinha nacional.

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Lista de espera não existe.

Reservas só por convite, conhecendo irmãos, primos, cunhados, amigos do proprietário do restaurante ou PJ.

Não há telefone, email, site, app ou página de facebook. Não há tripadvisor ou the Fork. Não há Boa Cama, Boa Mesa. Não há publicidade: "Cozido à portuguesa de porco morto por nós, cumprindo os regulamentos que realmente interessam e desprezando todos aqueles que só põem em causa a sobrevivência da cozinha nacional. Estamos a borrifar-nos para as autoridades, até porque algumas delas vêm cá comer o cozido. Inscreva-se já!"

Onde? Poucos sabem. Como se trata quase de uma sociedade secreta, num universo de 30 mil restaurantes com cozido na carta, apenas 4 a 5 têm o autêntico. Só um restrito número de pessoas consegue saber o dia, a hora e o local em que o prato é servido. 

Mas que porco é este? Trata-se de um porco já quase extinto em território nacional, criado em parte incerta pelo proprietário do restaurante e alimentado com restos das refeições servidas no espaço. Mas também não vale pizzarias, sushicharias ou chinês, ninguém quer comer carne de porco alimentado a restos de chop suey e de sopas de ninho de andorinha.

O acesso é proibido a turistas e a várias etnias. É um grupo extremamente xenófobo. Desprezam a etnia de pessoas que não come gorduras e a minoria de indivíduos que pede cozido para comer vitela ou frango. É uma minoria, mas é muito irritante. 

Os Chispes conseguiram ter acesso a uma destas refeições e já garantiram lugar para outra no dia 7 de Dezembro. Como é óbvio, não podemos revelar mais informações.

Se não conseguirem um lugar este ano, tentem outras opções mais acessíveis desta lista, como o Osteria Francescana ou o Eleven Madison Park, onde é bem mais fácil conseguir mesa.

21
Nov17

A discriminação na carne de porco doméstico

JP

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O Despacho n.º 7198/2016 veio autorizar, em certas condições, a matança do porco doméstico. O mais escandaloso, e ninguém parece ter reparado, é que a lei só autoriza o consumo das carnes pelo produtor e seus familiares.

E os amigos? Porque é que a amizade é discriminada neste despacho? Entende-se que a Operação Marquês tenha despejado uma tigela de vinho verde tinto sobre a camisa de linho que veste as puras relações de amizade. Tal como o processo Casa Pia veio lançar suspeitas sobre as coceguinhas aos sobrinhos menores, o ensino de catequese por homens, passeios micológicos com rapazinhos em bermudas, fazer observação astronómica nocturna com crianças institucionalizadas e até, imagine-se, brincar aos médicos com o amigo de escola do filho.

As relações de amizade em Portugal são tão mal vistas que não tardará muito a serem enquadradas legalmente com outro despacho. Relações de amizade com termo certo, sem termo, independentes ou até a tempo parcial. E seremos obrigados a preencher mais um anexo no IRS relativo às relações de amizade de facto.

E os vizinhos? Imaginemos que o vizinho ajudou na matança, até contribuiu durante meses para as lavagens e agora comete uma ilegalidade se provar um chispe ou uma orelhinha.

E os namorados de familiares? E as uniões de facto com menos de 2 anos, senhores? E os filhos registados por outros pais e que não querem nenhum processo legal de alteração de paternidade, apenas desejam comer um bom porco caseiro? O que o legislador sugere é: impugna a actual paternidade, mesmo que ames o pai que te educou, e dá entrada com um processo em tribunal para reconhecimento de paternidade do pai biológico, por sinal produtor de porcos domésticos.

E os órfãos? Que raio de legislador se lembra de discriminar os órfãos?

Acredito que o legislador tentou compensar a discriminação de órfãos, permitindo as matanças como manifestação cultural ou desportiva. À primeira vista, seria bem pensado. Um órfão que toda a vida esteve institucionalizado não pode comer do porco do pai de um amigo, mas pode procurar na internet eventos e inscrever-se. Senhor Legislador, nem de perto nem de longe é a mesma coisa. A experiência diz-nos que na grande maioria dos casos é uma encenação e o vinho é péssimo.

Mas o cúmulo, e caso para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, é a discriminação de imigrantes. Poder-se-á argumentar que há aqui um esforço para impedir o acesso de rebanhos de turistas e infiéis a um espaço sagrado da nossa gastronomia.

Mas o legislador, sabendo das estatísticas da imigração que se dedica à criação de suínos, com este despacho é como se escrevesse nas paredes dos nossos monumentos: “os porcos domésticos portugueses são para os portugueses. Vão comer para a vossa terra”.

15
Nov17

Um "bacalhão" em Chaves

JP

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Se fazes parte do grupo de cidadãos preocupado com a extinção do bacalhau assado e acreditas que é preciso proteger o consumo desregulamentado dos cardumes do Vítor ou da Taberna do Afonso, ficas a saber que acabamos de descobrir mais um banco de bacalhau: Restaurante Ganda Gula, em Chaves.

À chegada, não há como não estranhar a localização: um pavilhão no parque empresarial do Outeiro. Certo que se trata de Chaves e todos sabemos que o povo da fronteira tem, digamos, ligeiras especificidades cromossomáticas. Certo que os pavilhões dos parques empresariais do interior não são propriamente as trufas do imobiliário nacional. Mas com esta estratégia vamos ter pavilhões para a Fatinha cabeleireira ou para o Jorge Sapateiro.

Pronto, somos reaccionários, crescemos habituados a ver nos parques empresariais os restaurantes de diárias ou os rodízios.

Em Chaves, o Ganda Gula parece ser já popular, principalmente no mundo da bola. E justificadamente. O jogador de bola tem quatro horinhas de treino diário e o resto do dia para fazer as maluqueiras típicas dos jogadores, como conhecer restaurantes em parques empresariais. É um horário semanal de trabalho que provoca arritmias e desperta uma vontade irreprimível de sair para a rua e partir tudo em qualquer dirigente do sindicato de trabalhadores da função pública. 

E o bacalhau do Ganda Gula é uma experiência marcante.

À entrada, perca algum tempo a admirar o engenho do forno. O bacalhau é assado ao calor das brasas mas nunca é exposto ao fumo. Uma boa ideia, sem dúvida, mas há que evitar obsessões com o fumo, ou ainda vamos levar com proibições de fumeiro e a chegada das chouriças electrónicas.

Confesso que estava desejoso de comer o bacalhau e pouco interessado na solução de engenharia. Mas esse é o carma de muitos que trabalham para melhorar a nosso dia-a-dia. Vamos guardar agora um minuto de silêncio em homenagem a todos aqueles que trabalham para criar sanitas cada vez mais fiáveis e funcionais. (silêncio)

Já no interior, notou-se um intenso esforço para exterminar a impessoalidade do espaço. Todavia, não esquecemos o famoso ditado "podes sair do pavilhão, só não tiras o pavilhão que há dentro de ti". Mas não ficou mal, não senhor.

O bacalhau estava excelente. Uma peça enorme, para a qual ainda não temos designação. “Bacalhão” talvez se adeque. O dono preparou o prato à nossa frente, salteando pedaços mais salgados com os mais demolhados. Uma preparação antifascista que não agrada àqueles que acham que têm direitos naturais ou adquiridos às partes altas do peixe. Bom azeite, cebola e muito alho.

Apenas dispensariamos o pimento.

Para acompanhar o prato, os seis convivas optaram por 35 garrafas de vinho branco do Douro. Houve alguma indecisão no início, mas hoje podemos afirmar que 35 garrafas de vinho combinam bem com o bacalhau.

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09
Nov17

Boneca, sexy e charmosa

JP

Há gente que só diz coisas despalatas: revelam uma total ausência de palato e bom senso.

Excelente comida à descrição. 15€/pessoa. Comida tradicional comi bacalhau assado, chanfana e carne muito boa grelhada.. “.

Excelente comida por 15 € é um oxímoro. Meus amigo, eu vou explicar: não há excelência a 15 euros, muito menos excelência à descrição. E quando na mesma refeição reunimos bacalhau, cabra e vitela e só nos pedem 15 €, de seis, uma: és agente da PJ, houve engano, é para os apanhados, trabalhas nas finanças, pousaste sem querer a tua arma automática em cima da mesa durante a refeição ou acabaste de comer lavagem.

A excelência faz-se pagar, como qualquer jovem inexperiente descobre traumaticamente quando responde ao anúncio “boneca, sexy, charmosa, corpo de modelo, só 25 beijinhos”.

Nariz do Mundo é mais uma dessas bonecas charmosas do mundo da restauração.

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08
Nov17

Receita de Pica no Chão mesmo, mesmo, mesmo bom

JP

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Receita de Pica no chão tradicional, à la fabuloso, com o arroz molhadinho, soltinho, e um frango mesmo caseiro, que é tão bom, mas tão bom, que vais ter sonhos húmidos com ele.

Tempo mínimo de preparação: 48 horas.

 

Dois dias antes, comece por colocar 20 cl de vinho tinto do Douro num copo de balão. Agite em movimentos circulares suaves para libertar aromas. Coloque fatias de queijo em tostas e deguste alternadamente com curtos goles de vinho.

Recoste-se no sofá, incline ligeiramente a cabeça para trás e, com um subtil sorriso, ponha o desejo a marinar, idealizando as peças de frango, escurecidas pelo refugado, mergulhadas no arroz encharcado em sangue. Não salte esta etapa, porque fantasiar previamente com o frango, pelo menos durante 24 horas, é fundamental para apurar todos os sabores no momento da prova.

Pegue no telemóvel e marque 253 647 106, restaurante Adelaide em Vieira do Minho, ou 255 483 416, adega Rita, na Lixa. Em qualquer dos casos, seja educado e transmita confiança. Salpique a conversa com algo do género: “tenho amigos que”, “recomendaram a sua casa”, “não me desiluda”, “sou exigente”, “frango para mim tem de ser caseiro”, “arroz no ponto” e, finalmente, “fica então marcado para tal hora, daqui a 2 dias”.

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Ainda com o telemóvel na mão, seleccione meticulosamente e reserve 4 amigos(as) para o acompanharem na degustação do frango. Entre muitos outros critérios, tenha atenção a não reunir exclusivamente indivíduos que preferem asas e coxas ou que só gostam das peças carnudas. Evite convidar gente que, quando a panela pousa na mesa, usurpa a carne, adiando o arroz. Os verdadeiros apreciadores deste prato sabem que há uma curta janela temporal, muito estreita, diga-se, para apreciar o arroz em todo o seu esplendor. Para que os amantes se entreguem apaixonadamente ao arroz, não podem estar angustiados com a possibilidade de um ou dois estupores à mesa limparem as melhores peças de carne. Vivemos num estado de direito, não estamos numa favela no Brasil, num acampamento do Daesh ou em Juarez. Todos os cidadãos têm o direito a degustar as suas refeições ao ritmo que mais prazer lhes dá e pela sequência que bem entenderem, independentemente da sua raça, nacionalidade ou religião, não podendo ser submetido a qualquer tipo de tortura física ou psicológica.

Finalmente, na altura de servir, sente-se à mesa na hora marcada, acompanhando o pica preferencialmente com um vinho verde tinto.

Todas as refeições com amor são ridículas. Não seriam refeições com amor se não fossem ridículas. Por isso, não tenha problemas em ser lamechas e piroso, tire fotografias para partilhar no instagram e no facebook.

Mas, afinal, só as criaturas que nunca comeram refeições com amor, é que são ridículas. Certo?

 

06
Nov17

Ideia para o PAN

JP

Lei da Identidade Alimentar:
As crianças poderem tornar-se veganas sem autorização dos pais. Será o fim da ditadura gastronómica que não respeita a identidade alimentar auto-percebida.
E já agora, convém não discriminar as crianças que não se identificam com a sopa!

 

 

02
Nov17

Paraíso à mesa

Alexandra Corunha

 

Calcorrear pelos sublimes caminhos e fajãs açorianas é um deslumbramento para os nossos olhos, de tal forma que nos tornamos redundantes na adjetivação perante tanta beleza, um bálsamo para o cérebro e uma paz de e para o espírito. Poucos destinos nos deixam “com água na boca”, literalmente. Aqui, somos também conquistados para valentes iguarias, ficando aptos a realizar proezas não tanto de força física como as do Popeye, mas de capacidade de sedução das nossas papilas gustativas. Ora examinem comigo alguns dos seguintes repastos, degustados no passado mês de agosto:

 

Na Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo:

- a Alcatra e Travessa Regional (composta por enchidos regionais e torresmos), nos restaurantes Caneta e Ti Choa. Magnífica!;

- as Cracas e a Mista de Peixe, no Restaurante Beira Mar, no Porto de S. Mateus. Deliciosas!;

- o Atum braseado, na Tasca das Tias. Suculento!

 

Na Ilha do Pico:

- as Bochechas caramelizadas da Casa Âncora, na marginal do cais da ilha, muito macias e tenras. Divinais!;

- a Sopa de Peixe confeccionada com encharéu, garoupa e bagre, no restaurante O Ancoradouro, com vista panorâmica para o Faial. Rica!;

- o Queijo, a abrilhantar qualquer farnel numa das inúmeras mesas de pedra existentes nos parques. Intenso!

 

Na Ilha de S. Jorge:

- as Amêijoas da Caldeira de Sto. Cristo e a Garoupa no Fornos de Lava. Soberbas!

 

Na Ilha Graciosa:

- as Lapas e o Chicharro do alto, tamanho XXL, no Restaurante JJ. Fabulosas!;

- as Queijadas que, no final de uma refeição, apelam a um licor típico a Andaia, uma bebida cujas matérias principais são especiarias como funcho, canela,…, à qual atribuem propriedades afrodisíacas. Saborosas! (desculpem, mas as minhas favoritas são as do Conde da Praia da Terceira, compostas por batata doce, canela,…)

 

Senhoras e senhores, estes sabores elevam-nos a um estado de êxtase sensorial capazes de despertar consciências e superar desafios (como a Subida ao Pico)! :)

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31
Out17

O vinho no estudo da narrativa

JP

Os chispes estudam isto há anos: os cheiros, a luz, os copos, o ambiente... a narrativa. A narrativa. Senhores e senhoras, é a narrativa que torna a coisa memorável. Que o diga o Miranda, do Miranda- Sabores do Barroso, que tem de nos aturar até de madrugada. Aquela casa já assistiu a todos os géneros de narrativa: lírico, épico e dramático. Com tantas histórias, o Miranda poderá já ser considerado uma das referências da narratologia, ao nível de um Barthes, Umberto Eco ou dos formalistas russos. 
Todorov dizia que a narrativa é vida, o Miranda dirá que a narrativa vem do vinho. Pois é, se o Miranda tivesse mau vinho, acabavam-se as longas epopeias e ficava uma casa sossegada com pequenos contos. São opções.

 

É com o cérebro que comemos

30
Out17

Eu é que sei onde estão as melhores lapas grelhadas

JP

A internet está a ficar entupida de gente parva que acha que sabe onde é que se comem as melhores lapas grelhadas do mundo. Foi naquele restaurante. Serviço incrível. Tudo óptimo. A repetir.

Isso é estúpido, porque nós é que sabemos onde se comem melhores lapas grelhadas do mundo. No JJ, em Vila da Praia na Graciosa, e só agora é que estamos a partilhar na internet.

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Sabemos, porque cumprimos escrupulosamente o método científico. Foram quase 20 anos de estudo e testes para validar este resultado. 

Tudo começou há 18 anos na ilha do Faial, quando um grupo de investigadores verificou que comendo lapas grelhadas em dois locais diferentes, elas eram deliciosas. O grupo colocou a hipótese de pelo facto de serem lapas e serem grelhadas, serem obrigatoriamente saborosas. 

A teoria aguentou-se até hoje, porque efectivamente o grupo nunca encontrou nos Açores lapas grelhadas que não fossem bastante aceitáveis. Contudo, a investigação acabou por seguir noutro sentido, quando misteriosamente alguns elementos do grupo de estudo apresentaram alterações comportamentais.

Na presença de algumas lapas grelhadas, os indivíduos tornavam-se mais ansiosos, agressivos e desleais. Pediam sistematicamente mais pão e a serviam-se despudoradamente de lapas. Na altura, foi colocada a hipótese de alguns dos participantes apresentarem os primeiros sintomas de alzheimer, pela forma como não conseguiam contar as lapas que tinham comido, não serem capazes de manter uma conversa durante a refeição, esquecerem-se que tinham lapas no prato e mesmo assim tirarem mais da travessa.

Para despistar estes resultados, o grupo foi colocado num restaurante a comer ameijoas da caldeira de Santo Cristo e, de forma surpreendente, o que deixou os investigadores estarrecidos, os participantes revelaram as mesmas alterações comportamentais. Parecia óbvio que todos sofriam de alzheimer.

O que intrigava os investigadores é que se o grupo não fosse exposto a lapas, a ameijoas com molhinho ou a camarão ao alho, nenhum dos participantes apresentava sinais de demência.

A conclusão era óbvia: quanto mais deliciosas são as lapas grelhadas, mais "filhadaputice" teremos à mesa. Restava, pois, aos investigadores observar e medir os niveis de sacanice e a quantidade de pão consumida, para conseguir identificar as melhores lapas grelhadas.

Alguns ainda contestam estes resultados e afirmam que as lapas grelhadas podem provocar demência temporária. Independentemente desta polémica, o certo é que este estudo permitiu encontrar as melhores lapas grelhadas do mundo: JJ, em Vila da Praia na Graciosa. Já tinha escrito isto? Há quem afirme que recordar as lapas grelhadas do JJ,em Vila da Praia na Graciosa, provoca alguns sintomas de demência passageira.

 

 

26
Out17

O vinho não é um extra

JP

Para muitos filhos da mãe da restauração, o vinho ainda é considerado um pack extra. Tipo um volante em pele, o alarme ou o ajuste lombar. Mas pensem lá comigo e digam-me se há algum modelo base de um carro que não inclua rodas, seus trengos. Porque o vinho é isso mesmo, faz parte da refeição, não é um luxo ou uma mera opção que possamos deixar de fora sem perder nada na experiência.

O vinho é um extra é no Peinador, em Vigo.

Se não fosse por muito mais, já tinha um bom motivo para adorar o Caneiro. Ora cá está um espaço onde se sabe assumir os vinhos e onde se percebeu que uma refeição não inclui só o que se trinca. E também têm excelentes sopas.

A imoralidade do preço do vinho na restauração